Vivo enfrenta críticas por bônus na velocidade da internet não contratada

Vivo tem enfrentado reclamações por permitir redução das velocidades de internet contratadas, mantendo um bônus que pode ser cortado devido a pagamentos em atraso, gerando confusão entre os consumidores.

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14/01/2026, 14:28

Autor: Laura Mendes

Uma imagem mostrando um consumidor frustrado usando um laptop com uma tela de erro de conexão, cercado por faturas e papéis, com um fundo que mostra um escritório desorganizado. A cena retrata a confusão e a insatisfação em relação aos serviços de internet e contratos de telecomunicações.

A Vivo, uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, está no centro de uma polêmica recente sobre a forma como oferece e comercializa suas velocidades de internet. Desde o último dia 20 de março de 2023, a empresa implementou uma política que, em meio a elogios por ampla cobertura de rede, tem suscitado uma série de críticas e questionamentos acerca da transparência dos seus contratos e das práticas relacionadas ao serviço oferecido.

De acordo com informações compartilhadas por clientes e detalhadas em um comunicado oficial da empresa, a Vivo agora oferece um sistema de bônus em sua internet fixa que aumenta a velocidade do plano contratado, condicionado ao pagamento em dia. No entanto, se um cliente se atrasar, essa velocidade “bônus” é removida, deixando o usuário com uma velocidade significativamente inferior e, em muitos casos, muito abaixo do que foi originalmente anunciado. Um exemplo gritante é um plano de 1 Gbps que poderia ser reduzido para menos de 0,2 Mbps em caso de inadimplência, levando a um questionamento sobre a legalidade dessa prática.

Os especialistas em direito do consumidor, assim como comentários de usuários insatisfeitos, levantam a alarmante possibilidade de que essa prática atente contra os direitos dos consumidores, preconizados no Código de Defesa do Consumidor (CDC). As afirmações incluem que tal prática seria caracterizada como “propaganda enganosa”, pois a velocidade contratada não corresponderia àquela realmente entregue. O caso foi amplamente discutido em redes sociais, onde usuários expressaram tanto indignação quanto confusão.

Um usuário comentou sobre sua experiência, afirmando ter recebido um e-mail inesperado da Vivo após contratar o serviço em novembro, sem estar ciente das condições que possibilitam esse ajuste de velocidade. Este fato gerou discussões sobre a comunicação da empresa e se a ANATEL, órgão regulador do setor, de fato tomou as medidas necessárias para proibir essa redução sem a devida notificação antecipada. Além disso, muitos se perguntam se outras operadoras do setor seguem práticas semelhantes ou se a Vivo estaria sozinha nessa abordagem.

Em resposta às críticas, a Vivo divulgou que as alterações aplicadas seguem as diretrizes regulamentares e que a mudança nos serviços foi feita para proteger os clientes que mantêm suas contas em dia, promovendo uma forma de incentivo à adimplência. Apesar disso, especialistas alertam que o discurso da empresa pode não convencer muitos dos que se sentem enganados ou explorados.

A ANATEL, que estabeleceu regras mais rígidas para as operadoras nos últimos anos, proferiu sua posição, confirmando que a velocidade da internet não pode ser reduzida sem aviso prévio. Isso trouxe um novo foco para a demanda de consumidores por maior clareza nas práticas comerciais das empresas de telecomunicações. O Procon também se envolveu, recomendando que consumidores insatisfeitos informem sobre a prática a fim de que questões legais sejam consideradas.

A insatisfação em relação a esta promoção de "bônus" é evidente entre os consumidores, com muitos deixando claro o seu desespero ao perceberem que a velocidade da internet não corresponde àquela que pagam. Além disso, alguns estão considerando entrar com ações judiciais contra a empresa por entender que tal prática fere os princípios da boa-fé e da transparência nas relações de consumo. O fato de a velocidade real da internet de diversos planos ser inferior a 1% do que é anunciado levou certos usuários a questionarem se poderiam, da mesma forma, começar a oferecer serviços com velocidades absurdamente baixas sob o pretexto de um “bônus” que nunca seria utilizado.

Este dilema traz à luz um desafio maior enfrentado pelos consumidores na atualidade em um mercado onde a concorrência cresce, mas onde as práticas inadequadas podem resultar em desconfiança massiva nas operadoras. Frente ao cenário atual, a expectativa é que mais clientes busquem seus direitos e que se tornem mais informados sobre suas opções antes de assinar contratos. O descontentamento crescente é um alerta para as empresas de telecomunicações e para os órgãos reguladores sobre a necessidade de uma supervisão mais rígida e da implementação de normas que garantam a justiça e a clareza no atendimento ao consumidor.

Fontes: Folha de São Paulo, O Globo, ANATEL, Procon, Código de Defesa do Consumidor

Detalhes

Vivo

A Vivo é uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, oferecendo serviços de telefonia fixa, móvel e internet. A empresa é conhecida por sua ampla cobertura de rede e por ser uma das principais fornecedoras de serviços de telecomunicações no país, com um grande número de clientes e uma variedade de planos e pacotes. A Vivo é uma subsidiária do Grupo Telefónica, que atua em diversos países da América Latina e Europa.

Resumo

A Vivo, uma das principais operadoras de telecomunicações do Brasil, está enfrentando críticas por sua nova política de internet fixa, que condiciona um aumento de velocidade ao pagamento em dia. Se um cliente atrasar o pagamento, a velocidade "bônus" é removida, resultando em velocidades muito inferiores às anunciadas, como um plano de 1 Gbps que pode cair para menos de 0,2 Mbps. Especialistas em direito do consumidor alertam que essa prática pode ser considerada propaganda enganosa, violando o Código de Defesa do Consumidor. A situação gerou discussões nas redes sociais e questionamentos sobre a comunicação da empresa e a atuação da ANATEL, que proíbe a redução de velocidade sem aviso prévio. Em resposta, a Vivo afirmou que as mudanças visam incentivar a adimplência, mas muitos consumidores se sentem enganados. O Procon também recomendou que clientes insatisfeitos relatem a prática, e há um crescente descontentamento que pode levar a ações judiciais, destacando a necessidade de maior transparência e supervisão no setor.

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