04/04/2026, 23:33
Autor: Laura Mendes

Neste sábado, três províncias do norte da Tailândia, incluindo Chiang Mai, Lamphun e Phayao, foram oficialmente declaradas zonas de desastre em decorrência da grave poluição do ar que assola a região. A declaração permite que os governadores provinciais tenham acesso a fundos de emergência para mitigar os impactos dessa situação preocupante. A poluição do ar na área tem atingido níveis alarmantes, tornando-se uma preocupação para a saúde pública, especialmente após um relatório que apontou Chiang Mai como a cidade mais poluída do mundo pelo quinto dia consecutivo, segundo dados da iQAir, uma empresa suíça que monitora a qualidade do ar em tempo real.
Neste último sábado, a leitura do índice de qualidade do ar na cidade estava em 206, um nível considerado muito não saudável, com os níveis de partículas finas PM2.5 alcançando 131 microgramas por metro cúbico, expressivamente superior ao limite seguro estabelecido pelo governo tailandês, que é de 37,5 microgramas por metro cúbico. Esse cenário se agrava com a continuidade de incêndios florestais na região, que têm contribuído para a intensificação da poluição. Os incêndios, muitas vezes causados por práticas agrícolas tradicionais, como a queima de palha de arroz e outras atividades de corte e queima, não são novos na região. Observadores apontam que essas práticas, por sua vez, não se restringem apenas à Tailândia, mas envolvem também os países vizinhos, contribuindo ainda mais para a deterioração da qualidade do ar na área.
Unsit Sampuntharat, secretário permanente do Ministério do Interior tailandês, anunciou as medidas de emergência em uma atualização sobre a gestão de incêndios florestais e a poluição por poeira fina, que afeta um total de 17 províncias no norte do país. O secretário destacou a gravidade da situação e a necessidade urgente de ação governamental para proteger a saúde da população. Para muitos moradores que vivem na região há anos, essa é uma realidade alarmante que se repete anualmente, exacerbando problemas de saúde respiratória e outras complicações. Um residente que viveu na região por cerca de uma década comentou como a poluição atingiu novos patamares este ano, resultando em tosse persistente e desconforto geral.
A comunidade local expressa suas preocupações sobre os motivos subjacentes para o agravamento da poluição, apontando tanto para práticas agrícolas quanto para a poluição gerada por veículos e indústrias nas áreas urbanas, especialmente em cidades como Bangkok. A conexão das épocas do ano, a atividade agrícola e as práticas que devem ser regularizadas são pontos debatidos por moradores e ambientalistas, que clamam por intervenções mais rigorosas do governo. Existe uma pressão crescente para que medidas sejam adotadas para conter as práticas ilegais de queima agrícola e a promoção de alternativas mais sustentáveis para os agricultores.
Além dos desafios imediatos enfrentados pelos residentes, as consequências da poluição em cidades como Chiang Mai levantam questões sobre a saúde pública, turismo e as economias locais, que dependem da atração de visitantes na alta temporada, que geralmente segue uma alta carga de poluentes no ar. A deterioração da qualidade do ar não apenas prejudica a saúde dos habitantes, mas também coloca em risco o bem-estar de turistas que visitam os inigualáveis cenários naturais e culturais da região.
A preocupação em relação à poluição do ar na Tailândia coincide com um movimento global cada vez mais forte em prol do combate à emergência climática e suas repercussões diretas sobre a saúde humana. Organizações de saúde pública e ambientalistas estão clamando por uma maior conscientização sobre os riscos que a poluição do ar representa, além da implementação de políticas que priorizem a saúde e o bem-estar da população.
À medida que as autoridades trabalham para combater os incêndios e atenuar a poluição, a situação em Chiang Mai serve como um lembrete grave das consequências das práticas agrícolas prejudiciais e da necessidade de uma abordagem mais sustentável e coordenada para a gestão ambiental na Tailândia. Os próximos dias e semanas serão cruciais para a criação de um plano eficaz que não só enfrente a crise imediata, mas também promova um futuro mais saudável para todos os habitantes da região.
Fontes: BBC, The Guardian, iQAir
Detalhes
A iQAir é uma empresa suíça especializada em monitoramento da qualidade do ar. Fundada em 2007, a empresa fornece dados em tempo real sobre a poluição do ar em diversas cidades ao redor do mundo, ajudando a aumentar a conscientização sobre os riscos à saúde associados à má qualidade do ar. Além de suas ferramentas de monitoramento, a iQAir também desenvolve soluções para purificação do ar e promove iniciativas para melhorar a qualidade do ar globalmente.
Resumo
Neste sábado, três províncias do norte da Tailândia, incluindo Chiang Mai, Lamphun e Phayao, foram declaradas zonas de desastre devido à grave poluição do ar. Essa declaração permite acesso a fundos de emergência para mitigar os impactos da situação, que se agravou com a cidade de Chiang Mai sendo considerada a mais poluída do mundo por cinco dias consecutivos, segundo a iQAir. O índice de qualidade do ar na cidade chegou a 206, um nível muito não saudável, com partículas finas PM2.5 em 131 microgramas por metro cúbico, muito acima do limite seguro de 37,5 microgramas. Os incêndios florestais, frequentemente causados por práticas agrícolas, têm intensificado a poluição. O secretário do Ministério do Interior, Unsit Sampuntharat, destacou a urgência de ações governamentais para proteger a saúde da população. Moradores expressam preocupações sobre as causas da poluição, incluindo práticas agrícolas e emissões urbanas. A deterioração da qualidade do ar afeta não apenas a saúde local, mas também o turismo e a economia da região, levantando questões sobre a necessidade de uma abordagem mais sustentável na gestão ambiental.
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