Taxas de hipoteca nos EUA caem abaixo de 6% mas demanda permanece fraca

As taxas médias de hipoteca nos Estados Unidos caíram para menos de 6%, mas a falta de oferta continua a ser um obstáculo significativo para a recuperação do mercado habitacional.

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27/02/2026, 07:27

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem de uma família feliz em frente à sua nova casa, com porões e quintais. No fundo, há corretores imobiliários discutindo animadamente enquanto seguram smartphones com gráficos de taxas de juros. O ambiente deve ser ensolarado e vibrante, sugerindo uma sensação de otimismo e novas oportunidades no mercado imobiliário.

As taxas de hipoteca nos Estados Unidos apresentam uma tendência de queda, atingindo uma média de 5,98% esta semana, a primeira vez em três anos e meio que esse nível foi alcançado. De acordo com a Freddie Mac, essa redução no custo do financiamento pode ser considerada um sinal positivo, especialmente quando comparada à taxa de 6,76% do ano passado. No entanto, especialistas do setor alertam que essa melhora nas taxas por si só pode não ser suficiente para desencadear um aumento significativo na demanda por habitação, a menos que a oferta de imóveis disponíveis também aumente.

Economistas ressaltam que a relação entre taxas de juros e preços de casas não é linear. Embora uma redução nas taxas geralmente sinalize acesso facilitado a financiamentos e possa aumentar o interesse em comprar imóveis, a estabilidade do mercado depende de um equilíbrio entre oferta e demanda. Atualmente, o mercado enfrenta desafios de inventário, com muitos compradores em potencial hesitando em entrar no mercado devido à elevada competitividade e preços das propriedades.

Um dos fatores que geram preocupação é o ponto de equilíbrio na compra de uma casa, especialmente para compradores de primeira viagem. A expectativa se torna ainda mais complicada quando se considera a entrada exigida. Com taxas de juros historicamente altas, muitos compradores se vêem "underwater", ou seja, em situação em que o valor da casa comprada é menor do que o montante devido ao banco. Tal condição pode inibir a mobilidade dos proprietários, que preferem não vender suas casas com taxas de hipoteca mais baixas para adquirir novas propriedades a custos significativamente mais altos.

Além disso, estratégias tradicionais de compra e aluguel são frequentemente discutidas entre potenciais proprietários. Olhando para os cálculos de custo-benefício, muitos consultores financeiros recomendam que as pessoas analisem o preço do aluguel em comparação com os custos de propriedade. A regra geral sugere que, se o aluguel anual é inferior a 5% do preço da casa, pode ser mais vantajoso alugar. Essa abordagem é especialmente relevante em áreas onde os preços das casas são elevados, mas o aluguel permanece acessível.

A complexidade do mercado imobiliário atual também se reflete nas decisões dos proprietários existentes. Muitos que garantiram taxas de hipoteca em níveis historicamente baixos, como 2,75% ou 3%, relutam em vender suas casas para evitar encarar novos juros na faixa de 6%. Esse fenômeno resulta em um engessamento ainda maior do mercado, uma vez que aqueles que poderiam vender suas propriedades e se mudar para outras casas permanecem em suas residências, incapazes de se tornar vendedores.

O impacto da inflação e da dinâmica econômica também não pode ser ignorado. A crescente pressão nos preços e nos custos de vida, aliada a taxas de juros flutuantes e aumentos significativos nos preços de produtos para o lar, obriga os potenciais compradores a reconsiderar suas decisões. Além das taxas de juros, custos adicionais como impostos sobre propriedades e taxas de associação de moradores devem ser levados em conta ao calcular o custo total de possuir uma casa.

As tendências demográficas, por sua vez, também desempenham um papel fundamental nas decisões de compra. Os millennials e a geração Z, que agora são uma parte significativa do público comprador, têm atitudes diferentes em relação à propriedade em comparação com gerações anteriores. Com prioridades que muitas vezes incluem a mobilidade e a experiência de vida em relação à acumulação de bens, esses grupos estão mais inclinados a alugar, especialmente em um mercado onde a oferta é escassa e os preços estão elevados.

Por fim, o cenário atual sugere que, mesmo com a queda nas taxas de juros, a recuperação do mercado de habitação nos EUA ainda é incerta. Embora muitos economistas vejam potencial para uma melhora à medida que as taxas continuam a se normalizar, a necessidade de um aumento na oferta de imóveis é crítica. Até que esse equilíbrio seja encontrado, a negociação entre comprar e alugar permanecerá em evidência, refletindo as tensões de uma economia em transformação e a dinâmica de um mercado imobiliário repleto de incertezas.

Fontes: Reuters, Freddie Mac

Resumo

As taxas de hipoteca nos Estados Unidos caíram para uma média de 5,98%, o que representa a primeira vez em três anos e meio que esse nível foi alcançado, segundo a Freddie Mac. Apesar dessa redução, especialistas alertam que isso pode não ser suficiente para aumentar a demanda por habitação, a menos que a oferta de imóveis também cresça. A relação entre taxas de juros e preços de casas é complexa, e muitos compradores hesitam em entrar no mercado devido à elevada competitividade e preços altos. Além disso, muitos proprietários que garantiram taxas de hipoteca baixas relutam em vender, o que limita ainda mais a oferta. A inflação e o aumento dos custos de vida também influenciam as decisões dos compradores, que precisam considerar não apenas as taxas de juros, mas também custos adicionais como impostos e taxas de associação. As novas gerações, como millennials e geração Z, têm prioridades diferentes em relação à propriedade, mostrando-se mais inclinadas a alugar em um mercado com oferta escassa e preços elevados. A recuperação do mercado imobiliário permanece incerta, dependendo de um equilíbrio entre oferta e demanda.

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