09/01/2026, 15:30
Autor: Felipe Rocha

Em meio a um cenário geopolítico em constante transformação, guerrilheiros colombianos, principalmente do Exército de Libertação Nacional (ELN), emitiram uma declaração desafiadora prometendo lutar até a última gota de sangue contra qualquer intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. A afirmação surge em resposta ao aumento das hostilidades na região, levantando questões sobre os desdobramentos da política externa americana na América Latina e o impacto sobre a segurança e a dinâmica social nos dois países.
Historicamente, o ELN e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) têm sido grupos armados que atuam a favor de ideais revolucionários, além de operarem dentro de um contexto complexo que envolve narcotráfico e disputas territoriais. A Colômbia sempre enfrentou a luta interna entre estas facções e o governo, um processo que se intensificou ao longo dos anos e que tem sido alimentado por diversos fatores, incluindo o envolvimento de nações estrangeiras.
Recentemente, as tensões entre os EUA e a Venezuela se acentuaram, especialmente sob a administração de Donald Trump, que buscou desestabilizar o regime de Nicolás Maduro, com uma série de sanções econômicas e ameaças de intervenção militar. Para os guerrilheiros, essa abordagem não apenas ameaça a soberania da Venezuela, mas também se reflete na realidade da guerrilha armada na Colômbia, onde a pobreza e a falta de oportunidades têm alimentado a insurgência.
Muitos observadores políticos têm apontado que para um movimento insurgente sobreviver, é necessária uma ampla rede de apoio externo, que permita abastecimento, treinamento e logística no campo de batalha. Na realidade colombiana, os desafios geográficos e a ausência de um apoio sólido de um aliado próximo complicam os esforços do ELN e da FARC em sustentar uma rebelião eficaz contra uma potência militar como os Estados Unidos.
Embora a promessa de luta intensa e de resiliência faça parte do discurso de qualquer guerrilheiro, a verdade é que tal guerra requer mais do que vontade; envolve também suprimentos, apoio econômico e perspectiva de sucesso. O ideal revolucionário de luta armada carece de recursos em uma sociedade em que muitos dos guerrilheiros são filhos da pobreza extrema e da desigualdade social.
Além disso, a situação é ainda mais complicada pelo fato de que a guerrilha se expandiu além das fronteiras colombianas, penetrando na Venezuela, onde operam em conluio com elementos que tentam driblar a repressão governamental. A intersecção entre o narcotráfico e a luta armada também não pode ser ignorada, pois muitos grupos rivais se tornaram cartéis ao longo dos anos, focando mais no controle de rotas de tráfico do que em ideais políticos.
Os comentários populares sobre a atual declaração dos guerrilheiros variam. Enquanto alguns aplaudem a bravura da resistência contra uma superpotência, outros consideram que esta posição é mais retórica do que realista. O que é indiscutível é que a situação vai muito além de um simples confronto de ideias; trata-se de um embate que poderá levar a consequências devastadoras para a população da região.
As vozes de preocupação ressoam não apenas na Venezuela ou na Colômbia, mas entre aqueles que observam o potencial de uma escalada militar. Os EUA, ao intervir com força, podem estar despertando um conflito que, décadas atrás, consumiu a região com sua complexidade e violência.
Estudos e análises recentes destacam que, em conflitos armados, muitos grupos que inicialmente adotaram a via revolucionária, eventualmente se desvincularam de suas bases ideológicas, antes de se tornarem instrumentos de interesses mais nefastos. As guerrilhas podem ter se tornado uma resposta ao imperialismo, mas também são vítimas de suas próprias escolhas e da dinâmica econômica que as força a operar como cartéis. Essa transformação foi observada em muitos contextos históricos, e as lições do passado muitas vezes permanecem ignoradas.
A luta na América Latina, no contexto do século XXI, continua a refletir essas tensões antigas em uma nova moldura, onde os intervenientes externos e internos devem confrontar suas ações passadas e as responsabilidades que vêm com elas. A promessa dos guerrilheiros em lutar até a última gota de sangue simboliza uma resistência à opressão, mas também levanta questões sobre a viabilidade de sua luta no ambiente contemporâneo e como isso impactará o futuro dos países envolvidos.
É evidente que a situação na Colômbia e na Venezuela é uma chama ardente no cenário geopolítico atual, e enquanto promessas de luta e resistência ecoam, é imperativo questionar o custo dessa luta e quem realmente sairá perdendo no final desta partida de xadrez sangrenta. O desfecho dessa disputa poderá moldar não apenas o destino daqueles diretamente envolvidos, mas também influenciar o equilíbrio de poder e a estabilidade da região.
Fontes: Folha de São Paulo, The New York Times, Insight Crime, BBC News
Detalhes
O Exército de Libertação Nacional (ELN) é um grupo guerrilheiro colombiano fundado em 1964, inspirado em ideais marxistas e na teologia da libertação. O ELN tem sido envolvido em atividades de insurgência, incluindo sequestros, extorsões e ataques armados, com o objetivo de estabelecer um governo socialista na Colômbia. O grupo também se relaciona com o narcotráfico, o que complica ainda mais a dinâmica de conflito no país.
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por suas políticas controversas e retórica agressiva, Trump implementou sanções econômicas contra a Venezuela em um esforço para desestabilizar o regime de Nicolás Maduro, promovendo uma agenda de intervenção militar na América Latina.
Nicolás Maduro é um político venezuelano que se tornou presidente da Venezuela em 2013, após a morte de Hugo Chávez. Seu governo tem sido marcado por uma crise econômica severa, repressão política e tensões com os Estados Unidos e outros países. Maduro é frequentemente criticado por sua abordagem autoritária e pela deterioração das condições de vida na Venezuela.
Resumo
Em um contexto geopolítico instável, guerrilheiros colombianos do Exército de Libertação Nacional (ELN) prometeram lutar até a última gota de sangue contra qualquer intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Essa declaração surge em meio ao aumento das hostilidades na região e reflete as complexas dinâmicas sociais e de segurança entre os dois países. Historicamente, o ELN e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) têm atuado em um cenário marcado por ideais revolucionários e narcotráfico. As tensões entre os EUA e a Venezuela aumentaram sob a administração de Donald Trump, que impôs sanções ao regime de Nicolás Maduro. Observadores políticos destacam a necessidade de apoio externo para a sobrevivência de movimentos insurgentes, enquanto a realidade da pobreza extrema na Colômbia complica a luta armada. A guerrilha se expandiu para a Venezuela, onde colabora com grupos locais, e a intersecção entre narcotráfico e luta armada se torna evidente. A situação gera preocupações sobre uma possível escalada militar e suas consequências devastadoras para a população da região, levantando questões sobre a viabilidade da resistência dos guerrilheiros.
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