Esquerda aplica táticas de desmoralização contra movimentos sociais

Táticas da esquerda contra movimentos como bolsonarismo e redpill revelam uma estratégia de deslegitimação em diversas fases, refletindo a polarização política atual.

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02/01/2026, 19:59

Autor: Laura Mendes

Uma pintura vívida mostrando a batalha entre diferentes movimentos sociais na internet, simbolizando o bolsonarismo, o redpill e o anarcocapitalismo. Ao fundo, uma multidão com bandeiras e cartazes, enquanto figuras emblemáticas representam a esquerda decidida a desmerecer essas ideias. Cores vibrantes e expressões intensas, criando um cenário de confronto cultural.

Nos últimos anos, a polarização política no Brasil tem gerado debates acalorados sobre a maneira como diferentes movimentos sociais são tratados pela esquerda. Três exemplos marcantes são o bolsonarismo, o movimento redpill e o anarcocapitalismo, que cresceram e se desenvolveram em um ambiente virtual nos últimos anos. Apesar de suas particularidades, esses movimentos compartilham um denominador comum: a forma como a esquerda os desqualifica e tenta minar sua credibilidade junto à opinião pública.

Os comentários recentes sobre essas estratégias de deslegitimação indicam que a esquerda não apenas critica, mas também adota um roteiro em quatro fases para lidar com esses movimentos. No primeiro estágio, quando os grupos ainda são pequenos e suas vozes não têm tanta força, a prioridade é minimizar suas ações e propostas, tratá-los como fenómenos insignificantes. O bolsonarismo, por exemplo, começou sua trajetória sob a sombra do impeachment de Dilma Rousseff em 2016, quando era comum que ele fosse ignorado ou desconsiderado.

Com o crescimento desses movimentos, a abordagem muda. No segundo estágio, a esquerda passa a ridicularizar os grupos que, apesar de não serem amplamente aceitos, conseguiram se consolidar e atrair seguidores. O bolsonarismo, que antes era tratado como uma curiosidade política, começou a ser alvo de críticas mais ferozes, à medida que seus apoiadores eram chamados de "gado" ou "minions". O mesmo ocorre com o movimento redpill, que é atacado com estigmas como fracassados ou virgens, destacando a tentativa da esquerda de provocar um sentimento de vergonha em relação ao apoio a essas ideologias.

O terceiro estágio é onde a deslegitimação se intensifica, com uma tentativa clara de demonizar os grupos em questão. As críticas se tornam mais severas e direcionadas a ações individuais de simpatizantes, buscando associar todo o movimento a posturas extremas ou comportamentos inaceitáveis. Com o bolsonarismo, isso é evidente quando incidentes violentos envolvendo apoiadores são amplamente divulgados e utilizados para reforçar uma imagem negativa do movimento. Na perspectiva do movimento redpill, as acusações de misoginia e violência contra mulheres têm sido um foco intenso.

Por fim, a última fase, uma crítica mais forte, culmina na tentativa de criminalizar os movimentos. No entanto, até o momento, essa fase não foi alcançada para nenhum dos três grupos, mas a intenção de desarticular suas bases e neutralizar suas mensagens é evidente. A habilidade da esquerda em recorrer a esses métodos não é uma questão de simples oposição, mas de uma estratégia política bem definida em um cenário de polarização exacerbada.

Parte da explicação para o crescimento e a resiliência desses movimentos é o ambiente de mídia e internet que os alimenta. O bolsonarismo, por exemplo, encontrou solidariedade e suporte em plataformas digitais após os anos de militância política. Já o anarcocapitalismo, que é uma ideologia mais voltada para a liberdade econômica, tem sido frequentemente associado a memes e críticas à intervenção estatal. O movimento redpill, por sua vez, alimenta-se da crise contemporânea das relações de gênero, onde muitos homens se sentem perdidos e procuram por respostas em um cenário de interações sociais tão complexas quanto voláteis.

O cenário social no Brasil é um campo propício para a exploração desses movimentos, e as jogadas políticas que visam a sua destruição têm utilizado a emoção e a polarização como ferramentas. A análise dessas fases nas táticas da esquerda não é apenas relevante para entender os movimentos em si, mas também para um exame mais amplo das disputas ideológicas no país. O tratamento que esses movimentos recebem reflete não só suas mensagens e valores, mas também o clima de hostilidade que permeia a política brasileira atualmente.

É compreensível que os movimentos em si não gozem de credibilidade universal, mas a maneira como são tratados revela muito sobre o estado atual da discussão política e social no Brasil. As tentativas de deslegitimá-los, miná-los e eventualmente criminalizá-los apenas evidenciam um ciclo contínuo de hostilidade política, levando a um crescimento do descontentamento entre diferentes grupos da população. Assim, a expectativa é que essa dinâmica persista e que novas camadas de debate se abram em torno desses temas, à medida que a sociedade busca por respostas em um tempo de incerteza e mudança.

Fontes: O Globo, Folha de São Paulo, Estadão

Resumo

Nos últimos anos, a polarização política no Brasil intensificou debates sobre como a esquerda trata movimentos sociais como o bolsonarismo, o movimento redpill e o anarcocapitalismo. Esses grupos, que emergiram em ambientes virtuais, enfrentam uma estratégia de deslegitimação em quatro fases pela esquerda. Inicialmente, são minimizados e ignorados; à medida que crescem, são ridicularizados e estigmatizados. A crítica se intensifica na terceira fase, onde tentativas de demonização ocorrem, associando os movimentos a comportamentos extremos. Por fim, a quarta fase busca criminalizar esses grupos, embora ainda não tenha sido alcançada. O crescimento desses movimentos é alimentado por um ambiente digital que oferece suporte e solidariedade, refletindo um clima de hostilidade na política brasileira. A análise dessas táticas revela a complexidade das disputas ideológicas no país e o descontentamento crescente entre diversos setores da população.

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