Proposta de Trump limita juros de cartão para 10% e gera polêmica

A proposta de Donald Trump de limitar os juros dos cartões de crédito a 10% provoca reações entre especialistas e instituições financeiras sobre seu impacto no setor.

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10/01/2026, 21:47

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem de Donald Trump em uma reunião com banqueiros, rodeado por pareceres de bancos e cartões de crédito, ilustra a tensão entre as políticas de crédito e os interesses financeiros, enquanto recepcionistas observam atentamente. Os rostos dos banqueiros refletem preocupação e ceticismo, e uma bandeira americana é visível ao fundo.

A recente proposta do ex-presidente Donald Trump de limitar as taxas de juros de cartões de crédito a 10% por um ano gerou uma onda de reações de especialistas e setores da economia, debatendo a viabilidade e as implicações dessa medida. Com as taxas atuais variando entre 20% e 30%, a ideia de Trump visa reduzir a carga financeira para os consumidores que lutam com dívidas crescentes, mas a proposta também levanta questões significativas sobre como tais mudanças afetariam o sistema financeiro como um todo.

Muitos especialistas apontam que a proposta de Trump, embora bem-intencionada, pode não ser prática. As taxas de juros dos cartões de crédito são, na verdade, determinadas pelos bancos emissores, não pela Visa ou Mastercard, que atuam apenas como processadoras de pagamentos. Portanto, mesmo que um limite de taxa fosse imposto, o impacto financeiro direto recairia majoritariamente sobre os bancos, que provavelmente reagiriam fechando contas e restringindo o crédito a consumidores considerados de maior risco. Essa possibilidade poderia resultar em um cenário ainda mais desafiador para os consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras.

Por outro lado, essa proposta de intervenção direta na economia tem gerado preocupações sobre o efeito de longo prazo no mercado de crédito. Alguns economistas acreditam que, a 10%, os bancos podem começar a cancelar contas de cartões de crédito com histórico de crédito inadequado. Isso poderia traduzir-se em uma diminuição na disponibilidade de crédito para muitos consumidores, criando um efeito contrário ao que se pretende com a proposta. A diminuição do acesso ao crédito, de acordo com críticos, pode enfraquecer ainda mais a economia, que já se encontra em um estado delicado, especialmente com a recente queda nas despesas do consumidor.

Uma análise mais profunda também revela que, em um cenário onde as taxas de juros são limitadas, os bancos poderiam começar a aumentar outras taxas, como taxas anuais de manutenção de cartão, para compensar a receita perdida no segmento de juros. Esse ajuste poderia beneficiar instituições financeiras de forma indireta enquanto penaliza os consumidores de forma mais ampla.

Além disso, a ideia de que uma política dessa magnitude poderia ser implementada sem um controle legislativo adequado suscita dúvidas sobre sua viabilidade legal. A intervenção proposta por Trump demanda um ato do Congresso para ser aprovada, o que adiciona outra camada de complexidade ao debate. Os banqueiros e outros líderes do setor estão cientes de que a implementação de uma proposta desse tipo poderá depender de negociações políticas que nem sempre são previsíveis.

Embora a proposta possa oferecer um alívio temporário e uma economia de interesse significativa para consumidores com dívidas elevadas, especialistas alertam para o fato de que essas vantagens podem ser de curta duração e potencialmente perigosas. Um cenário onde um limite de juros de 10% leva a um aumento no endividamento dos consumidores pode resultar em uma carga financeira ainda mais pesada no futuro, uma vez que as taxas retornariam a seus níveis anteriores após a expiração do limite.

As reações no mercado foram imediatas, com investidores de instituições financeiras expressando preocupação com a implementação da proposta e seus impactos nos lucros. Muitas vezes, o mercado reage impulsivamente a anúncios como este, com vendas imediatas, mesmo que o impacto real leve tempo para se materializar. Especialistas em finanças estão observando de perto as flutuações nos preços das ações de Visa, Mastercard e Amex, com a expectativa de que essas ações possam experimentar pressões à medida que a proposta gera ruído no setor.

É importante ressaltar que, embora alguns analistas vejam a proposta como uma ferramenta potencial para estimular a economia, outros argumentam que ela representa uma forma de populismo econômico que poderia gerar consequências imprevistas. O consenso parece ser que, se esta ação for levada adiante, ela exigirá um planejamento cuidadoso e uma consideração ampla dos efeitos em cadeia no mercado financeiro e na economia americana.

A fase de debate está apenas começando, e o futuro da proposta de Trump em limitar as taxas de juros de cartões de crédito está longe de ser certo. Para muitos, o que estava inicialmente apresentado como uma possível solução pode se revelar um caminho complicado e cheio de armadilhas. Assim, à medida que as discussões se desenrolam, consumidores e investidores permanecerão atentos às possíveis reações do mercado e às respostas das instituições financeiras a esta proposta polêmica.

Fontes: The New York Times, Bloomberg, Reuters

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano, conhecido por ter sido o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de entrar na política, Trump fez carreira no setor imobiliário e na televisão, sendo famoso por seu programa "The Apprentice". Sua presidência foi marcada por políticas controversas, incluindo reformas fiscais, imigração e comércio, além de um estilo de comunicação direto e polarizador.

Resumo

A proposta do ex-presidente Donald Trump de limitar as taxas de juros de cartões de crédito a 10% por um ano gerou reações variadas entre especialistas e setores econômicos. Embora a intenção seja aliviar a carga financeira dos consumidores endividados, a viabilidade da medida é questionada, uma vez que as taxas são definidas pelos bancos emissores. Especialistas alertam que a implementação do limite pode levar os bancos a restringirem o crédito, resultando em um cenário ainda mais difícil para os consumidores. Além disso, a proposta pode provocar aumentos em outras taxas, como anuidades, para compensar a perda de receita. A necessidade de aprovação legislativa também levanta dúvidas sobre a viabilidade legal da proposta. Apesar de alguns verem um potencial alívio econômico, críticos argumentam que isso pode ser uma forma de populismo econômico com consequências imprevistas. O debate sobre a proposta está apenas começando, e seu futuro permanece incerto, com investidores e consumidores atentos às reações do mercado.

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