04/01/2026, 15:01
Autor: Ricardo Vasconcelos

No último domingo, os Estados Unidos sinalizaram sua disposição para trabalhar com os atuais líderes da Venezuela, desde que tomem a "decisão certa", conforme declarado por Marco Rubio, senador da Flórida e um influente membro do Comitê de Relações Exteriores. A declaração surge em meio a uma série de tensões política e humanitária na Venezuela, onde a crise econômica e de direitos humanos continua a aprofundar-se, enquanto a administração Biden busca uma abordagem mais colaborativa em relação ao governo de Nicolás Maduro e suas esferas de influência.
O cenário na Venezuela permanece complicado. Há meses, especulações circulam sobre negociações secretas entre os EUA e figuras-chave do regime, com reportagens apontando para conversas com o vice-presidente do país sul-americano. A possibilidade de uma transição de poder sem conflitos diretos é uma das coisas que pode estar em jogo, embora exista hesitação em arriscar uma troca de líderes que não garanta a estabilidade desejada. De acordo com observadores políticos, tal abordagem pode ser um indicativo de que a comunidade internacional, especialmente os EUA, estão mais dispostos a manter os líderes existentes, contanto que haja um nível de cooperação, especialmente em questões econômicas e geopolíticas.
Enquanto isso, o histórico recente de intervenção militar dos Estados Unidos em diversas nações da América Latina levanta interrogações sobre a validete das intenções atuais. Com as cidades venezuelanas marcadas por protestos e a escassez de alimentos e medicamentos, analistas levantam a questão de até que ponto a interveniência externa pode ser justificada, e sob quais condições as negociações podem ser consideradas legítimas. As vozes críticas argumentam que maior envolvimento dos EUA pode levar a um novo ciclo de dependência política, tornando a Venezuela ainda mais vulnerável a influências externas.
A abordagem dos EUA de não tentar uma troca de regime — como já foi visto em intervenções passadas — pode ser vista como uma nova estratégia que se distancia dos métodos mais diretos, porém frequentemente destrutivos, adotados em tempos anteriores. Em vez de uma invasão ou golpe militar, como aconteceu no Iraque, o caminho agora parece mais voltado para incentivar a elite local a 'negociar' um novo pacto, preservando a estrutura do poder existente e garantindo seus próprios interesses econômicos — especialmente no que se refere ao petróleo, um ativo de significante importância para a economia global.
Por outro lado, o foco da política externa dos EUA parece também estar se expandindo para além das fronteiras da Venezuela. Não são apenas as negociações com o regime de Maduro que estão em pauta, mas também como essas dinâmicas afetam as nações vizinhas, particularmente a Guiana, que compartilha uma fronteira com a Venezuela e recentemente desfrutou de um crescimento econômico notável. Especialistas em política internacional levantam preocupações sobre a possível onda de mudanças geopolíticas que pode ocorrer caso os EUA solidifiquem essas alianças na América do Sul.
Por último, é importante que os consumidores de notícias fiquem atentos às mensagens que as potências globais enviam em relação a sua postura em relação à Venezuela. A ideia de um "acordo de não-agressão" provavelmente funcionaria no sentido de acenar para as elites do regime atual que poderão continuar no poder, desde que o petróleo e os recursos naturais não sejam comprometidos e que a Cuba, outro ator crítico na mistura, também receba sua parte no pacto de influência. Esse equilíbrio complicado reflete não apenas interesses políticos, mas também o jogo de poder que envolve múltiplas nações e o fluxo de capital no continente.
À medida que os desdobramentos acontecem e como os líderes venezuelanos respondem a essa oferta dos EUA permanecerá em cheque, permitindo que os observadores militem por um ponto de vista claro sobre se esta nova estratégia resulta em um avanço positivo na condição dos cidadãos venezuelanos ou se será mais uma fase de manipulação política.
Fontes: Folha de São Paulo, The Washington Post, Al Jazeera, BBC News.
Resumo
No último domingo, os Estados Unidos expressaram disposição para colaborar com os líderes da Venezuela, desde que tomem a "decisão certa", segundo Marco Rubio, senador da Flórida. A declaração ocorre em meio a tensões políticas e humanitárias no país, onde a crise econômica se agrava. Especulações sobre negociações secretas entre os EUA e o regime de Nicolás Maduro têm circulado, levantando a possibilidade de uma transição de poder pacífica. Observadores políticos indicam que a abordagem dos EUA pode sinalizar uma disposição para manter os líderes atuais, desde que haja cooperação em questões econômicas. No entanto, o histórico de intervenções militares dos EUA na América Latina gera dúvidas sobre a legitimidade das intenções atuais. A nova estratégia dos EUA parece evitar mudanças de regime diretas, optando por incentivar a elite local a negociar, preservando a estrutura de poder existente. Além disso, a política externa dos EUA pode impactar nações vizinhas, como a Guiana, levantando preocupações sobre mudanças geopolíticas na região. O futuro da relação entre os EUA e a Venezuela permanece incerto, com implicações significativas para os cidadãos venezuelanos.
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