ONU reúne mais de 80 países em condenação aos planos de Israel

Na última terça-feira, mais de 80 países reunidos na ONU condenaram as intenções de Israel de expandir sua presença na Cisjordânia, intensificando o já delicado conflito da região.

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18/02/2026, 04:55

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma reunião da ONU com líderes mundiais discutindo sobre a situação na Cisjordânia, rodeados de bandeiras dos países membros. Alguns líderes expressam preocupação visível, enquanto outros demonstram desinteresse. A cena é tensa, refletindo a gravidade das discussões sobre o conflito.

Em um momento crítico para a diplomacia internacional, mais de 80 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) condenaram na última terça-feira os planos do governo israelense de expandir sua presença em áreas da Cisjordânia ocupada. A resolução destaca as tensões crescentes no Oriente Médio e a complexidade do conflito israelense-palestino, que já dura décadas e continua a provocar reações acaloradas a nível global.

A decisão da ONU foi tomada após uma série de relatos e preocupações levantadas por líderes mundiais sobre o impacto que a expansão dos assentamentos israelenses teria sobre o processo de paz e a já instável situação humanitária em Gaza e na Cisjordânia. Entre os países que se manifestaram, estão nações da União Europeia, além de membros da Liga Árabe e de outros continentes, demonstrando uma preocupação unificada com as consequências que tais ações poderiam acarretar.

Apesar da significativa adesão a essa condenação, críticos questionaram a eficácia da ONU enquanto entidade mediadora. Um usuário expressou sua frustração ao apontar que a ONU, em sua história, teve momentos controversos que suscitaram debates sobre a sua credibilidade. Lembrou-se da coalizão de 85 estados membros que se posicionaram contra a expansão, mas também foi mencionado que isso representa menos da metade dos 193 estados que compõem a ONU atualmente, gerando uma perspectiva cética entre especialistas e comentaristas.

Adicionalmente, algumas vozes se manifestaram sobre o contraste entre as ações da ONU em relação ao conflito israelense-palestino e outros eventos globais de grave violação dos direitos humanos, como a repressão de protestos no Irã. Um exemplo citado foi o da crise iraniana, onde relatos indicam a morte de manifestantes sem a devida resposta ou condenação da ONU. Essa comparação levanta questões pertinentes sobre a seleção de intervenções da organização e a sua capacidade de agir de maneira efetiva frente a diferentes crises humanitárias.

De acordo com a análise de algumas vozes críticas, o sentimento predominante é de que a ONU, ao se limitar a declarações e resoluções temporárias, falha em exercer uma efetiva influência sobre as políticas das nações soberanas. Num mundo onde as dinâmicas políticas estão em constante evolução, a ineficiência percebida da ONU diminui a confiança dos cidadãos e das nações em sua capacidade de ser um agente de mudanças significativas. A ideia de que apenas "palavras" são insuficientes para promover mudanças duradouras e relevantes foi uma constante nos comentários.

Por outro lado, há quem defenda que a ação diplomática é um passo essencial, mesmo que os resultados imediatos não sejam visíveis. O apelo para medidas concretas, incluindo possíveis boicotes por parte da União Europeia contra Israel, foi uma das propostas feitas como resposta à expansão dos assentamentos. Tais ações, se implementadas, poderiam complicar ainda mais as relações entre Israel e a comunidade internacional.

A situação da Cisjordânia e os planos de Israel não são apenas uma questão regional; elas envolvem aquela que é uma das mais duradouras crises do mundo contemporâneo, refletindo as complexas interações de política, religião e culturalidade. A ação da ONU pode ser um passo simbólico, mas muitos especialistas alertam que, sem uma estratégia robusta de implementação e acompanhamento, as futuras ressonâncias desse movimento serão limitadas.

Conforme o mundo observa as desdobramentos dessa questão, a pergunta que permanece é se a ONU conseguirá se reinventar para se tornar uma força ativa na resolução de conflitos e proteção da paz, ou se continuaremos a testemunhar mais de um aglomerado de vozes sem real impacto nos cenários tumultuosos que dominam o planeta. Assim, a comunidade internacional se depara com um desafio imenso: a necessidade de encontrar não apenas a conciliação, mas também um caminho viável para soluções sustentáveis a longo prazo para um conflito que já custou muitas vidas e exacerbado sofrimentos ao longo de sua trajetória.

Fontes: Folha de São Paulo, BBC Brasil, The New York Times

Resumo

Em um momento crítico para a diplomacia internacional, mais de 80 países membros da ONU condenaram os planos de Israel de expandir sua presença na Cisjordânia ocupada. A resolução reflete as crescentes tensões no Oriente Médio e a complexidade do conflito israelense-palestino, que provoca reações globais. A decisão foi motivada por preocupações sobre o impacto da expansão dos assentamentos israelenses no processo de paz e na situação humanitária em Gaza e na Cisjordânia. Apesar do apoio significativo à condenação, críticos questionam a eficácia da ONU como mediadora, citando a baixa adesão em relação ao total de estados membros. Além disso, há um contraste nas ações da ONU em relação a outras crises de direitos humanos, como a repressão no Irã, levantando questões sobre sua capacidade de intervenção. Embora alguns defendam a diplomacia como um passo importante, a falta de ações concretas pode limitar o impacto das resoluções. A situação na Cisjordânia é uma das crises mais duradouras do mundo, e a eficácia da ONU em promover mudanças duradouras continua sendo um desafio.

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