02/01/2026, 17:05
Autor: Laura Mendes

Em uma significativa conquista para a saúde pública no Brasil, a tecnologia de inteligência artificial desenvolvida pela empresa NoHarm tem sido um divisor de águas na identificação de riscos associados a prescrições médicas. Em seu objetivo de manter o acesso gratuito à saúde, a empresa recusou uma oferta de investimentos de R$ 10 milhões, optando por permanecer fiel à sua missão de garantir que a inovação beneficie a sociedade sem custos adicionais aos pacientes.
A NoHarm aplica uma abordagem inovadora ao cruzar dados clínicos, proporcionando um alerta em casos de receitas potencialmente arriscadas antes que o medicamento chegue ao paciente. Com a implementação desta tecnologia em um hospital público localizado em Minas Gerais, as melhorias observadas na prática médica foram impressionantes. A taxa de prescrições analisadas aumentou de apenas 0,6% para 49%, enquanto a taxa de erros nas prescrições caiu drasticamente de 13% para meros 0,3%. Essas mudanças não apenas indicam um aprimoramento significativo na segurança do paciente, mas também revelam a urgência de abordar os perigos que os erros de prescrição representam na medicina moderna.
Estudos indicam que os erros de prescrição são uma das causas mais comuns de falhas evitáveis no cuidado médico dentro do Brasil, resultando na trágica perda de 829 vidas diariamente, o que equivale a cerca de três mortes a cada cinco minutos. A estatística alarmante ressalta a necessidade premente de tecnologias que possam mitigar esses riscos e, ao mesmo tempo, promover uma melhor experiência de atendimento ao paciente.
Além disso, o uso da inteligência artificial está emergindo como uma ferramenta poderosa que, quando utilizada de forma apropriada, pode atuar como um multiplicador de força em vez de um substituto para os profissionais de saúde. O debate sobre as aplicações da IA na medicina levanta questões cruciais sobre o equilíbrio entre automação e a importância do papel humano, especialmente em um setor tão delicado como a saúde.
Contudo, o cenário da inteligência artificial não é isento de controvérsias. Alguns observadores levantam preocupações sobre o fato de que a tecnologia frequentemente está nas mãos de empresas privadas, o que pode representar um risco à privacidade e à soberania nacional. Embora o governo tenha potencial para desenvolver sua própria infraestrutura de IA, a realidade é que poucos países, incluindo a China, investem em inteligência artificial estatal. Essa lacuna levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma IA pública que possa servir verdadeiramente ao interesse coletivo.
Enquanto isso, o uso de inteligência artificial por conglomerados da tecnologia nos Estados Unidos muitas vezes acaba sendo associado a práticas prejudiciais que intensificam a alienação dos trabalhadores e a degradação ambiental. Em contraste, o papel da NoHarm é um lembrete de que a tecnologia pode ser aplicada de forma construtiva, contribuindo para um sistema de saúde mais seguro e acessível.
A dualidade entre os desenvolvimentos positivos e negativos da tecnologia se torna ainda mais visível à medida que mais inovações entram em cena. A NoHarm é um caso exemplar de que é possível fazer uso de inteligência artificial não como um ente autônomo, mas como um suporte valioso para os profissionais de saúde, melhorando o processo de tomada de decisão sem substituir a humanidade presente em cada cuidado.
O compromisso da NoHarm em se manter independente de influências corporativas de grandes investimentos destaca um novo modelo de ética tecnológica, que prioriza a saúde e o bem-estar social. A luta para garantir que benefícios de alta tecnologia sejam amplamente acessíveis pode ser um passo significativo não apenas para o Brasil, mas também serve como um exemplo para países em todo o mundo, mostrando que a inovação deve andar de mãos dadas com responsabilidade social.
Enquanto o caminho à frente é repleto de desafios, iniciativas como a da NoHarm ensinam que, com a abordagem correta, a tecnologia pode se tornar um aliado no combate a problemas de saúde pública, contribuindo para um futuro onde a medicina seja mais segura, acessível e equitativa. A crescente integração de inteligência artificial na prática médica é indicativa de uma nova era que, embora ainda em sua infância, promete revolucionar o cuidado com a saúde em escala global.
Fontes: NeoFeed, Folha de São Paulo, O Globo, Estadão
Detalhes
A NoHarm é uma empresa brasileira que desenvolve soluções de inteligência artificial voltadas para a saúde pública. Seu foco é a melhoria da segurança nas prescrições médicas, utilizando tecnologia para analisar dados clínicos e alertar sobre possíveis riscos. A empresa se destaca por seu compromisso em manter o acesso gratuito à saúde, recusando investimentos que poderiam comprometer sua missão social.
Resumo
A NoHarm, uma empresa brasileira de tecnologia, tem se destacado na aplicação de inteligência artificial para melhorar a segurança nas prescrições médicas. Recusando um investimento de R$ 10 milhões, a empresa reafirma seu compromisso com o acesso gratuito à saúde. A tecnologia da NoHarm, já implementada em um hospital público em Minas Gerais, aumentou a taxa de prescrições analisadas de 0,6% para 49% e reduziu os erros de prescrição de 13% para 0,3%. Esses resultados ressaltam a importância de mitigar os riscos associados a erros de prescrição, que causam cerca de 829 mortes diárias no Brasil. O uso responsável da inteligência artificial pode atuar como um suporte aos profissionais de saúde, promovendo um atendimento mais seguro e acessível. Contudo, a dependência de empresas privadas para o desenvolvimento de tecnologias levanta preocupações sobre privacidade e soberania. A NoHarm exemplifica que a inovação tecnológica pode ser utilizada de forma ética e socialmente responsável, contribuindo para um sistema de saúde mais equitativo.
Notícias relacionadas





