31/12/2025, 19:46
Autor: Laura Mendes

Em um momento em que o Brasil observa uma rápida transformação digital em suas transações financeiras, a desinformação tem se espalhado de forma alarmante, afetando a confiança da população nas novas tecnologias de pagamento, especialmente o Pix. O tema tem gerado discussões intensas e preocupações, com relatos de pessoas que se encontram presas em um ciclo de boatos e fake news que comprometem suas decisões financeiras. Entre as informações distorcidas, uma das mais recorrentes menciona um suposto problema com o sistema de pagamento digital, que seria repleto de falhas e inseguranças, levando muitos a evitar seu uso.
Um usuário acaba de compartilhar seu descontentamento ao relatar que precisou efetuar um pagamento de R$ 720 em dinheiro, após ser advertido por um conhecido de que o sistema de Pix apresentaria problemas. O relato é emblemático do medo e da desconfiança que têm se estabelecido em torno do uso do Pix para pagamentos, refletindo a falta de conhecimento crítico e a tendência a acreditar em informações negativas disseminadas por meio de redes sociais ou conversas informais. Esses medos infundados permeiam a vida cotidiana de muitos brasileiros, que, em vez de confiar em métodos de pagamento mais ágeis e seguros, optam por lidar com o dinheiro físico, aumentando o risco de problemas como furtos, perdas e complicações logísticas.
Além do relato pessoal, comentários de outros cidadãos revelam um padrão preocupante. Muitos admitem que as pessoas têm uma tendência de absorver informações de forma acrítica, tipicamente rejeitando informações que desafiam suas crenças preexistentes, especialmente aquelas que envolvem governos ou instituições. O que se observa é uma crítica à falta de investimento em educação básica, sugerindo que a carência de um ensino de qualidade contribui diretamente para que as pessoas sejam "esponjas de informação", absorvendo tudo sem questionar, o que perpetua o ciclo de desinformação.
Além disso, outros relatos mostram a frustração em lidar com amigos e familiares que disseminam notícias que não têm respaldo, como um novo e suposto imposto de renda que seria controverso e que, até hoje, não se concretizou. Uma internauta mencionou encontrar-se em um atendimento médico exaustivo, e ao tentar efetuar um pagamento no kiosque, se deparou com receios semelhantes de que o Pix poderia ser retirado do ar. Essa insegurança, alimentada por rumores infundados, acaba provocando mais caos em momentos de necessidade.
Dentre as contribuições à discussão, surgem opiniões que defendem que esse tipo de desinformação deveria ser tratado com palavras que evitem desqualificar diretamente o outro, utilizando termos como "lorota" e "bobagem" para que a comunicação sobre fake news seja mais suave, mas ainda incisiva. Alguns até defendem que é necessário reverter essa onda de desinformação, reconhecendo que, ao quebrar a corrente de confiança, muitos podem perceber que as informações que recebem de amigos e familiares não são factuais, frustrando o seu entendimento sobre procedimentos econômicos modernos.
Com o aumento das interações digitais, a crítica a personalidades que espalham desinformação é uma constante. Um comentarista se referiu especificamente a figuras públicas associadas a esse discurso, sugerindo uma impunidade que traz um sentimento de injustiça no debate social. O desejo de que as futuras gerações não sofram os mesmos impactos de desinformação, como o enorme número de mortos na pandemia de COVID-19, mostra a ligação entre a saúde pública e a confiança nas informações que circulam na sociedade.
A desinformação, embora temporária, comumente dura entre três a quatro dias úteis, revela a vulnerabilidade que ela impõe às relações sociais. É uma questão que vai além da mera curiosidade sobre novos sistemas de pagamento, sendo um reflexo da maneira como as pessoas se informam, se conectam e tomam decisões em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia. Desmistificar esses mitos e reforçar a educação sobre a veracidade das informações é uma necessidade emergente, essencial para criar uma sociedade mais informada, crítica e resiliente diante da avalanche de dados que nos rodeia. Dessa forma, debates em torno de métodos como o Pix, longe das narrativas de insegurança, precisam ser claramente fundamentados em fatos e conhecimentos científicos confiáveis, tornando-se parte da conscientização coletiva sobre a realidade financeira contemporânea.
Fontes: Folha de São Paulo, IBGE, O Estado de S. Paulo
Resumo
O Brasil enfrenta um aumento da desinformação em relação ao sistema de pagamento digital Pix, o que tem gerado desconfiança entre os usuários. Relatos de pessoas que optam por pagamentos em dinheiro, temendo falhas no sistema, ilustram o impacto negativo das fake news nas decisões financeiras. A falta de um ensino de qualidade é apontada como um fator que contribui para a absorção acrítica de informações, perpetuando o ciclo de desinformação. Comentários de cidadãos revelam uma tendência em rejeitar informações que desafiam suas crenças, especialmente sobre instituições. Além disso, críticas a figuras públicas que disseminam desinformação refletem um desejo de que as futuras gerações não enfrentem os mesmos problemas. A desinformação, que pode durar de três a quatro dias úteis, afeta as relações sociais e destaca a necessidade de uma educação crítica e fundamentada sobre informações financeiras, especialmente em um mundo cada vez mais digital.
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