31/12/2025, 19:33
Autor: Laura Mendes

Em um mundo onde discussões sobre saúde menstrual ainda são vistas por muitos como um tabu, a ex-jogadora de críquete da Inglaterra, Alexandra Hartley, se destacou ao abordar o assunto de forma aberta e descontraída durante um episódio recente de seu podcast, “No Balls”. A declaração de Hartley, “não deveria ser tabu. É normal e natural”, não apenas se tornou uma declaração poderosa em seu podcast, mas também gerou uma onda de apoio e reflexões na comunidade esportiva e além.
Hartley, que sempre foi uma defensora da igualdade de gênero e da saúde das mulheres no esporte, comentou sobre sua experiência pessoal ao viver sua menstruação durante a cobertura do Terceiro Teste dos Ashes. Ela mencionou que estava lidando com cólicas menstruais e como isso a afetava emocionalmente, levando a uma performance menos que ideal durante a partida. As reações a essa revelação foram amplamente positivas, com 4.000 mensagens diretas recebidas de apoiadores expressando admiração pela coragem de Hartley em compartilhar sua experiência.
Diversos comentários de ouvintes e simpatizantes revelaram que a discussão aberta sobre menstruação não é apenas uma necessidade, mas uma mudança vital rumo à normalização do tema. Algumas pessoas ressaltaram que, em suas famílias, a comunicação sobre o ciclo menstrual sempre foi natural e aberta, enquanto outras revelaram experiências pessoais onde a cultura do silêncio ainda prevalece. Apesar de muitos homens, não apenas familiares, continuarem a ver a menstruação como algo a ser evitado em conversas, existe um forte avanço na aceitação da discussão dentro da esfera pública e privada.
Uma comentarista mencionou como sua criação em um lar muçulmano a levou a discutir abertamente seu período, ilustrando que as diferenças culturais têm um papel significativo na maneira como as pessoas falam sobre menstruação. Isso contrasta com muitos relatos de mulheres que cresceram em ambientes onde o assunto era considerado um tabu. A expectativa de que homens cis compreendam plenamente a experiência menstrual é uma crítica recorrente, com muitas mulheres expressando que, se essa situação fosse invertida, o acompanhamento do ciclo menstrual masculino estaria no centro das discussões.
Enquanto isso, o impacto do silêncio ou da vergonha em torno da menstruação é uma realidade dura para muitas. Uma comentarista recordou uma experiência angustiante durante sua adolescência, tendo que esconder seu desconforto e suas necessidades devido ao estigma associado. Para ela, a normalização da conversa é essencial não apenas para o bem-estar das mulheres, mas também para gerar empatia entre os gêneros. As meninas precisam saber que não estão sozinhas e que a dor pode ser um autoexame de saúde vital que os outros também devem compreender.
Hartley e sua co-apresentadora, Kate Cross, estão jogando luz sobre essas conversas muitas vezes evitadas, estabelecendo um espaço de apoio para mulheres atletas. Isso é particularmente importante porque a menstruação pode ter um impacto significativo no desempenho esportivo. Para uma atleta, o ciclo menstrual pode alterar a energia, a resistência e até a capacidade de competir intensamente, uma realidade que, segundo as comentaristas, deve ser discutida abertamente para promover um entendimento mais profundo.
Além disso, é observado que o apoio dos homens, sejam eles pais, irmãos ou amigos, é fundamental na luta contra o estigma. Um pai compartilhou sua experiência de manter uma conversa aberta sobre os períodos com sua filha e sua família, destacando que a comunicação pode criar uma cultura de compreensão e apoio. Isso, por sua vez, pode ajudar a gerar empatia e reduzir o impacto negativo que tabus culturais e pessoais têm sobre a saúde menstrual das mulheres.
Por fim, a conversa sobre periodos não é uma questão apenas de saúde, mas também de igualdade. A discussão limpa e transparente sobre o que as mulheres enfrentam durante esse ciclo não deve se limitar a um ambiente amigável entre mulheres. Para alcançar um mundo sem tabus, é vital que figuras proeminentes, como Hartley, continuem a conduzir e promover essa discussão. À medida que a sociedade avança em direção à aceitação e compreensão, o papel das atletas e influenciadoras na nossa cultura esportiva se torna cada vez mais significativo, quebrando barreiras e permitindo novas normas de dialogo sobre saúde e bem-estar.
Fontes: BBC, The Guardian, ESPN, publicado em 16 de outubro de 2023
Detalhes
Alexandra Hartley é uma ex-jogadora de críquete da Inglaterra, reconhecida por sua defesa da igualdade de gênero e da saúde das mulheres no esporte. Além de sua carreira esportiva, ela se destacou como apresentadora do podcast “No Balls”, onde aborda questões relevantes, incluindo a saúde menstrual, desafiando tabus e promovendo a discussão aberta sobre temas muitas vezes evitados.
Resumo
A ex-jogadora de críquete da Inglaterra, Alexandra Hartley, abordou abertamente a saúde menstrual em seu podcast “No Balls”, desafiando o tabu que cerca o tema. Hartley compartilhou sua experiência pessoal de lidar com cólicas menstruais durante o Terceiro Teste dos Ashes, gerando uma onda de apoio na comunidade esportiva, com 4.000 mensagens de admiradores. A discussão sobre menstruação, considerada uma necessidade vital, foi bem recebida, com ouvintes refletindo sobre suas próprias experiências, destacando a importância da comunicação aberta. A cultura do silêncio sobre o ciclo menstrual ainda persiste em muitos ambientes, mas há um avanço na aceitação do tema. Hartley e sua co-apresentadora, Kate Cross, estão criando um espaço de apoio para mulheres atletas, enfatizando que a menstruação pode impactar o desempenho esportivo. O apoio dos homens é crucial na luta contra o estigma, e a conversa sobre períodos deve ser uma questão de igualdade, não restrita a ambientes femininos. A promoção dessa discussão é essencial para a saúde e o bem-estar das mulheres.
Notícias relacionadas





