09/01/2026, 18:26
Autor: Ricardo Vasconcelos

O setor de manufatura nos Estados Unidos está enfrentando um momento delicado, com a recente perda de 68.000 empregos em decorrência das tarifas implementadas durante a administração de Donald Trump. Esse resultado, embora alarmante, reflete uma tendência mais ampla que inclui fatores como automação e mudanças na dinâmica do mercado de trabalho. O declínio no emprego na manufatura, embora notável, é apenas uma parte de um quadro econômico mais complexo que merece ser analisado com cautela.
Em um gráfico recentemente divulgado, os dados mostram que o emprego na manufatura caiu significativamente após a introdução das tarifas. No entanto, alguns especialistas argumentam que a narrativa em torno dessa queda pode ser enganosa, pois, desde o auge do emprego na manufatura pós-COVID em fevereiro de 2023, o país já havia registrado uma perda de 1% de empregos naquele setor durante os dois anos de governo de Biden, o que equivale a uma média anual de 0,5%. Adicionalmente, a perda de empregos durante o primeiro ano de Trump foi de 0,5%, o que aponta para uma continuidade nas perdas, independentemente das administrações no poder.
Além dos efeitos das tarifas, um fator crucial a ser considerado é o avanço da automação, que está acelerando a eliminação de postos de trabalho na manufatura. A inteligência artificial e sistemas automatizados estão progressivamente substituindo a necessidade de mão de obra em ambientes de produção. Essa situação já afeta países como a China, que também está experimentando um declínio em empregos industriais. Portanto, é ingenuidade afirmar que os empregos industriais que caracterizaram a economia americana do século XX retornarão em massa.
Os comentários de analistas e economistas são variados. Muitos apontam que as tarifas sem uma estratégia clara não têm grande potencial para revitalizar a capacidade de manufatura dos Estados Unidos. Algumas iniciativas, como o CHIPS Act, têm sido reconhecidas como formas mais eficazes de fomentar a manufatura dentro do país, ao mesmo tempo em que visam combater a crescente competição da China. Essa legislação é vista como um modelo mais apropriado que busca incentivar o crescimento do setor de tecnologia e manufatura, diferentemente das tarifas amplas que foram implementadas sem um plano específico para estimular setores-chave da economia.
Entretanto, os efeitos dessas perdas são profundos para trabalhadores e suas famílias, que muitas vezes veem suas vidas transformadas de forma drástica em um cenário de incerteza econômica. O impacto é ainda maior nas comunidades que dependem da industrialização como base de emprego e desenvolvimento econômico. A luta por um mercado de trabalho mais estável e promissor é compartilhada por muitos, independentemente da filiação política. É inegável que essa questão exige um diálogo mais abrangente sobre as políticas econômicas do país, suas consequências e o que pode ser feito para incentivá-las eficazmente.
As percepções políticas também desempenham um papel importante nessa discussão. Muitos comentaristas expressaram que é fundamental manter as consequências de decisões passadas na consciência do eleitorado, enfatizando como algumas escolhas prejudicaram significativamente a economia. Esse aspecto levanta um debate sobre a responsabilidade dos líderes e a possibilidade de aprendizado e mudança em futuras decisões políticas.
A desconfiança em relação à política econômica atual é palpável. Os dados indicam que, de janeiro a agosto de 2025, o setor privado reportou perdas de aproximadamente 7,3 milhões de empregos brutos, com demissões e desligamentos em queda, além de um arrefecimento geral no mercado de trabalho. Essa realidade gera uma incerteza ainda maior sobre o futuro da manufatura no país. O apelo a uma abordagem mais estratégica e crítica em relação à economia e seu desenvolvimento é um chamado para a ação. As mudanças precisam ser implementadas não somente para revitalizar o setor manufatureiro, mas também para garantir um futuro mais estável para os trabalhadores americanos.
O panorama atual indica que um caminho a seguir deve envolver um estado consciente da importância de adotar políticas que não apenas respondam a choques externos, mas que também promovam um crescimento robusto e inclusivo. O desafio de reestruturar a economia americana e revitalizar o setor de manufatura é enorme, mas as experiências passadas oferecem lições valiosas que podem ser aproveitadas na busca por soluções que atendam às necessidades atuais e futuras da força de trabalho.
Fontes: O Globo, Financial Times, Bureau of Labor Statistics (BLS)
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano, conhecido por ter sido o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua carreira política, ele era um magnata do setor imobiliário e uma figura proeminente na mídia, famoso por seu programa de televisão "The Apprentice". Sua presidência foi marcada por políticas de imigração rigorosas, uma abordagem nacionalista em relação ao comércio e uma retórica polarizadora.
Resumo
O setor de manufatura nos Estados Unidos enfrenta desafios significativos, com a recente perda de 68.000 empregos atribuída às tarifas da administração de Donald Trump. Embora alarmante, essa queda é parte de uma tendência mais ampla, influenciada por automação e mudanças no mercado de trabalho. Especialistas apontam que a perda de empregos na manufatura não é exclusiva de uma administração, com dados mostrando uma queda de 1% sob o governo Biden e 0,5% no primeiro ano de Trump. A automação, impulsionada por inteligência artificial, está acelerando a eliminação de postos de trabalho, afetando também outros países como a China. Analistas sugerem que tarifas sem uma estratégia clara não revitalizarão a manufatura, enquanto iniciativas como o CHIPS Act são vistas como mais eficazes. As perdas impactam profundamente trabalhadores e comunidades, exigindo um diálogo mais abrangente sobre políticas econômicas. A desconfiança em relação à política econômica atual é crescente, com dados mostrando perdas de 7,3 milhões de empregos no setor privado entre janeiro e agosto de 2025. Um futuro mais estável para os trabalhadores americanos requer uma abordagem estratégica e crítica.
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