Petrobras revela que distribuidoras e revendedores controlam 50% do preço do gás GLP

Recentes dados da Petrobras revelam que distribuidoras e revendedores estão responsáveis por mais de 50% do preço final do gás GLP, suscitando debate sobre a privatização e a formação de cartel no setor.

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06/01/2026, 18:32

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem de uma refinaria de petróleo da Petrobras sob um céu azul, com tanques e tubulações em destaque, enquanto consumidores olham para os preços nas bombas de gás em uma estação de gás próxima, expressando preocupação.

Em uma análise recente da composição do preço do gás GLP (gás liquefeito de petróleo) pela Petrobras, foi confirmado que as distribuidoras e os revendedores dominam mais de 50% do valor final pago pelos consumidores. Este dado, que provoca instigantes discussões sobre a estrutura de preços e a influência da privatização sobre o mercado, levanta questões sobre a competitividade das empresas no setor, especialmente após a venda da Liquigás, uma distribuidora que era propriedade da Petrobras e que foi privatizada em 2020.

Os números reveladores indicam que a estrutura do preço do gás GLP é apresentada de maneira a ressaltar que não há a incidência de imposto federal, mas a apresentação dessa informação em formato de gráfico gerou críticas. A justaposição entre os valores parece distorcida, uma vez que categorias que representam percentuais baixos se sobrepõem graficamente a outras que têm uma participação significativamente maior, o que confunde os consumidores sobre a real composição e a dinâmica de preços.

Essa realidade é exacerbada pelo histórico de privatização que permeia o setor. A venda da Liquigás para um consórcio de empresas, formado por grandes participantes do mercado, levanta dúvidas sobre a verdadeira intenção por trás do movimento. A proposta inicial de gerar maior concorrência difíceis que, ao contrário das promessas, acabou resultando em um controle ainda mais concentrado por parte de grandes corporações que anteriormente competiam.

Em contrapartida, alguns leitores observaram que a estrutura atual pode não ser tão prejudicial quanto parece. Se os 50% do preço são divididos entre duas partes – distribuidora e revenda – isso implica em uma divisão de custos que poderia ser vista como um fenômeno natural dentro do comércio. Comenta-se que, na prática, continuam a existir opções com margens de lucro bem maiores, como observado em mercearias que aplicam acréscimos significativos sobre os preços dos produtos. Essa comparação mostra como as práticas de mercado podem variar bastante entre diferentes segmentos de negócios.

No entanto, a questão se torna mais complexa quando se considera a possibilidade de que a privatização de relevantes empresas públicas, como a Liquigás, cria um ambiente onde a formação de cartel é a norma. Essa possibilidade não é mera especulação; a investigação recente pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre possíveis práticas de cartel no setor, que envolvem algumas das mesmas empresas que compraram a Liquigás, reforça a necessidade de um olhar crítico para os desdobramentos da privatização. A liquidez e a concorrência prometidas não se concretizaram como se esperava, e muitos consumidores estão agora questionando o verdadeiro custo dessa mudança estrutural.

A luta pelo controle de preços do gás GLP é uma amostra da complexidade que envolve os processos de privatização e a relação entre oferta e demanda. Para muitos, as experiências passadas demonstram que a privatização não é a panaceia que foi prometida; ao contrário, a vitalidade de serviços essenciais como gás, energia e saneamento pode ser ameaçada por interesses corporativos em primeiro lugar. Essa crítica não é apenas uma reflexão sobre os preços, mas um chamado à ação para a sociedade entender que a privatização desses setores pode levar a um aumento dos custos para o consumidor, diminuindo a qualidade dos serviços prestados e, no caso do gás, colocando em risco a segurança e a acessibilidade deste recurso fundamental.

Portanto, o debate se intensifica à medida que os cidadãos buscam entender se é possível reverter políticas tão arraigadas e se há esperança de recuperar empresas cruciais para a economia e bem-estar da população dentro de um esquema estatal que tenha como foco o bem coletivo, e não apenas o lucro privado. A valorização da Petrobras e a estrutura de preços ainda suscitam afinadas discussões, que vão além do simples relato de preços; trata-se de identificar onde a responsabilidade deve recair e como a sociedade pode moldar sua infraestrutura futura de energia de maneira mais sustentável e justa.

Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, Valor Econômico

Resumo

Uma análise da composição do preço do gás GLP pela Petrobras revelou que distribuidoras e revendedores controlam mais de 50% do valor final pago pelos consumidores. Esse dado gera debates sobre a estrutura de preços e a influência da privatização no mercado, especialmente após a venda da Liquigás em 2020. A apresentação gráfica dos preços, que não inclui imposto federal, tem sido criticada por confundir os consumidores. Embora alguns argumentem que a divisão dos custos entre distribuidor e revendedor seja natural, a privatização levanta preocupações sobre a formação de cartéis, especialmente com a investigação do CADE sobre práticas anticompetitivas. A situação atual sugere que a privatização não trouxe a concorrência esperada, e muitos consumidores questionam os reais custos dessa mudança. O debate sobre o controle de preços do gás GLP exemplifica a complexidade da privatização, destacando a necessidade de uma reflexão crítica sobre os impactos na qualidade dos serviços e na acessibilidade dos recursos essenciais.

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