07/01/2026, 18:51
Autor: Ricardo Vasconcelos

A GameStop, conhecida mundialmente como um ícone do varejo de jogos digitais e físicos, gerou polêmica recentemente ao anunciar um plano de compensação que poderia chegar a impressionantes $35 bilhões para seu CEO Ryan Cohen. O escopo e as condições desse pacote geraram discussões fervorosas, não apenas sobre a moralidade de tal valorização, mas também sobre a viabilidade do crescimento da empresa em um mercado desafiador, repleto de incertezas.
O valor absurdo do pacote é atrelado a metas de desempenho extremamente ambiciosas. Para que Cohen consiga resgatar essa quantia, a empresa precisaria ver sua capitalização de mercado disparar de cerca de $9 bilhões atualmente para impressionantes $100 bilhões, além de ter que gerar um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acumulado de $10 bilhões. Essa proposta apresenta um cenário extremado, levando muitos a questionar a realidade por trás desse plano.
Diversos comentários em resposta a essa movimentação ressaltam a desaprovação em relação ao estado atual da GameStop. Para muitos, a marca se tornou um símbolo de decadência. A experiência do cliente em suas lojas físicas tem sido frequentemente criticada, com relatos de estoques limitados, serviço ao cliente deficiente e uma estratégia de negócios que deixou muitos insatisfeitos. Na era digital, onde as vendas de jogos tornam-se cada vez mais online e digitais, a relevância das lojas físicas de videogames tem sido constantemente desafiada. Vários usuários que comentaram sobre a postagem sugeriram que a empresa deveria ter encerrado suas operações, ao invés de oferecer pacotes exorbitantes a executivos, argumentando que esses valores poderiam ser usados para causas mais nobres, como o combate à fome no mundo.
Além disso, muitos questionam a lógica por trás de uma compensação tão generosa em um cenário de contínua perda de lojas e fechamento de diversas unidades ao redor do mundo. Recentemente, a GameStop foi forçada a fechar várias suas lojas, levando a um aumento nas críticas e no ceticismo em relação à sua sustentabilidade financeira. Apesar de ter recebido um resgate inesperado por parte de investidores de varejo durante o auge das operações de "memes", a marca parece agora oscilante em sua posição, com muitos alegando que o status de "meme" é uma estratégia arriscada e que não se sustenta por longos períodos.
Outro ponto levantado por críticos do plano de compensação é a comparação com táticas não convencionais usadas por outros CEOs de destaque, como Elon Musk, que frequentemente utiliza estratégias de mídia social para manipular o mercado e atrair atenção para suas empresas. O quebra-cabeça que envolve o pacote de Cohen parece estar entrelaçado com a retórica sobre a estranheza dos altos valores aplicados na estrutura de compensação de executivos em um momento em que a qualidade e a integridade do próprio negócio estão sendo questionadas. Especialistas do setor ressaltam que gerir um varejo em decadência não merece uma recompensa tão exorbitante, sugerindo que isso deja uma reflexão mais ampla sobre o capitalismo contemporâneo e as disparidades de renda.
Por outro lado, defensores de Cohen e avidamente engajados nas discussões sobre ações afirmativas sinalizam que ele não receberá essa quantia a menos que as metas estipuladas sejam alcançadas, enfatizando que ele não possui um salário fixo ou compensação garantida. Sua remuneração é intrinsecamente vinculada ao desempenho da GameStop, o que coloca uma pressão imensa sobre o CEO. Isso levanta questões sobre a relação entre remuneração e desempenho, principalmente em um setor que se encontra em constante mutação e adaptação. Contudo, a magnitude do pacote é tão impressionante que muitos observadores ainda se perguntam se metas dessa magnitude são razoáveis ou mesmo alcançáveis.
No final das contas, o ecoar das preocupações sobre a GameStop e a proposta de compensação colossal para seu CEO Ryan Cohen destaca um momento singular onde os extremos da cultura corporativa, da moralidade do consumo e das pressões do mercado se entrelaçam. A real pergunta que emerge dessa discussão é: até que ponto a ambição pode ser separada da realidade, e se os resultados que dependem de méritos caprichosos de um mercado de ações podem realmente definir o sucesso de uma marca familiar como a GameStop, enquanto sua relevância no mercado atual continua incerta?
Fontes: The Wall Street Journal, Bloomberg, CNBC, Reuters
Detalhes
A GameStop é uma varejista americana especializada na venda de videogames, consoles e acessórios, tanto em lojas físicas quanto online. Fundada em 1984, a empresa ganhou notoriedade durante a pandemia, quando se tornou um símbolo de investimentos de varejo e da cultura de "meme stocks". Contudo, a GameStop tem enfrentado desafios significativos, incluindo o fechamento de lojas e a transição para um mercado cada vez mais digital.
Resumo
A GameStop, famosa no setor de varejo de jogos, está no centro de uma controvérsia após anunciar um plano de compensação de até $35 bilhões para seu CEO, Ryan Cohen. O pacote, vinculado a metas de desempenho ambiciosas, exige que a capitalização de mercado da empresa salte de $9 bilhões para $100 bilhões e que gere um EBITDA acumulado de $10 bilhões. Essa proposta gerou críticas sobre a moralidade e viabilidade do crescimento da empresa, especialmente em um cenário de fechamento de lojas e insatisfação com a experiência do cliente. Muitos usuários sugeriram que a empresa deveria encerrar suas operações em vez de oferecer pacotes exorbitantes, argumentando que esses recursos poderiam ser usados para causas sociais. Apesar de ter recebido um impulso de investidores durante o auge das operações de "memes", a GameStop enfrenta um futuro incerto, com questionamentos sobre a lógica de compensações tão generosas em um momento de dificuldades. Defensores de Cohen argumentam que sua remuneração depende do desempenho, levantando questões sobre a relação entre compensação e resultados em um setor em transformação.
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