20/02/2026, 11:08
Autor: Laura Mendes

Um levantamento recente revelou que alunos de cursos de medicina em universidades privadas tiveram desempenho inferior a 94% das questões do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enamed) em comparação com estudantes das instituições públicas. Os dados têm gerado um intenso debate sobre a qualidade do ensino nas universidades particulares e a eficácia das políticas públicas voltadas para a educação superior no Brasil.
O Enamed é uma avaliação que mede a formação dos estudantes de medicina e oferece um panorama sobre a qualidade do ensino neste campo crucial da saúde. De acordo com as informações seccionadas, a maioria dos alunos que frequentam instituições privadas conseguiram apenas 6% de acertos em relação aos alunos das universidades públicas. Isso levanta questões pertinentes sobre o sistema educacional e seu impacto na formação de profissionais que estarão responsável pela saúde da população.
Os comentários relacionados a esse tópico refletem opiniões contundentes de diversos indivíduos com vivências e experiências no sistema educacional brasileiro. Muitos comentadores destacam o fato de que as universidades públicas têm processos seletivos mais rigorosos, o que, segundo eles, implica em uma maior qualidade dos estudantes que nelas ingressam. Um dos comentaristas afirma que o "filtro é absurdo", evidenciando que apenas aqueles com desempenho excepcional têm acesso a essas instituições.
No entanto, a pesquisa n^o só destaca o desempenho acadêmico, mas também aponta uma correlação significativa entre variáveis socioeconômicas e resultados de estudantes, evidenciando que fatores como a renda familiar e a escolaridade dos pais impactam de forma expressiva no desempenho acadêmico. Enquanto mais de 35% dos alunos de cursos de medicina privados têm renda familiar superior a seis salários mínimos mensais, apenas 19% dos alunos de instituições públicas estão nessa mesma faixa de renda. Outro dado relevante é que 36% dos estudantes dos cursos privados são filhos de mães com ensino superior. Esse indicador é levemente maior em comparação ao percentual de 31% nas universidades públicas.
Essa discrepância torna-se ainda mais significativa à luz das palavras de um comentarista, que menciona que "faculdade privada não reprova os alunos que não têm condições de concluir o curso". Frases como essa levantam um ponto crucial: será que a falta de pressão e a cultura de "pagar para passar" nas instituições privadas estão contribuindo para o fraco desempenho acadêmico observado no Enamed? A análise desse fenômeno é fundamental para qualquer planejamento de políticas educacionais que visem à melhoria do ensino superior no Brasil.
Os debates em torno da qualidade da educação nas universidades também são intensificados por relatos de experiências pessoais. Um comentarista salienta que, em face de professores que podem não estar devidamente preparados, é o aluno da universidade pública quem se compromete a buscar conhecimento por conta própria. Ao passo que, em situações semelhantes, o aluno de uma instituição privada tende a buscar suporte administrativo em vez de tomar a iniciativa de estudar mais, reflexo de um compromisso com a educação que pode ser percebido como menos rigoroso em comparação.
Esses julgamentos e a pressão que recai sobre os estudantes de medicina em universidades públicas são elementos que podem não ser vistos nas instituições privadas. Os estudantes em universidades públicas frequentemente têm acesso a melhores recursos educacionais, e seus currículos são frequentemente considerados mais completos e rigorosos. Isso se reflete na produtividade e na qualidade do atendimento médico que os graduados dessas universidades são capazes de oferecer à população.
Adicionalmente, a preocupação com a formação dos médicos gerada por esses dados é alarmante, uma vez que essas informações estão ligadas à saúde pública. Profissionais mal preparados podem representar riscos diretos à segurança e à saúde da população, especialmente em um sistema de saúde já sobrecarregado e carente de recursos.
Em face desses dados, as universidades privadas enfrentam um desafio duplo: melhorar seus programas de ensino e realinhar suas práticas de admissão e acompanhamento alunos, a fim de não apenas garantir a formação de médicos competentes, mas também restaurar a confiança das pessoas na qualidade dos profissionais que estarão cuidando de seu bem-estar. Essa situação também demanda uma revisão de como o sistema educativo brasileiro é estruturado, com uma análise crítica das políticas que subsidiam o ensino superior.
Num momento em que a educação e a saúde estão interligadas de forma tão crucial, o estudo do desempenho no Enamed não é apenas uma questão de números, mas sim um indicativo da eficácia da formação de nossos médicos e da saúde pública do país. Esses dados navegarão na alma de decisões que poderão mudar o panorama educativo e de saúde nos próximos anos.
Fontes: Folha de São Paulo, Ministério da Educação, IBGE
Resumo
Um levantamento recente revelou que alunos de medicina em universidades privadas tiveram desempenho inferior a 94% das questões do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enamed) em comparação com estudantes de instituições públicas. Essa diferença levanta questões sobre a qualidade do ensino nas universidades particulares e a eficácia das políticas educacionais no Brasil. O Enamed mede a formação dos estudantes de medicina, e os dados mostram que a maioria dos alunos de instituições privadas acertou apenas 6% das questões em relação aos alunos das universidades públicas. Além disso, fatores socioeconômicos, como renda familiar e escolaridade dos pais, impactam o desempenho acadêmico. O debate também inclui a crítica à cultura de "pagar para passar" nas universidades privadas, que pode contribuir para o fraco desempenho. Os estudantes de universidades públicas, frequentemente, têm acesso a melhores recursos e currículos mais rigorosos, o que se reflete na qualidade do atendimento médico. A situação demanda uma revisão das práticas de ensino e admissão nas universidades privadas, além de uma análise crítica das políticas de ensino superior no Brasil.
Notícias relacionadas





