15/02/2026, 17:10
Autor: Laura Mendes

Em meio a uma escalada contínua de tensões e violência no Oriente Médio, a congressista americana Alexandria Ocasio-Cortez fez uma declaração contundente durante uma coletiva de imprensa, afirmando que a ajuda militar incondicional dos Estados Unidos a Israel “possibilitou um genocídio em Gaza”. A afirmação surge em um momento em que a morte de civis na região aumentou de forma alarmante, com os primeiros relatórios apontando que, em algumas estimativas, cerca de 60 mil pessoas teriam perdido a vida devido ao conflito. Ocasio-Cortez enfatizou que a assistência militar e financeira, bienalmente aprovada pelo congresso americano, deve vir com condições severas, a fim de evitar que tal atrocidade se repita.
A declaração de Ocasio-Cortez provocou reações diversas. Comentários nas redes sociais indicam uma polarização crescente sobre a questão. Muitos apoiam a afirmação da congressista, incorporando dados sobre o número de mortos e destacando a responsabilidade moral dos EUA em contribuir para o que muitos consideram uma limpeza étnica na região. Outras vozes, no entanto, defendem a posição de Israel, argumentando que o Hamas tem sua parcela de culpa no conflito e no sofrimento dos civis de Gaza, citando ainda que os militantes palestinos devem ser responsabilizados pelas mortes em massa.
A discussão acerca da ajuda dos EUA a Israel é longa e complexa. Desde 1948, os Estados Unidos têm sido um dos principais aliados de Israel, oferecendo bilhões em ajuda anualmente. Este apoio é muitas vezes justificado pela necessidade de manter um aliado estratégico no Oriente Médio, além da crença em valores democráticos e direitos humanos que, segundo defensores, o estado de Israel representa na região. Contudo, a crescente brutalidade do conflito e a evidência de altos índices de mortalidade civil levantam questões sobre a eficácia e a moralidade dessa ajuda.
Como parte do debate, a teoria de que os EUA têm uma participação direta na facilitação do que Ocasio-Cortez descreveu como genocídio não é nova, mas ganhou novas dimensões à medida que as imagens e relatos das consequências dos ataques israelenses se tornaram mais visíveis após os últimos confrontos. Segundo observadores, a definição de genocídio deve ser levada em consideração de forma mais rigorosa, e as Nações Unidas já se manifestaram para investigar possíveis violações de direitos humanos na região.
O ex-presidente Barack Obama já havia tentado, durante sua administração, condicionar parte da ajuda militar a Israel a uma maior consideração pelos direitos dos palestinos, mas essas tentativas frequentemente encontraram resistência tanto de líderes israelenses quanto de setores do próprio governo americano. O atual cenário político, com a ascensão de figuras como Ocasio-Cortez, pode ser indício de uma possível mudança na forma como o Congresso dos EUA discute e aprova a ajuda internacional.
Entretanto, comentários críticos à declaração de Ocasio-Cortez afloraram rapidamente, levando alguns a questionar sua credibilidade e seu conhecimento sobre os dados do conflito. A polarização evidentemente influencia a forma como a população e a mídia reagem às palavras de figuras públicas e seus posicionamentos. Ao mesmo tempo, mesmo entre partes que se opõem à atual administração israelense, a linguagem em torno da questão parece se tornar cada vez mais inflamada.
Ademais, enquanto muitos cidadãos dos EUA começam a se atrair por narrativas que enfatizam a necessidade de um envolvimento ético e responsável no exterior, o descontentamento interno em relação a questões como a desigualdade, clima e infraestrutura ainda dominam a agenda política. Ocasio-Cortez tem sido uma voz ativa não apenas na defesa dos direitos humanos no Oriente Médio, mas também em questões que afetam o cotidiano dos cidadãos americanos, como saúde, emprego e mudança climática. A integração desses temas em sua retórica continua a moldar uma imagem de uma nova geração de políticos que desafiam o status quo.
Em um contexto mais amplo, os efeitos do que ocorre em Gaza repercutem em várias áreas, desde política externa a debates sobre imigração e detenção de refugiados em solo americano. Movimentos sociais e campanhas por justiça, tanto dentro dos Estados Unidos quanto em outras partes do mundo, têm encontrado ressonância em apelos por ajuda humanitária e pela responsabilização de governos que facilitam a violência. Ocasio-Cortez, capturando o sentimento de uma parte significativa da população que teme pelo futuro, pode estar convocando uma mudança necessária em um cenário político que historicamente tem suportado a opressão em nome da segurança.
Enquanto isso, a situação no Oriente Médio permanece crítica, e as vozes defendendo soluções pacíficas e humanísticas enfrentam um grande desafio em um clima de guerra e violência que parece não encontrar solução fácil ou rápida.
Fontes: Folha de São Paulo, The New York Times, Agência EFE.
Detalhes
Alexandria Ocasio-Cortez é uma congressista dos Estados Unidos, representando o 14º distrito de Nova York desde 2019. Membro do Partido Democrata, Ocasio-Cortez é conhecida por suas posições progressistas em questões como justiça social, mudanças climáticas e direitos humanos. Ela ganhou notoriedade ao vencer um veterano democrata nas primárias de 2018, destacando-se como uma figura influente entre a nova geração de políticos que desafiam o status quo.
Resumo
Em meio ao aumento da violência no Oriente Médio, a congressista americana Alexandria Ocasio-Cortez declarou que a ajuda militar incondicional dos EUA a Israel "possibilitou um genocídio em Gaza", em resposta ao alarmante número de mortes civis, estimadas em cerca de 60 mil. Sua afirmação gerou reações polarizadas nas redes sociais, com apoiadores enfatizando a responsabilidade moral dos EUA e críticos defendendo a posição de Israel e a culpa do Hamas. A discussão sobre a ajuda americana a Israel é complexa e remonta a 1948, com bilhões em assistência anual justificados pela necessidade de um aliado estratégico. Ocasio-Cortez sugere que essa ajuda deve ser condicionada a considerações sobre os direitos palestinos, uma ideia que já foi tentada por Barack Obama, mas frequentemente rejeitada. A polarização em torno do tema reflete a crescente insatisfação com a abordagem tradicional da política externa dos EUA, enquanto Ocasio-Cortez continua a ser uma voz ativa em questões de direitos humanos e justiça social, buscando uma mudança na narrativa política.
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