17/02/2026, 17:13
Autor: Ricardo Vasconcelos

O ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, Andrew Yang, fez uma afirmação que ressoou fortemente nas discussões recentes sobre o futuro da força de trabalho: a inteligência artificial (IA) pode eliminar milhões de empregos de colarinho branco nos próximos 12 a 18 meses. Yang, que tem se posicionado como uma voz proeminente sobre o impacto da tecnologia na economia, destaca a rápida evolução da IA como um fator disruptivo que pode alterar para sempre o cenário profissional. Seu comentário vem em um momento em que a adoção de tecnologias de automação e IA em diversos setores está aumentando, gerando não apenas otimismo, mas também um grande debate sobre as repercussões no mercado de trabalho.
As opiniões sobre a previsão de Yang dividem-se significativamente entre especialistas e profissionais que trabalham em setores potencialmente afetados pela automação. Enquanto muitos acreditam que o impacto da IA será sentido com intensidade e rapidez, outros argumentam que a implementação em larga escala ainda enfrenta barreiras. Um comentarista ressaltou que percebe um padrão de implementação lenta em grandes organizações, onde mudanças profundas requerem não só planejamento, mas também testes extensivos antes de serem adotadas plenamente. "Ninguém vai substituir um processo crucial da noite para o dia usando uma tecnologia não testada", disse o comentarista, enfatizando que a transição para um ambiente de trabalho mais automatizado levará tempo e cuidados.
A história da automação não é nova e tem sido marcada por uma série de mudanças que, em última análise, transformaram o panorama laboral. No início do século 20, a América tinha cerca de 90 a 95 por cento de sua força de trabalho envolvida na agricultura. Com o crescimento das cidades e o avanço tecnológico, esse número caiu drasticamente. Hoje, a agricultura representa apenas 2% da força de trabalho, enquanto novas profissões surgiram em tecnologia e serviços, mostrando que a evolução profissional pode levar a uma redistribuição das funções e não necessariamente à eliminação delas.
Os críticos da afirmação de Yang notam que a aplicação de IA deve ser encarada como uma mudança na natureza do trabalho, em vez de um evento catastrófico. Eles argumentam que, em muitos casos, a automação de tarefas repetitivas pode aumentar a produtividade e a eficácia dos trabalhadores, ao invés de substituí-los. O papel do contador, por exemplo, pode evoluir para um que envolve a análise de cenários com a ajuda de ferramentas de IA, fazendo com que aqueles que utilizam essas tecnologias sejam mais competitivos no mercado. Esta adaptação à tecnologia não é apenas sobre a sobrevivência de empregos, mas também sobre abraçar novas oportunidades que surgem em meio à mudança.
No entanto, há preocupações legítimas em relação ao que foi descrito como um risco de desadaptação. Especialistas advertiram que os trabalhadores que ignorarem as novas ferramentas e tecnologias podem acabar em desvantagem. O verdadeiro desafio será, portanto, como os trabalhadores, as empresas e as instituições educacionais podem se adaptar a essas mudanças. A linha de frente nas discussões sobre o futuro do trabalho deve se concentrar em requalificação e estratégias de adaptação, em vez de polarização entre medo e otimismo.
O cenário atual apresenta um paradoxo: embora a tecnologia quebre barreiras e ofereça novas soluções, aquelas profissões que ainda não se adaptaram à evolução da IA correm o risco de serem deixadas para trás em um mercado cada vez mais competitivo. Para aqueles que estão dispostos a aprender e evoluir, novas oportunidades prometem um futuro mais brilhante. Contudo, a resistências e o medo de mudança não podem ser subestimados. A capacidade das pessoas de se requalificarem e se adaptarem será crucial para garantir que a transição para um mercado de trabalho mais dependente da IA seja gerida de maneira suave.
Em suma, a previsão de Andrew Yang sobre a eliminação de empregos não deve ser vista como uma simples advertência de um futuro sombrio, mas sim como um chamado à ação para que empresas e trabalhadores estejam prontos para os desafios que a automação trará. A busca por um equilíbrio entre a adoção de novas tecnologias e o suporte adequado aos trabalhadores pode definir o futuro do trabalho nos próximos anos, afirmando a necessidade de um diálogo contínuo sobre como a inteligência artificial moldará não apenas o cenário econômico, mas também as vidas das pessoas que nele atuam.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, Valor Econômico
Detalhes
Andrew Yang é um político e empresário americano, conhecido por sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em 2020. Ele se destacou por suas propostas inovadoras, incluindo a ideia de Renda Básica Universal, e por sua ênfase no impacto da tecnologia e da automação na economia. Yang se tornou uma voz proeminente nas discussões sobre o futuro do trabalho, defendendo a necessidade de adaptação às mudanças trazidas pela inteligência artificial.
Resumo
Andrew Yang, ex-candidato à presidência dos EUA, alertou que a inteligência artificial (IA) pode eliminar milhões de empregos de colarinho branco nos próximos 12 a 18 meses. Yang, conhecido por discutir o impacto da tecnologia na economia, enfatiza a rápida evolução da IA como um fator disruptivo no mercado de trabalho. Suas afirmações geraram debates entre especialistas, com alguns acreditando na rápida implementação da automação, enquanto outros apontam para barreiras que dificultam mudanças imediatas. A história da automação mostra que, embora algumas funções possam desaparecer, novas oportunidades também surgem. Críticos de Yang argumentam que a IA pode transformar a natureza do trabalho, aumentando a produtividade em vez de eliminar empregos. No entanto, há preocupações sobre a desadaptação dos trabalhadores que não adotarem novas tecnologias. O verdadeiro desafio será como trabalhadores, empresas e instituições educacionais se adaptam a essas mudanças, enfatizando a importância da requalificação e do diálogo contínuo sobre o futuro do trabalho em um cenário cada vez mais automatizado.
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