12/01/2026, 15:37
Autor: Laura Mendes

Uma jornada de paz e espiritualidade está atraindo a atenção nacional nos Estados Unidos, à medida que um grupo de monges budistas, acompanhado por um cachorro cativante, percorre o país em direção a Washington D.C. A caminhada, que começou em 26 de outubro de 2025 em um templo budista no Texas, visa sensibilizar a população e os legisladores sobre a importância da paz e da espiritualidade, culminando em um pedido ao Congresso para reconhecer o dia de nascimento e iluminação de Buda como um feriado federal. O evento tem atraído a curiosidade e o apoio dos americanos, mas também gerou reações adversas e críticas.
Os monges, que seguem a tradição do budismo Theravada, asseguram que a viagem não é apenas física, mas também espiritual. Em seu percurso de mais de 2.500 quilômetros, eles promovem discursos sobre compaixão, meditação e a importância da paz em um mundo que frequentemente parece estar em tumulto. Infelizmente, não sem desafios, a jornada ficou marcada por um incidente trágico: em 19 de novembro, enquanto caminhavam pela Highway 90 em Dayton, Texas, dois dos monges foram feridos em um acidente de trânsito, resultando na amputação da perna de um deles. Este evento levantou preocupações sobre a segurança e o acolhimento de manifestações pacíficas na sociedade americana.
Apesar de recentes incidentes preocupantes, o grupo se mantém resiliente, afirmando que sua missão é fundamental em tempos de divisões sociais. O apelo para que o dia de nascimento de Buda seja reconhecido federalmente se alinha com movimentos de libertação espiritual que têm crescido na cultura pop ocidental. A última onda de interesse pelo budismo e práticas de meditação reflete uma busca por significado e paz em meio a uma sociedade muitas vezes dominada pelo consumismo e superficialidade.
Algumas pessoas têm expressado seu apoio entusiástico à jornada dos monges, vendo-os como representantes de um movimento maior pela justiça e pela paz, enquanto outras mantêm opiniões mais céticas. Alguns críticos descrevem o interesse pelo budismo como uma moda passageira ou o uso superficial de princípios espirituais. Há também a inquietação de que a cultura ocidental transforma práticas espirituais profundas em algo que pode ser consumido de forma descartável, como se a meditação e a espiritualidade fossem modismos.
No entanto, a jornada dos monges é mais do que uma busca por popularidade ou transformação superficial. Eles desejam abrir um diálogo sobre a importância de valores fundamentais, como compaixão, respeito e solidariedade. O caminho que os monges e seu fiel cachorro estão trilhando simboliza um chamado à ação em um momento em que muitos se sentem sobrecarregados por tensões sociais e políticas.
Além disso, a situação dos monges também levanta questões sobre a segurança de manifestações pacíficas nos Estados Unidos. O contínuo vandalismo e ataques a movimentações pacíficas trouxeram à tona a necessidade de uma maior proteção para aqueles que, como os monges, apenas desejam promover um ambiente pacífico. Incidentes de hostilidade demonstram que, mesmo com intenções pacíficas, aqueles que promovem a luz podem ser alvos de descontentamento e violência.
A caminhada para Washington D.C. não só simboliza a união das vozes e do acolhimento da diversidade, mas também reflete uma pressão crescente para que o governo federal reconheça a relevância cultural e histórica do budismo nos Estados Unidos. Historicamente, diversas culturas e tradições têm buscado reconhecimento após anos de marginalização. Essa jornada de monges budistas pode, assim, se tornar um marco não apenas para o reconhecimento de um feriado, mas também para um diálogo mais amplo sobre a inclusão e a valorização da diversidade religiosa na sociedade americana.
À medida que os monges avançam em sua jornada, as conversas que surgem a partir desse movimento ecoam por todas as partes da América. A luta pela paz, a conscientização sobre a espiritualidade e a celebração da diversidade cultural são temas que vão além do mero reconhecimento de um feriado. São uma celebração da humanidade e dos valores que nos conectam a todos.
Assim, enquanto os monges se dirigem a Washington D.C., não se sabe como terminará essa jornada. O que está claro é que eles já deixaram um impacto significativo na maneira como os americanas percebem o budismo e a busca por uma paz duradoura em meio à adversidade. Ao final de sua caminhada, a esperança é que o reconhecimento por parte do governo federal não apenas marque um dia no calendário, mas também uma mudança de paradigma na forma como a cultura ocidental abraça e respeita a espiritualidade e as tradições que não são suas, mas que enriquecem a tapeçaria diversificada da sociedade.
Fontes: The New York Times, BBC, National Geographic
Resumo
Uma jornada de paz e espiritualidade está chamando a atenção nos Estados Unidos, com um grupo de monges budistas e um cachorro viajando em direção a Washington D.C. Desde 26 de outubro de 2025, eles percorrem mais de 2.500 quilômetros, promovendo a importância da paz e pedindo ao Congresso o reconhecimento do dia de nascimento e iluminação de Buda como feriado federal. Apesar do apoio popular, a caminhada enfrenta críticas e desafios, incluindo um acidente em que dois monges se feriram, levantando preocupações sobre a segurança de manifestações pacíficas. A missão dos monges é mais do que uma busca por popularidade; eles desejam abrir um diálogo sobre compaixão e solidariedade em tempos de divisões sociais. A jornada também destaca a necessidade de reconhecimento cultural e histórico do budismo nos EUA, refletindo uma busca por inclusão e valorização da diversidade religiosa. À medida que avançam, os monges impactam a percepção americana sobre o budismo e a busca por paz em meio à adversidade.
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