New York Times enfrenta críticas por cobertura anti-trans e desinformação

A recente declaração de um ex-editor do New York Times revela alegações sérias sobre a cobertura anti-trans do jornal e sua relação com a política da extrema direita, levantando preocupações sobre a responsabilidade ética da mídia.

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02/01/2026, 20:33

Autor: Laura Mendes

A imagem retrata uma sala de redação moderna, com jornalistas concentrados em seus computadores, em um ambiente tenso. Ao fundo, uma tela exibe uma manchete polarizadora sobre a comunidade trans, com expressões de preocupação nos rostos dos trabalhadores. A imagem provoca um forte contraste entre a busca por verdade na reportagem e a pressão externa para produzir conteúdo que atraia cliques.

Nos últimos meses, o New York Times tem estado sob intenso escrutínio por sua cobertura de questões relacionadas à comunidade trans. No cerne dessa controvérsia está uma declaração feita por um ex-editor do jornal, que apontou que a inclinação anti-trans da publicação parece ter vindo das mais altas esferas da administração. De acordo com ele, a instituição adotou uma postura que agrada a elementos da direita radical, especialmente à base de apoio da campanha de Donald Trump, que se beneficiariam de uma narrativa desfavorável em relação às questões trans.

A situação se torna ainda mais complicada quando se considera o histórico do New York Times, que, apesar de sua reputação como uma das principais fontes de notícias do mundo, já foi criticado por falhas em sua cobertura jornalística em outras ocasiões. Exemplos do passado, como a cobertura de figuras políticas controversas, levantam questões sobre a consistência do jornal em abordar questões éticas e sociais relevantes. Além disso, em fevereiro de 2023, o Times recebeu cartas abertas de centenas de signatários, incluindo mais de 200 colaboradores, que condenavam a abordagem do jornal em relação à cobertura de assuntos trans.

Um relatório recente da GLAAD e do Media Matters for America revelou que, nos doze meses que se seguiram à carta aberta, o New York Times não conseguiu incluir ativistas ou especialistas trans em seus artigos sobre legislação anti-trans. Essa omissão é problemática, especialmente considerando que, entre 65 artigos focados nesse tema, 66% não continham citações de pessoas trans e 18% apresentaram desinformação proveniente de fontes conservadoras, sem o devido contexto. A falta de representação e de vozes autênticas em suas publicações indicam uma falha significativa na cobertura que deveria ser responsável por iluminar e informar o público sobre questões tão críticas.

O ex-editor também levantou o que considera uma política de comunicação recém-implementada pelo jornal, que, segundo ele, limitou as discussões internas sobre a cobertura de questões de gênero e direitos trans. Esta nova abordagem, que foi considerada excessiva e restritiva, levanta sérias preocupações sobre como a gestão do Times está lidando com vozes dissidentes dentro da redação, permitindo que narrativas tidas como prejudiciais prosperem sem um saudável debate interno.

A relação do New York Times com figuras controversas na mídia, como a autora J.K. Rowling, que se tornou um ícone tanto para defensores quanto críticos nas discussões de gênero, foi outro ponto de discórdia. O jornal, em resposta às críticas que recebeu, publicou textos que defendem as posições de Rowling, intensificando ainda mais a percepção de um viés anti-trans em sua cobertura. A situação revela um conflito entre informações precisas e a busca por cliques, refletindo uma tendência crescente entre os meios de comunicação mainstream que priorizam a atração do público sobre a responsabilidade editorial.

Além disso, a narrativa anti-trans é reforçada por declarações e relatórios provenientes de grupos conservadores, que frequentemente citam dados questionáveis e estudos com metodologias falhas para justificar a deslegitimação do tratamento de afirmação de gênero. O ex-editor do New York Times expressou preocupação de que, ao aceitar e propagar essas falsidades, o jornal esteja fornecendo um selo de legitimidade a alegações enganosas, o que pode ter consequências nefastas para a comunidade trans e para o discurso público como um todo.

A gestão do New York Times se vê, portanto, envolvida em um dilema delicado: equilibrar a luta por atenção em um mercado saturado de informações e a necessidade de manter padrões éticos e responsabilidade social. A pressão para publicar conteúdo que gere visualizações pode comprometer a credibilidade da publicação, levando a uma erosão da confiança do público em um momento em que a verdade e a precisão são mais importantes do que nunca.

À medida que a sociedade avança em direção à igualdade e à inclusão, especialmente no que tange aos direitos da comunidade trans, a necessidade de uma cobertura jornalística responsável se torna ainda mais urgente. A comunidade e seus defensores esperam que instituições respeitáveis como o New York Times reavaliem suas prioridades e assumam um compromisso firme com a verdade e a integridade, evitando se tornarem instrumentos de desinformação e preconceito. A luta pela representação justa e precisa de todas as vozes não é apenas uma questão ética, mas uma necessidade fundamental para o bem-estar de todos os cidadãos.

Fontes: Folha de São Paulo, GLAAD, Media Matters for America

Detalhes

New York Times

O New York Times é um dos jornais mais influentes do mundo, conhecido por sua cobertura abrangente de notícias nacionais e internacionais. Fundado em 1851, o jornal tem uma longa história de jornalismo investigativo e reportagens de alta qualidade. No entanto, também enfrentou críticas ao longo dos anos por sua cobertura de questões sociais e políticas, especialmente em relação a minorias e temas controversos. A publicação é frequentemente citada como uma fonte de referência, mas sua credibilidade tem sido questionada em várias ocasiões, especialmente em debates sobre liberdade de expressão e responsabilidade editorial.

Resumo

O New York Times enfrenta críticas intensas por sua cobertura de questões relacionadas à comunidade trans, especialmente após declarações de um ex-editor que sugerem uma inclinação anti-trans na publicação. Ele afirmou que a postura do jornal parece favorecer elementos da direita radical, alinhando-se com a base de apoio da campanha de Donald Trump. Apesar de sua reputação, o Times já foi criticado por falhas em sua cobertura de temas éticos e sociais. Um relatório da GLAAD e do Media Matters for America revelou que, em 65 artigos sobre legislação anti-trans, 66% não incluíram vozes trans, e 18% apresentaram desinformação. A gestão do jornal é acusada de limitar discussões internas sobre questões de gênero, permitindo que narrativas prejudiciais prosperem. Além disso, a relação do Times com figuras controversas, como J.K. Rowling, intensificou a percepção de viés anti-trans. O dilema do jornal é equilibrar a busca por cliques com a responsabilidade editorial, em um momento em que a precisão é crucial para a confiança do público.

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