02/01/2026, 19:55
Autor: Laura Mendes

Nos últimos meses, houve um notável fenômeno nas redes sociais brasileiras: páginas de humor, que outrora eram o palco de memes divertidos e sátiras inocentes, estão gradualmente se transformando em plataformas de propaganda política, especialmente em um ano eleitoral. Essa mudança se reflete em uma série de comentários que circulam entre os internautas, onde muitos observam essa transição do humor para um ativismo político mais agressivo.
Um usuário destaca que “é shitpost, eles estão postando justamente porque essas imagens são sacanagem”, referindo-se ao novo conteúdo que tem tomado conta dessas páginas. O que antes era um espaço para memes mais leves, agora abriga um conteúdo que mistura humor com críticas e posicionamentos políticos, especialmente de direita, levantando questões sobre o impacto dessas dinâmicas nas opiniões públicas e no discurso político.
Historicamente, a mudança de foco das páginas de humor não é nova; alguns usuários fazem vínculos com práticas observadas em outras partes do mundo. Um comentário menciona que “essa tática começou no Facebook, por volta das revoluções coloridas”, sugerindo que as estratégias de marketing político não são apenas uma questão local, mas parte de um padrão mais amplo que vem sendo observado globalmente. O surgimento de perfis que utilizam humor para atrair seguidores e, em seguida, mudar para uma narrativa política é uma das preocupações que se intensificam à medida que as eleições se aproximam.
Além disso, outra contribuição destaca que “não só jovens, como o setor de TI” participam desse novo fenômeno, indicando que a adesão ao humor político não está restrita a um único grupo demográfico. Este aspecto levanta questões sobre a eficácia do humor como ferramenta de persuasão, especialmente entre aqueles que podem não ter uma formação política robusta. O que fica claro é que o humor está se tornando uma linguagem comum, apesar das diferenças de idade e profissão, unindo pessoas em um diálogo que muitas vezes é pautado não apenas pela diversão, mas pela ideologia.
Entretanto, críticos dessa transformação apontam que muitos dos novos conteúdos não contêm piadas genuínas, sendo meros discursos de ativismo político disfarçados de humor. Um usuário questiona se “estou ficando muito velho pra entender o humor da internet”, ressaltando um sentimento de estranhamento que muitas pessoas estão sentindo à medida que a linha entre a sátira e a seriedade política se torna cada vez mais tênue. Essa percepção pode levar ao afastamento de usuários que tradicionalmente apreciavam o conteúdo leve e divertido, mas agora se sentem inundados por mensagens que evocam posicionamentos políticos polarizadores.
Por outro lado, há uma análise sobre como essa estratégia de esconder propaganda sob o manto do humor pode enganar o público, especialmente os mais jovens. Um comentário observa que “direita e extrema-direita amam fazer memes” e isso, de fato, se mostrou “efetivo demais em jovens que querem ser edgy”, revelando como o humor se transforma em uma arma poderosa na manipulação das percepções políticas.
Ademais, a proximidade das eleições traz um senso de urgência e desespero, onde informações e memes rapidamente se tornam armas de ataque e defesa entre diferentes grupos políticos. Um participante do debate sugere que “pode ser as duas coisas”, citando a demonstração de apoio por meio do humor, o que revela uma nova camada de complexidade no uso das redes sociais como palco de disputas ideológicas.
Essas mudanças nas páginas de humor não apenas refletem a evolução da comunicação entre os jovens, mas também levantam questões importantes sobre desinformação e liberdade de expressão. O questionamento sobre até onde a liberdade de publicar conteúdo humorístico deve ir sem cruzar a linha da responsabilidade social se mostra relevante. As plataformas sociais têm o desafio de equilibrar a criação de espaços para a livre expressão, enquanto combatem a disseminação de desinformação que pode influenciar a decisão de voto dos cidadãos.
Em suma, o que está acontecendo com essas páginas de humor, que antes eram vistas como meros entretenimentos, é um microcosmos das lutas políticas mais amplas dentro da sociedade brasileira. As nuances sobre o que é humor e o que se tornou propaganda política suscitam debates cruciais sobre a maneira como a informação é consumida e interpretada na era digital, trazendo à tona as implicações desta transformação que provavelmente continuarão a reverberar durante e após as próximas eleições.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, UOL, Terra, Gazeta do Povo
Resumo
Nos últimos meses, páginas de humor nas redes sociais brasileiras têm se transformado em plataformas de propaganda política, especialmente em um ano eleitoral. Essa mudança é observada por internautas que notam a transição do humor leve para um ativismo político mais agressivo, com conteúdos que misturam sátira e críticas, predominantemente de direita. A transformação não é nova e se relaciona a práticas observadas globalmente, onde perfis utilizam humor para atrair seguidores antes de adotar narrativas políticas. Críticos apontam que muitos conteúdos não são genuinamente engraçados, mas sim discursos políticos disfarçados, o que pode afastar usuários que preferem o humor leve. A proximidade das eleições intensifica essa dinâmica, onde memes e informações se tornam armas em disputas ideológicas. Essas mudanças levantam questões sobre desinformação e liberdade de expressão, desafiando as plataformas sociais a equilibrar a livre expressão com a responsabilidade social. O que ocorre nessas páginas de humor reflete lutas políticas mais amplas na sociedade brasileira, questionando a natureza do humor e sua relação com a propaganda política.
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