27/02/2026, 13:38
Autor: Laura Mendes

Uma polêmica se instaurou em uma escola cívico-militar no Brasil, onde estudantes foram obrigados a ajoelhar-se como forma de punição por uso “inadequado” de suas vestimentas, um ato que suscitou questionamentos sobre os métodos disciplinares aplicados nessas instituições. A cena, presenciada por pais e alguns curiosos, gerou reações diversas, refletindo as tensões existentes sobre a militarização do ensino e a forma como disciplina e obediência são ensinadas aos jovens.
O episódio ocorreu recentemente, quando alunos estavam usando casacos que não estavam em conformidade com as regras estabelecidas pela escola. O ato de ajoelhar-se, considerado por muitos uma forma extrema de disciplina, levantou questões não apenas sobre a eficácia desses métodos, mas também sobre os limites que devem existir na educação de crianças e adolescentes. A escola cívico-militar, que visa promover valores de responsabilidade e obediência, parece, segundo alguns críticos, ter ultrapassado esses limites.
A obrigatoriedade do ajoelhamento chamou a atenção de pais e especialistas em educação. Muitos argumentam que o método pode ser contraproducente, transformando o que deveria ser uma educação para a cidadania em um ambiente opressivo e humilhante. Há preocupações sobre o impacto emocional e psicológico que essa prática pode ter sobre os estudantes, levando a um contexto de bullying institucionalizado. A crítica não se restringe apenas ao ato em si, mas ao que isso representa em termos de uma cultura de punição que prevalece em algumas escolas militarizadas.
Citando experiências pessoais, alguns comentaristas relembraram suas vivências escolares, ressaltando que punições disciplinares como essas não eram comuns – ou se assemelhavam a métodos de inclusão onde a responsabilidade era tratada de forma educativa e não punitiva. Outros apontaram que o discurso da disciplina se confunde com conceitos de humilhação e agressão, alertando para o fato de que ensinar obediência a um adolescente em um contexto hostil pode gerar reações adversas.
Entre as reflexões mais acaloradas, alguns ressaltaram que a natureza militar das escolas cívico-militares, que visa preparar os alunos para futuras carreiras nas Forças Armadas, pode ser inadequada para crianças que não escolheram estar naquelas instituições. Essa escolha, conforme afirmam os críticos, deveria ser uma opção feita por jovens conscientes e em idade de decidir por si mesmos, e não decidida pelos pais em fórmula de uma tradição familiar ou social.
A militarização nas escolas tem sido um tema divisivo no Brasil. Para alguns, esse modelo educacional pode trazer benefícios em termos de disciplina e ordem, enquanto para outros, a abordagem pode ser vista como uma forma de opressão e controle social, levando à formatação de indivíduos obedientes, mas sem a capacidade crítica necessária para questionar e participar ativamente da sociedade.
Além disso, a opinião pública sobre a presença de militares em funções pedagógicas e as consequências disso na formação dos jovens também é um tópico relevante. Em um contexto onde a disciplina é priorizada, as vozes dos jovens e suas necessidades emocionais são frequentemente deixadas de lado, criando um ambiente tenso e desconfortável.
O debate se intensifica quando se considera que alternativas podem existir em meio ao rigor e à disciplina. Modelos de ensino que priorizam a responsabilidade e o caráter formativo da educação, em vez da obediência cega, poderiam ser mais benéficos para o desenvolvimento integral dos alunos. Contudo, mudar a filosofia educacional de instituições estabelecidas pode representar desafios significativos em termos de resistência por parte de aqueles que defendem o sistema atual.
A militarização das escolas no Brasil se revela como um fenômeno complexo, permeado por valores de disciplina, obediência e controle. Apesar das discussões acaloradas, um fato permanece claro: a educação deve promover um ambiente saudável, onde os jovens não são apenas preparados para obedecer, mas também para pensar criticamente e crescer como cidadãos conscientes e responsáveis.
Em suma, as práticas de obediência excessiva e disciplina severa podem não apenas afetar o bem-estar psicológico dos alunos, mas também provocar um impacto a longo prazo em sua capacidade de se tornarem cidadãos críticos e ativos em uma sociedade que necessita de indivíduos capazes de questionar e agir. A educação deve permanecer um espaço de crescimento e aprendizado, e não um campo de batalha onde a punição e a humilhação prevalecem sobre a empatia e a compreensão.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, G1
Resumo
Uma escola cívico-militar no Brasil gerou polêmica ao obrigar alunos a se ajoelharem como punição por uso inadequado de vestimentas, levantando questões sobre os métodos disciplinares dessas instituições. O episódio, que foi presenciado por pais e curiosos, acendeu debates sobre a militarização do ensino e os limites da disciplina na educação de crianças e adolescentes. Críticos argumentam que essa forma extrema de disciplina pode ser contraproducente, transformando a educação em um ambiente opressivo e humilhante, com impactos emocionais negativos nos estudantes. O ato de ajoelhar-se foi comparado a experiências de bullying institucionalizado, e muitos ressaltaram que a responsabilidade deve ser tratada de forma educativa, não punitiva. A natureza militar das escolas cívico-militares, que visa preparar alunos para carreiras nas Forças Armadas, é vista como inadequada para crianças que não escolheram essa trajetória. O debate sobre a militarização nas escolas é divisivo, com opiniões divergentes sobre seus benefícios e riscos, destacando a necessidade de um ambiente educacional que promova o pensamento crítico e o desenvolvimento integral dos alunos.
Notícias relacionadas





