10/01/2026, 17:22
Autor: Felipe Rocha

O cenário no Irã torna-se cada vez mais conturbado com os apelos do filho do último xá, Reza Pahlavi, que convocou uma greve geral programada para este sábado, 10 de janeiro. Este chamado surge em meio a um período intenso de protestos que se proliferaram em todo o país, onde os cidadãos clamam por liberdade, direitos civis e por uma mudança drástica no regime atual, encabeçado pelo líder supremo Ali Khamenei. Essa movimentação ocorre após 14 dias de manifestações que ganharam força contra as repressões do governo, que segundo Pahlavi, precisam ser enfraquecidas para restaurar a dignidade do povo iraniano.
Reza Pahlavi, que vive em exílio nos Estados Unidos, destacou que seu objetivo não é apenas protestar, mas “colocar de joelhos” o aparato repressivo do regime iraniano. Ele declarou: “Os pilares financeiros que sustentam a opressão devem ser atingidos para que a liberdade e os direitos do povo possam florescer novamente.” O apelo feito por Pahlavi ressoa com muitos que descontentes com a atual situação do país, que há anos enfrenta crises sociais e econômicas profundas, exacerbadas pela corrupção e má administração.
Nos comentários e análises sobre essa situação, muitos destacam que o entorno tem sido hostil, tanto economicamente quanto politicamente. O Irã, um país rico em recursos naturais, principalmente petróleo, abriga uma população que em muitos casos vive em condições precárias. Durante anos, as elites foram acusadas de se beneficiarem desproporcionalmente, enquanto a maioria da população luta para encontrar condições adequadas de vida. Esta desigualdade pode ter se tornado insustentável, culminando em um clamor popular por justiça e mudança.
Entretanto, a figura de Pahlavi gera sentimentos mistos. Para alguns, a ideia de um retorno monárquico ao poder remete às disputas e injustiças que levaram à Revolução Iraniana de 1979, quando seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, foi deposto. Críticos argumentam que a memória de um regime absolutista deve ser entendida de forma crítica, ressaltando que muitos associam a monarquia a um período de opressão e desigualdade, que resultou na insatisfação popular que culminou na revolução. Outros, no entanto, veem a figura de Pahlavi como um símbolo de esperança para um futuro onde a liberdade poderia ser restaurada.
É importante notar que a chamada para greve não vem sem riscos. O regime pode reagir de forma reativa, intensificando a repressão aos manifestantes. Nos últimos tempos, diversas manifestações têm sido reprimidas com força pelo governo, que frequentemente utiliza táticas violentas para desmantelar a oposição e silenciar vozes dissidentes. Em resposta a essa história de repressionismo, diversas análises abordam a possibilidade de interferência estrangeira neste movimento protestante. Muitos conjecturam que tanto a CIA quanto outros órgãos de inteligência possam estar por trás de uma estrutura de apoio a movimentos que visam desestabilizar regimes considerados hostis aos interesses ocidentais.
Assim, a greve geral proposta por Pahlavi é observada como um momento crucial para o futuro do Irã. Embora o clamor por liberdade e justiça social ressoe entre muitos, as implicações do retorno da monarquia e a possibilidade de um novo regime de opressão ainda permeiam a narrativa. Existe um consenso entre observadores de que uma verdadeira mudança no Irã depende não apenas de protestos nas ruas, mas também de uma estrutura sólida que permita a transição pacífica para um regime democrático que represente os interesses de todos os iranianos, e não apenas de uma elite privilegiada.
Conforme as informações se desenrolam, a atenção internacional se volta ansiosamente para o Irã. A comunidade global observa se esta greve se traduz em uma mudança efetiva no sistema político do país ou se será mais um movimento que causará mais divisão e conflito social. O desenrolar dos acontecimentos nas próximas semanas se tornará uma decodificação do desejo do povo iraniano por um futuro diferente e, principalmente, pela construção de um futuro com igualdade e justiça.
Fontes: BBC News, Al Jazeera, The Guardian
Detalhes
Reza Pahlavi é o filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, que foi deposto durante a Revolução Iraniana de 1979. Atualmente vivendo em exílio nos Estados Unidos, Pahlavi se posiciona como um defensor da liberdade e dos direitos civis no Irã, convocando protestos e greves contra o regime atual. Ele busca restaurar a dignidade do povo iraniano e é visto por alguns como uma figura de esperança, enquanto outros o associam a um passado de opressão.
Resumo
O cenário no Irã se torna cada vez mais conturbado com o chamado do exilado Reza Pahlavi, filho do último xá, para uma greve geral em 10 de janeiro. Este apelo surge em meio a intensos protestos por liberdade e direitos civis, que se intensificaram após 14 dias de manifestações contra o regime de Ali Khamenei. Pahlavi enfatiza que seu objetivo é enfraquecer o aparato repressivo do governo, atacando os pilares financeiros que sustentam a opressão. A situação no país é marcada por crises sociais e econômicas, com a população vivendo em condições precárias, enquanto as elites se beneficiam. A figura de Pahlavi gera sentimentos mistos, já que muitos associam a monarquia a um passado opressivo, enquanto outros o veem como um símbolo de esperança. A greve, no entanto, pode desencadear uma repressão ainda maior por parte do governo, que tem utilizado táticas violentas contra manifestantes. A atenção internacional se concentra no Irã, aguardando se a greve resultará em mudanças significativas ou em mais divisão social.
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