04/01/2026, 11:54
Autor: Ricardo Vasconcelos

A recente escalada nas tensões geopolíticas envolvendo a Venezuela e a administração de Donald Trump gerou inquietação entre líderes mundiais e especialistas em política internacional. A abordagem direta e militarista do governo dos EUA na região, evidenciada pela retórica de intervenção, fez com que muitos analistas questionassem se o mundo não estaria, de fato, caminhando para um estado de anarquia global.
Desde o início de sua presidência, Trump tem adotado uma postura agressiva em relação a países que considera ameaças à segurança dos Estados Unidos, e a Venezuela, sob o regime de Nicolás Maduro, é um dos principais focos dessa abordagem. O presidente norte-americano não hesitou em falar sobre planos de controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, uma riqueza natural que torna o país um alvo atraente em meio às sempre fluctuantes dinâmicas de poder globais.
O conceito de um “novo imperialismo” tem sido utilizado por analistas para descrever a postura da Casa Branca. A comparação com o imperialismo do século XIX sugere que, aos olhos de Trump, a ordem internacional baseada em leis e normas caiu em desuso, dando lugar a uma política do “poder significa direito”. Essa concepção pode criar um ambiente ainda mais volátil, no qual as nações se veem compelidas a agir de forma unilateral, minando as estruturas de cooperação estabelecidas ao longo do último século.
A retórica de Trump e as opções militares em discussão foram recebidas com ceticismo por muitos, que apontam que o mundo não é mais o mesmo desde as guerras imperialistas do passado. Críticos observam que a imposição de uma abordagem militarista ignora as lições da história, onde intervenções externas frequentemente resultaram em desastres humanitários e instabilidade prolongada.
Além disso, a reação de outros países também gera preocupações. Há um crescente número de nações que observam a falta de consequências para aqueles que desafiam as normas internacionais. O Irã, a Rússia e a China são citados como exemplos de estados que desafiam a ordem estabelecida sem medo de represálias significativas. Esta dinâmica sugere que, se a comunidade internacional não se unir em torno de um conjunto comum de regras, o próprio conceito de ordem global pode rapidamente se desintegrar.
As consequências disso podem ser sentidas em múltiplos níveis. Com nações se afastando da diplomacia e da cooperação, a perspectiva de um conflito direto entre potências pode se tornar uma realidade cada vez mais palpável. A crescente militarização das relações internacionais, associada a um ambiente de desconfiança, pode tornar desafiadora a busca por soluções pacíficas para crises como a da Venezuela.
Ademais, as críticas à administração Trump não se limitam apenas à sua política em relação à Venezuela, mas se estendem à sua postura em relação à ONU e outras instituições internacionais. A percepção de que estas estão sendo progressivamente marginalizadas se torna uma preocupação central, uma vez que normas estabelecidas para garantir a paz e a segurança globais começam a ser ignoradas.
Frente a estas realidades, as lideranças globais se veem obrigadas a repensar como se posicionar. O medo de um retorno à anarquia internacional é palpável; a necessidade de restauração da ordem é mais urgente do que nunca. A diplomacia deve ser reintegrada às estratégias políticas, e a cooperação internacional deve ser valorizada para evitar uma escalada de conflitos que poderiam ter consequências desastrosas.
Diante do cenário atual, a situação da Venezuela pode ser vista como um microcosmo das tensões maiores no sistema internacional. O desespero por parte dos cidadãos que vivem sob um regime autocrático e a necessidade de intervenção humanitária contrastam fortemente com os interesses geopolíticos, formando um dilema difícil para a comunidade internacional. À medida que os eventos se desenrolam, a expectativa é de que um diálogo construtivo comece a surgir, caso contrário, o futuro da ordem global continua incerto e potencialmente perigoso.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, BBC, The New York Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos, de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por sua retórica polarizadora e políticas controversas, Trump adotou uma postura agressiva em relação a várias nações, especialmente aquelas que considera ameaças à segurança nacional dos EUA. Sua administração foi marcada por tensões com países como a Venezuela, onde buscou uma mudança de regime sob o governo de Nicolás Maduro.
Resumo
A escalada das tensões geopolíticas entre a Venezuela e a administração de Donald Trump está gerando preocupações entre líderes globais e especialistas. A abordagem militarista dos EUA, especialmente em relação ao regime de Nicolás Maduro, levanta questões sobre a possibilidade de um novo imperialismo, onde a ordem internacional baseada em normas é substituída pela ideia de que "poder significa direito". Essa postura pode resultar em um ambiente volátil, onde nações se sentem compelidas a agir de forma unilateral, minando a cooperação internacional. Críticos alertam que uma abordagem militarista ignora as lições históricas de intervenções que causaram desastres humanitários. Além disso, a falta de consequências para países como Irã, Rússia e China que desafiam normas internacionais sugere um desmoronamento da ordem global. A crescente militarização das relações internacionais e a desconfiança podem aumentar a probabilidade de conflitos diretos. As críticas à administração Trump também se estendem à sua postura em relação à ONU, levantando preocupações sobre a marginalização de instituições que garantem a paz global. A situação da Venezuela exemplifica as tensões maiores no sistema internacional, destacando a necessidade urgente de diplomacia e cooperação.
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