Venezuela experimenta desigualdade extrema enquanto riqueza era concentrada

A desigualdade na Venezuela dos anos 70, onde a riqueza gerada pelo petróleo beneficiava apenas uma minoria, revela dilemas econômicos e sociais persistentes.

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06/01/2026, 18:43

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma representação vibrante da disparidade econômica na Venezuela dos anos 70, mostrando a elite desfrutando de luxos extravagantes enquanto a população lida com dificuldades. Em destaque, imagens contrastantes de festas opulentas e cenas cotidianas de pobreza e luta. Ao fundo, ícones do petróleo e gráficos de crescimento econômico para ilustrar a riqueza do país.

A Venezuela, reconhecida por sua vasta riqueza em petróleo, viveu um período de considerável prosperidade econômica na década de 1970, superando até mesmo nações como a Itália em termos de Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Entretanto, essa riqueza não se traduziu em uma melhora real nas condições de vida da população em geral, uma vez que os benefícios desse crescimento econômico foram distribuídos de maneira extremamente desigual, favorecendo apenas uma elite privilegiada. Esta realidade levantou questionamentos sobre os efeitos duradouros do modelo econômico do país e suas implicações sociais e políticas.

Durante as décadas passadas, a Venezuela foi vista como um exemplo de crescimento através da exploração de suas vastas reservas de petróleo. No entanto, essa riqueza era frequentemente monopolizada por uma elite que vivia em ostentação, enquanto a maior parte da população enfrentava dificuldades financeiras. Essa disparidade social levou ao surgimento de movimentos populares e à eleição de líderes como Hugo Chávez, que prometiam mudanças estruturais e políticas sociais, ainda que o país continuasse preso ao mesmo modelo econômico dependente da commodity. O chavismo, que emergiu sob a premissa de distribuir a riqueza da nação, até certo ponto, parece ter perpetuado o ciclo de desigualdade.

Os críticos do chavismo argumentam que, embora tenha havido algumas melhorias temporárias nas condições de vida da população durante os anos de bonança do petróleo, essas políticas não conseguiram diversificar a economia venezuelana. Com a queda dos preços do petróleo entre 2014 e 2016 e a imposição de sanções internacionais, a Venezuela entrou em uma crise econômica sem precedentes. As liberdades individuais diminuíram, enquanto a pobreza e a migração em massa aumentaram, levando milhões de venezuelanos a buscar melhores oportunidades fora do país.

Essa situação não é única à Venezuela. Muitos países da América do Sul passaram por fases semelhantes, onde um número reduzido de pessoas acumulava riqueza e poder, enquanto a maioria permanecia em condições de vida precárias. Histórias de prosperidade econômica se tornaram narrativas de desigualdade, com dados alarmantes sobre como a riqueza está concentrada nas mãos de poucos. A comparação entre a época de ouro da economia venezuelana e a realidade atual levanta questionamentos sobre a efetividade dos modelos de governança e o papel da elite na perpetuação da desigualdade.

As discussões sobre a estrutura econômica da Venezuela frequentemente incluem um exame crítico da elite do agro, que, segundo alguns comentaristas, se beneficia enormemente de políticas que favorecem exportações em detrimento do desenvolvimento local e das condições de trabalho. As queixas sobre salários baixos nas áreas rurais, associado ao uso de incentivos fiscais, revelam uma continuidade de práticas que foram estéreo para a classe trabalhadora. Tal dinâmica levanta uma inquietante pergunta: qual é o custo real do crescimento econômico quando apenas uma fração da população colhe os benefícios?

Além disso, a luta por uma maior equidade agora é acompanhada por um clamor por diversificação econômica, a fim de evitar que o país se veja à mercê das flutuações do mercado de petróleo. Experiências de outras nações mostram que a dependência de um único recurso pode ser uma armadilha perigosa, deixando países vulneráveis a crises econômicas e instabilidades políticas.

Finalmente, a história da Venezuela serve como um alerta para outros países que, assim como a nação sul-americana, podem acabar caindo na armadilha de concentrar a riqueza em pequenas frações da sociedade. O desafio reside em desenvolver um modelo que possa sustentar crescimento inclusivo, que beneficie a esmagadora maioria da população e não apenas uma elite. Sem essa reorientação, as lições do passado podem não só se repetir, mas se agravar com o tempo.

Fontes: BBC Brasil, El País, Folha de São Paulo

Resumo

A Venezuela, rica em petróleo, teve um período de prosperidade econômica na década de 1970, superando países como a Itália em PIB per capita. Contudo, essa riqueza não melhorou as condições de vida da população, beneficiando apenas uma elite privilegiada. O crescimento econômico resultou em desigualdade social, levando ao surgimento de movimentos populares e à eleição de líderes como Hugo Chávez, que prometiam mudanças, mas mantiveram a dependência do petróleo. Críticos apontam que, apesar de algumas melhorias temporárias, as políticas chavistas falharam em diversificar a economia. Com a queda dos preços do petróleo e sanções internacionais, a Venezuela enfrenta uma crise econômica sem precedentes, com aumento da pobreza e migração em massa. A situação reflete um padrão comum na América do Sul, onde a riqueza é concentrada nas mãos de poucos. A luta por equidade e diversificação econômica é crucial para evitar crises futuras, e a história da Venezuela serve como um alerta para outros países sobre os riscos da desigualdade e da dependência de um único recurso.

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