27/02/2026, 18:52
Autor: Ricardo Vasconcelos

Na última terça-feira, 31 de outubro de 2023, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou um tema controverso durante uma coletiva de imprensa: a possibilidade de uma "absorção amigável" de Cuba. A declaração, feita em conversa com o Senador Marco Rubio, ecoa a Doutrina Monroe e reabre debates sobre as intenções da administração americana em relação a nações soberanas da América Latina, especialmente em um contexto de história marcada por intervenções das potências ocidentais na região.
A polêmica em torno dessas afirmações aumentou rapidamente após a coletiva, com muitos críticos considerando a ideia de uma "absorção amigável" como uma nova forma de colonialismo. Historicamente, Cuba tem sido um foco da política externa dos Estados Unidos, especialmente devido à sua proximidade geográfica e aos laços da ilha com outros regimes comunistas. A retórica utilizada por Trump ressoou com aqueles que acreditam que os EUA têm uma responsabilidade política e moral de agir em defesa de suas influências na região, mas também suscita graves preocupações entre defensores da soberania cubana.
Nos comentários que surgiram em resposta às declarações, diversas vozes expressaram incredulidade e frustração. Alguns sugeriram que a proposta era uma forma de Trump tentar mudar o foco de questões mais prementes, como a crise do petróleo na Venezuela e as inúmeras questões internas da política americana. Uma das críticas mais incisivas afirmava que Trump estava apenas desempenhando um papel com os olhos voltados para o eleitorado cubano-americano na Flórida, um grupo demográfico significativo que poderia influenciar o resultado das próximas eleições.
Por outro lado, alguns defendem que o diálogo entre os governos é uma abordagem necessária, embora complexa, em um cenário onde o fim do embargo econômico e a normalização de relações poderiam trazer benefícios para os cubanos. Nesse contexto, os comentários de que Cuba deveria "conversar com o Canadá" em vez de buscar alinhamento com os EUA foram frequentes, sugerindo uma alternativa mais pacífica e diplomática.
Entretanto, o governo cubano rapidamente se posicionou, negando que estivesse em discussões de alto nível com os EUA. Através de um comunicado oficial, reafirmaram sua soberania e destacaram que não há interesse em negociações que visem a sua absorção. Com isso, torna-se evidente que as palavras de Trump não apenas ecoam promessas de campanha, mas também refletem uma ideia de expansão territorial que muitos consideram retrógrada e prejudicial às relações da América Latina com os EUA.
Analisando a história recente, é importante lembrar que qualquer proposta de "absorção" é cercada pela memória da intervenção americana em países da região que resultaram em governos de direita e em longas crises políticas. Nos anos 60, a invasão da Baía dos Porcos foi um dos exemplos mais emblemáticos do desprezo de Washington pela autodeterminação dos povos latino-americanos. Nesse sentido, o aviso de que o diálogo deve ser um caminho mais respeitoso ressoa entre muitos analistas políticos.
Além da retórica de Trump, a preocupação com a soberania de Cuba é acompanhada de uma análise do impacto que uma possível mudança nas políticas americanas poderia ter na eleição de 2024. Vários comentaristas sugeriram que a administração está direcionando esforços para agradar à comunidade cubano-americana, que, historicamente, vota em massa em candidatos que prometem uma postura firme contra o regime cubano.
Entretanto, o que mais gera debates é o real entendimento das intenção de Trump ao utilizar essa terminologia nas suas declarações. A simples proposta de "absorção" pode também ser vista como uma estratégia para revitalizar seu apoio entre eleitores que estão preocupados com os assuntos latinos, especialmente aqueles que seguem a tradição de uma política externa intervencionista.
À medida que a reação pública continua a se desenrolar, fica evidente que, na política atual, a história, as emoções e a diplomacia estão intrinsecamente ligadas. A ideia de uma 'absorção amigável' imediatamente evoca um passado de colonialismo e intervenção, e a administração Trump precisa navegar cuidadosamente por essas águas turbulentas. Resta à política internacional observar os desdobramentos, enquanto a sociedade civil continua a debater o que essa proposta pode significar para o futuro de Cuba e do seu povo.
Fontes: O Globo, Folha de São Paulo, BBC News, The New York Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano, conhecido por ter sido o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua carreira política, ele foi um magnata do setor imobiliário e uma figura proeminente na mídia, especialmente como apresentador do reality show "The Apprentice". Suas políticas e retórica frequentemente polarizadoras geraram debates acalorados tanto nos EUA quanto internacionalmente.
Resumo
Na última terça-feira, 31 de outubro de 2023, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordou a possibilidade de uma "absorção amigável" de Cuba durante uma coletiva de imprensa com o Senador Marco Rubio. A declaração gerou polêmica, reabrindo debates sobre as intenções da administração americana em relação à soberania de nações latino-americanas, especialmente considerando a história de intervenções dos EUA na região. Críticos interpretaram a proposta como uma nova forma de colonialismo, enquanto defensores argumentaram que o diálogo poderia ser benéfico. O governo cubano rapidamente negou qualquer interesse em negociações que visem sua absorção, reafirmando sua soberania. A retórica de Trump também levantou preocupações sobre sua estratégia política, especialmente em relação ao eleitorado cubano-americano na Flórida, um grupo demográfico significativo para as próximas eleições. A proposta de "absorção" evoca memórias de intervenções passadas e destaca a necessidade de um diálogo respeitoso e diplomático entre os países, enquanto a sociedade civil continua a debater as implicações para o futuro de Cuba.
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