15/02/2026, 17:36
Autor: Laura Mendes

A recente ascensão do ex-presidente Donald Trump à política e o seu impacto nas tradições religiosas tem levantado um debate intenso sobre a separação entre igreja e estado nos Estados Unidos. Uma controvérsia em curso revela como a influência de Trump nas instituições religiosas, especialmente nas igrejas evangélicas, pode estar moldando um novo tipo de cristianismo, que alguns críticos chamam de cristofascismo. Este fenômeno se desdobra em um contexto onde muitos fiéis se sentem frustrados e alienados das suas igrejas, que cada vez mais promovem uma agenda política ao invés de uma mensagem espiritual.
Nos últimos anos, um número crescente de pessoas revelou seu descontentamento com a postura política de várias igrejas, que têm adotado a retórica do "American Greatness" associada a Trump. A experiência de muitos crentes é marcada pela desilusão, com alguns citando uma difícil busca por comunidades que priorizem a mensagem cristã sobre o envolvimento político. A busca por congregações que abordem os ensinamentos de Jesus, em vez de uma política de ressentimento, têm se tornado uma constante entre os fiéis. Essa mudança é vista por alguns como uma resposta a um sentimento generalizado que as frentes religiosas estão se distanciando de suas raízes espirituais e se tornando veículos de uma agenda política conservadora.
Como resultado, a situação tem gerado um espaço fértil para críticas contundentes. Muitos apontam que essa nova forma de cristianismo distorce os conceitos fundamentais do cristianismo, transformando a religião em um trunfo político. A percepção é de que, com a ascensão de Trump, a barreira que historicamente separava a igreja do estado está se tornando cada vez mais tênue e representa, por muitos aspectos, um "vandalismo constitucional". Os críticos afirmam que esta invasão dos assuntos políticos nas esferas religiosas pode prejudicar a credibilidade e o futuro da religião entre as novas gerações.
Vários comentários de fiéis refletem o receio de que a renda das igrejas seja comprometida por essa dinâmica. O fenômeno de membros de longa data se afastando de suas congregações por não se sentirem mais confortáveis diante da política impregnada nas mensagens dominicais é um sinal claro de que essa interseção entre a fé e a política pode ter consequências financeiras e sociais. Essa evolução tem gerado desconfiança e um afastamento entre as comunidades religiosas que, por anos, serviram de abrigo para indivíduos em busca de fé e espírito comunitário.
O aclamado sociologista da religião, que estuda o impacto de líderes políticos nas crenças religiosas, ressalta que o contexto atual transmite uma mensagem clara: a política pode estar moldando novas ideologias religiosas, mas a resposta não está apenas na passividade. O antigo entendimento de que as igrejas devem ser apolíticas está sendo colocado em xeque e isso pode ter ramificações duradouras. Essa mudança acendeu um alerta para muitos que ainda acreditam nos ensinamentos tradicionais da fé.
Além disso, uma das inquietações que permeiam a conversa é que alguns defensores da nova ordem religiosa podem vir a explorar essa dinâmica em busca de lucros. A ideia de que Trump poderia criar uma "Igreja Trump" a fim de acumular riquezas e fomentar uma espécie de culto à personalidade é um presságio que assusta muitos. Os críticos argumentam que isso já se configura como uma desconstrução do papel espiritual que a igreja deveria ter, tornando-a em uma simples arma de manipulação e controle.
Sociólogos também observam que a atual cultura de ressentimento pode ter um grande impacto na juventude. O afastamento da religião por parte dos mais novos já começa a aparecer em cenários diferentes, onde se observa uma nova geração mais distante das tradições religiosas, questionando se as práticas de suas comunidades religiosas estão alinhadas com suas crenças e valores. Esse fenômeno parece evidenciar uma desconexão entre um sistema de crenças que não se coaduna mais com a visão de mundo mais abrangente que muitos jovens têm.
Nessa busca pela reconexão espiritual, alguns líderes religiosos estão se esforçando para reverter essa tendência, enfatizando uma mensagem mais inclusiva e menos polarizada. Há um reconhecimento crescente de que as tradições religiosas não devem sucumbir à exploração política. Especialistas em ética e práticas de fé clamam por um retorno às raízes dos princípios cristãos, que enfatizam amor, compaixão e entendimento, em vez de divisões baseadas em afiliações políticas.
À medida que essa dinâmica avança, a intersecção entre religião e política nos Estados Unidos se torna cada vez mais crítica. É, talvez, um chamado para a reflexão profunda sobre como as instituições religiosas se posicionarão no futuro e qual legado as geração presente deseja deixar para aqueles que ainda estão por vir. Se a tendência continuar, seria prudente observar atentamente a transformação do papel da religião no espectro social e político dos Estados Unidos.
Fontes: The New York Times, BBC News, The Guardian
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano, conhecido por ter sido o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua carreira política, Trump ganhou notoriedade como magnata do setor imobiliário e personalidade da televisão. Sua presidência foi marcada por políticas controversas, retórica polarizadora e um forte apoio entre os eleitores evangélicos, o que gerou debates sobre a relação entre religião e política nos EUA.
Resumo
A ascensão do ex-presidente Donald Trump à política está gerando um intenso debate sobre a separação entre igreja e estado nos Estados Unidos. Sua influência nas igrejas evangélicas está moldando um novo tipo de cristianismo, criticado por alguns como cristofascismo. Muitos fiéis expressam descontentamento com a postura política de suas congregações, que têm promovido uma agenda política em vez de uma mensagem espiritual. Essa mudança tem levado à desilusão e à busca por comunidades que priorizem os ensinamentos de Jesus. A interseção entre fé e política tem suscitado críticas, com a percepção de que a religião está se tornando um instrumento político. A preocupação é que essa dinâmica possa comprometer a credibilidade da religião entre as novas gerações e impactar financeiramente as igrejas. Sociologistas alertam que a política pode estar moldando novas ideologias religiosas, enquanto alguns líderes religiosos tentam reverter essa tendência, enfatizando uma mensagem mais inclusiva. A situação atual exige uma reflexão sobre o futuro das instituições religiosas e seu papel na sociedade.
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