16/01/2026, 16:02
Autor: Felipe Rocha

O famoso duo norueguês Ylvis, conhecido mundialmente por seu hit “The Fox (What Does the Fox Say?)”, tomou uma decisão polêmica ao se retirar do Melodi Grand Prix (MGP) 2024. Esta competição é nacional e serve como seletiva para o Eurovision Song Contest, um dos maiores festivais de música do mundo, que reúne artistas de diversos países europeus. O motivo da saída deles está diretamente relacionado à participação de Israel no evento, cuja presença tem causado descontentamento e protestos por parte de vários artistas e fãs.
A decisão do Ylvis reflete uma tendência crescente entre músicos e artistas que se posicionam contra a participação de Israel em eventos culturais internacionais, especialmente no contexto de tensões políticas e sociais. A situação tem se intensificado nos últimos anos, e a reação do público contra Israel, por suas políticas em relação à Palestina, tem levado a um boicote deliberado a seus representantes. Recentemente, várias nações também se manifestaram, com artistas de países como Portugal e Polônia afirmando que não se inscreveriam no Eurovision se Israel fosse um participante.
O MGP 2024 foi marcado por uma série de controvérsias e protestos, tornando-se um espaço onde questões políticas e sociais emergem. Sob a liderança da NRK, a emissora estatal norueguesa, o festival viu sua história se entrelaçar com incidentes que deixaram o público dividido. O tumulto organizacional durante o evento, que incluiu situações de nepotismo, boicotes e debates inflamados, culminou em uma audiência tensa e repleta de críticas.
Um dos comentários que circulou online destaca a insatisfação com a NRK, mencionando casos passados que geraram polêmica e que reforçam uma percepção crítica sobre a gestão da emissora em eventos culturais. Outros participantes do festival expressaram preocupação com a viabilidade dos artistas que se esforçam para subir ao palco, intensificando o drama do evento. "Me importa com os artistas que estão se preparando para isso e colocando seu esforço nessa competição, e isso só me faz respeitá-los ainda mais", afirmou um usuário. Essa perspectiva evidencia o dilema enfrentado por artistas que anseiam por reconhecimento internacional, mas que se veem obrigados a lidar com a complexidade do cenário político atual.
Os protestos a favor da retirada do Ylvis e de outros artistas ressaltam a polarização em torno do Eurovision. "É sempre maravilhoso ver pessoas defendendo o que é bom. Se os poderosos se recusam a ter coragem, que fiquem sem música, sem literatura, sem educação, sem cultura", comentou um internauta, introduzindo uma reflexão crítica sobre a responsabilidade que a arte e os artistas têm em relação às suas escolhas.
Desde que a NRK anunciou a participação de Israel no Eurovision, a nova edição do MGP se tornou um caldeirão para debates sobre a ética e a responsabilidade na arte e na cultura. As atuações que se desenrolaram têm sido constantemente testadas pela pressão dos valores que representam. A crítica à série de eventos de 2024 é apenas uma extensão do que vem acontecendo na cena de festivais de música, onde as questões políticas frequentemente eclipsam a essência da competição musical.
Neste ambiente, muitos apoiadores do Ylvis expressaram esperanças de que sua posição tenha um efeito cascata, incentivando outros artistas a se manifestar contra a participação de países cujas ações políticas são vistas como avassaladoras. "Que bom ver alguém do meu país com culhões. Israel não deveria ser permitido participar do ESC este ano", declarou outro fã, enfatizando uma voz crescente que questiona o papel de eventos como o Eurovision diante das injustiças globais. A acidificação desse clima artístico se transforma em um convite à reflexão a todos os envolvidos — sejam artistas, organizadores ou fãs.
Esta decisão do Ylvis, portanto, não é apenas uma abdicação de uma oportunidade de se apresentar em um dos maiores palcos musicais do mundo. É uma declaração política clara que evidencia um desejo de que festivais e competições artísticas sejam realizados de maneira responsável e ética, respeitando as tensões e realidades políticas do mundo em que vivemos. À medida que a repercussão da saída do grupo se espalha, a conversa sobre o Eurovision e sua interação com questões sociais certamente continuará, fazendo ecoar as vozes que exigem uma reflexão mais profunda sobre a ligação entre arte, política e responsabilidade.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC, The Guardian
Detalhes
Ylvis é um duo musical norueguês composto pelos irmãos Vegard e Bård Ylvisåker, conhecidos mundialmente pelo viral "The Fox (What Does the Fox Say?)", lançado em 2013. O sucesso da música os catapultou para a fama internacional, levando a uma série de aparições em programas de televisão e eventos musicais. Além da música, o duo é reconhecido por seu humor e criatividade, frequentemente misturando comédia e música em suas produções.
Resumo
O duo norueguês Ylvis, famoso pelo sucesso “The Fox (What Does the Fox Say?)”, decidiu se retirar do Melodi Grand Prix (MGP) 2024, competição que serve como seletiva para o Eurovision Song Contest. A saída é uma resposta à participação de Israel no evento, que gerou protestos entre artistas e fãs, refletindo uma tendência de boicote a Israel em eventos culturais internacionais devido a suas políticas em relação à Palestina. O MGP 2024 tem sido marcado por controvérsias, incluindo nepotismo e debates acalorados, sob a organização da NRK, a emissora estatal norueguesa. A decisão do Ylvis é vista como uma declaração política que busca promover uma discussão sobre a responsabilidade ética na arte e na cultura. O apoio ao duo pode inspirar outros artistas a se manifestar contra a participação de países com ações políticas controversas, evidenciando a interseção entre música e questões sociais. A repercussão da saída do grupo promete continuar a alimentar o debate sobre a relação entre arte e política no contexto do Eurovision.
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