03/01/2026, 17:35
Autor: Ricardo Vasconcelos

No último sábado, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica ao publicar um vídeo atacando a Venezuela, utilizando a icônica música "Fortunate Son", do grupo Creedence Clearwater Revival. A canção, que se tornou um hino de protesto durante a Guerra do Vietnã, critica a forma como filhos de famílias ricas conseguem evitar o alistamento militar, algo que Trump, por sua vez, fez cinco vezes durante a referida guerra. O vídeo fez alusão ao sequestro legalmente questionável do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que, segundo a administração Trump, era justificado por razões de segurança nacional.
"Fortunate Son", composta por John Fogerty, expressa indignação frente à desigualdade que permite a elite escapar das consequências de conflitos bélicos. O uso desta canção por Trump não passou despercebido, com críticos ressaltando a ironia na escolha, dada a sua história de evasão do alistamento. Mais de dois anos atrás, Fogerty expressou seu descontentamento com o então presidente ao afirmar que ficou "chocado" ao ouvir a música tocando em comícios de Trump, enviando a ele uma carta de cessação e desistência em razão de seu status como desertor.
"As pessoas parecem não perceber a hipocrisia aqui. A música fala diretamente sobre homens como Donald Trump, que usam sua influência para evitar deveres que tantos outros enfrentaram", comentou um especialista em música e política. Embora algumas pessoas o vejam como uma figura central em debates políticos, a maioria parece ignorar o histórico problemático de Trump, principalmente quando sua figura é associada a assuntos de moralidade e responsabilidade.
A escolha da música não só levanta questões sobre a autenticidade de Trump como líder, mas também se entrelaça com temas maiores que permeiam a política externa dos EUA. Observadores notaram que o momento atual pode não apenas gerar desavenças externas, mas também intensificar divisões internas dentro da sociedade americana, refletindo um descontentamento com a militarização e a desigualdade social no país.
A retórica usada por Trump ao elogiar o poder militar e suas intervenções em nações estrangeiras entra em conflito com as críticas sobre o que ocorre dentro do próprio país. Questões sobre acesso a cuidados de saúde e a crescente desigualdade de renda são, segundo muitos, evidências de que os cidadãos americanos estão lutando em uma guerra diferente. “Por que temos recursos para invadir outros países, mas nossa população luta para conseguir cuidados básicos?”, questionou um comentarista, ressaltando a ironia nos investimentos em conflitos externos enquanto problemas domesticos continuam sem solução.
Diversos indivíduos também se manifestaram sobre a maneira como esta abordagem pode repercutir a longo prazo. “Estamos prestes a ver uma escalada de conflitos na América Latina. A retórica de poder militar não se alinha à realidade que os americanos enfrentam todos os dias”, alertou um membro do conselho comunitário. As pessoas têm uma crescente preocupação com o que as ações de Trump podem impactar local e internacionalmente.
Por mais que Trump tenha conseguido manter sua relevância na política, as reações à sua última postagem revelam um profundo ceticismo em relação à sua sinceridade e à necessidade de um exame mais crítico de sua liderança durante o tempo no cargo e suas repercussões na sociedade. À medida que o clima político nos EUA continua se intensificando, tanto interna quanto externamente, o uso da música "Fortunate Son" como forma de propaganda eleitoral levanta questões importantes sobre as responsabilidades dos líderes e o verdadeiro significado de patriotismo.
Cidadãos americanos e críticos da administração de Trump devem se questionar sobre o futuro da política externa dos EUA e o papel que cada um deles desempenha na busca por fluir no campo de responsabilidade social que, espera-se, transcenda fronteiras e ideologias. O momento atual é um sinal claro de que há muito mais em jogo do que as apenas notas de uma canção; é um pedido de reflexão sobre o tipo de liderança que a sociedade deseja seguir e os valores que realmente devem ser priorizados em tempos de crise.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC News, Washington Post
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Conhecido por sua retórica polarizadora e políticas controversas, Trump é uma figura central no Partido Republicano e tem um histórico de declarações que geram debates acalorados sobre temas como imigração, economia e política externa. Sua administração foi marcada por tensões sociais e políticas, além de um foco em nacionalismo econômico.
Creedence Clearwater Revival é uma banda de rock americana formada em 1967, conhecida por seu som distintivo que mistura rock, blues e country. A banda alcançou grande sucesso no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, com hits como "Bad Moon Rising" e "Fortunate Son". Esta última se tornou um hino de protesto contra a desigualdade social e a evasão do alistamento militar durante a Guerra do Vietnã, refletindo as tensões sociais da época.
Resumo
No último sábado, Donald Trump gerou controvérsia ao publicar um vídeo atacando a Venezuela, utilizando a famosa música "Fortunate Son", do Creedence Clearwater Revival. A canção, que critica a desigualdade social e a evasão do alistamento militar, é irônica, já que Trump evitou o serviço militar durante a Guerra do Vietnã. O vídeo alude ao sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, justificado pela administração Trump como uma questão de segurança nacional. Críticos destacaram a hipocrisia de Trump ao usar a música, que expressa indignação contra pessoas que, como ele, utilizam influência para escapar de responsabilidades. A escolha da canção levanta questões sobre a autenticidade de Trump como líder e reflete um descontentamento com a militarização e a desigualdade social nos EUA. Observadores alertam que a retórica militar de Trump pode intensificar divisões internas e externas, enquanto cidadãos questionam a prioridade dada a conflitos no exterior em detrimento de problemas sociais internos. A situação atual exige uma reflexão crítica sobre a liderança e os valores que devem ser priorizados.
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