09/01/2026, 23:37
Autor: Felipe Rocha

O Irã enfrenta uma onda de protestos de grandes proporções que resultaram em mais de 200 mortes, segundo relatos de um médico anônimo em Teerã. A violência que eclodiu nas ruas da capital persa desde a quinta-feira passada foi marcada por uma resposta brutal das forças de segurança, que abriram fogo contra manifestantes desarmados. Essa situação trágica está ocorrendo em meio a uma crescente repressão do regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, que busca silenciar quaisquer vozes dissidentes em um momento de fragilidade política.
Relatos iniciais indicam que apenas seis hospitais em Teerã contabilizaram, até o momento, 217 mortes de manifestantes, a maioria vítima de munição real. O médico que forneceu essa informação, sob a condição de anonimato, afirmou que muitos dos mortos eram jovens, muitos dos quais foram assassinados enquanto se reuniam em protesto nas proximidades de uma delegacia de polícia. Em uma representação do clamor por liberdade, manifestantes pacíficos estavam desarmados quando foram alvejados pelas metralhadoras das forças de segurança, apresentando um cotidiano de terríveis violações de direitos humanos que se intensifica a cada dia. Outros relatos de ativistas de direitos humanos corroboram partes desse relato, mas indicam números significativamente mais baixos.
À luz desses eventos, a Human Rights Activist News Agency (HRA) reportou pelo menos 63 mortes desde o início dos protestos, com 49 civis confirmados. Esta discrepância nos números de mortos pode ser parcialmente atribuída às diferentes metodologias de contagem e verificação das vítimas. Contudo, a escalada de violência reflete a gravidade da situação no Irã, onde a comunicação foi drasticamente limitada com o quase total desligamento da Internet e das conexões telefônicas.
Como parte de uma demonstração de força, o regime iraniano emitiu uma série de declarações ameaçadoras. Em um discurso transmitido na televisão, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, deixou claro que o país não retrocederia diante dos “vândalos” que buscavam “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com um histórico tenso entre os EUA e o Irã, Khamenei parece estar utilizando essa repressão como uma ferramenta de desviar a atenção da insatisfação interna, posicionando-se em uma batalha retórica contra figuras ocidentais, particularmente Trump, que já havia se comprometido a responder a qualquer ataque a manifestantes iranianos.
A repressão se minucializa ainda mais com o promotor de Teerã alertando que manifestantes podem enfrentar a pena de morte por suas ações, enviando uma mensagem clara de que o regime não hesitará em exercer a força letal. Enquanto isso, um oficial da Guarda Revolucionária Islâmica fez um apelo direto aos pais, aconselhando-os a manter seus filhos longe dos protestos, sob a ameaça e a penalidade de violência extrema: "Se uma bala atingir você, não reclame". Essa situação aterradora ilustra a violência sistemática que os manifestantes enfrentam em sua luta por justiça e liberdade.
Internacionalmente, o silêncio em relação a esses acontecimentos tem sido ensurdecedor. Enquanto a atenção da mídia se concentra em outros conflitos globais, é alarmante que a brutal repressão em Teerã não esteja recebendo a cobertura devida. O desafio agora reside em mobilizar uma resposta global que não apenas condene os abusos, mas que também crie um espaço seguro para o diálogo e a expressão no Irã. Muitos observadores geopolíticos estão preocupados que a incapacidade de lidar com os eventos em Teerã possa levar a um agravamento da crise e a um aumento ainda maior na repressão interna.
A situação continua a evoluir, à medida que mais informações aparecem e novos protestos estalam em outras partes do país. A comunidade internacional aguarda por ações concretas que possam ajudar na proteção dos direitos humanos no Irã e que forcem o regime a responder por suas atrocidades. Com jovens vidas sendo tragicamente perdidas nas ruas, a urgência de uma solução aumentará à medida que os dias passarem, fazendo com que muitos se perguntem: até onde o regime irá para manter o controle? O mundo observa, mas a ação pode ser a única saída na luta pela liberdade e pela vida.
Fontes: CNN, The Guardian, Human Rights Watch, TIME, Al Jazeera
Detalhes
Ali Khamenei é o líder supremo do Irã desde 1989, sucedendo Ruhollah Khomeini. Ele detém a autoridade máxima sobre as forças armadas e a política do país, influenciando decisões importantes. Khamenei é conhecido por sua postura conservadora e por sua oposição ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos, e tem sido uma figura central na política iraniana durante décadas, promovendo uma agenda que prioriza a resistência contra influências externas.
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua presidência, Trump era conhecido por seu trabalho no setor imobiliário e por seu programa de televisão "The Apprentice". Durante seu mandato, ele adotou uma postura agressiva em relação ao Irã, retirando os EUA do acordo nuclear de 2015 e impondo sanções severas ao país, o que intensificou as tensões entre as duas nações.
Resumo
O Irã enfrenta uma onda de protestos massivos que resultaram em mais de 200 mortes, conforme relatado por um médico anônimo em Teerã. Desde a quinta-feira passada, a violência nas ruas da capital foi marcada pela brutalidade das forças de segurança, que dispararam contra manifestantes desarmados. A repressão é liderada pelo aiatolá Ali Khamenei, que busca silenciar vozes dissidentes em um momento de fragilidade política. Relatos de hospitais indicam que a maioria das vítimas eram jovens, mortos enquanto protestavam. A Human Rights Activist News Agency (HRA) reportou pelo menos 63 mortes, refletindo a gravidade da situação, exacerbada pela limitação da comunicação e pela quase total desconexão da Internet. Khamenei, em discurso na televisão, afirmou que o país não recuaria diante dos “vândalos” que buscam agradar Donald Trump, utilizando a repressão para desviar a atenção da insatisfação interna. Com ameaças de pena de morte para manifestantes e apelos de oficiais para que mantenham seus filhos longe dos protestos, a violência sistemática se intensifica. A comunidade internacional observa com preocupação, enquanto a urgência por uma solução se torna cada vez mais evidente.
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