17/01/2026, 05:24
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um cenário onde as tensões comerciais entre as maiores economias do mundo estão em alta, o senador Brian Schatz, do Havai, fez recentemente declarações contundentes sobre o acordo comercial recém-assinado entre China e Canadá. Durante uma postagem na plataforma social X, Schatz identificou o acordo como uma "falha grave na política externa dos EUA", destacando que os interesses econômicos dos americanos podem ser severamente prejudicados à medida que nações buscam novos aliados comerciais em tempos de guerras tarifárias, tornando a relação entre os países cada vez mais complexa e tensa.
Aos olhos do senador, a estratégia de pressão econômica exercida pela administração Trump resultou em uma ruptura de lealdade entre aliados, levando o Canadá a buscar novas parcerias que podem comprometer a competitividade dos produtos norte-americanos. Ele enfatizou que "nós simplesmente fomos completamente enrolados nesse acordo Canadá – China", evidenciando uma noção de frustração com a forma como a estratégia comercial dos EUA tem sido conduzida. O acordo, que elimina tarifas de 100% sobre veículos elétricos (EVs) chineses e permite um aumento significativo na importação desses veículos, é visto como um movimento estratégico para baixar as tarifas chinesas sobre produtos agrícolas canadenses.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, descreveu a visita ao continente asiático como histórica, destacando que a nova parceria estratégica criada abrirá oportunidades massivas para os cidadãos canadenses. Esse novo cenário levanta a questão sobre o papel dos EUA em um mundo onde outros países, como a China, buscam se estabelecer como parceiros comerciais mais confiáveis. A declaração de Carney de que “a China é mais confiável do que os Estados Unidos” não só repercute na política comercial, mas também nas relações internacionais de uma maneira que pode desestabilizar a tradicional influência americana sobre seus aliados.
A repercussão sobre o acordo entre os especialistas em política externa e economia está longe de ser unânime. Enquanto alguns veem a mudança como uma oportunidade perdida para os EUA, outros argumentam que a administração Trump simplesmente não conseguiu adaptar sua estratégia para as novas realidades do comércio global. Um dos comentários mais contundentes destaca que o tratamento dado aos aliados pode, eventual e rapidamente, resultar em uma história de deslealdade - “se você não tratar seus aliados bem, eles não serão seus aliados”, ponderou um usuário.
Essa mudança nas dinâmicas comerciais é um reflexo das consequências diretas da política americana atual e das guerras tarifárias, que só aumentaram a incerteza no comércio internacional. Além disso, o comentário de que o soft power dos EUA, tradicionalmente forte, parece estar em queda, sugere que a reputação americana como uma potência econômica está sendo afetada, tornando-se um circo que, a princípio, se volta contra seus cidadãos. A percepção de que os EUA são vistos globalmente como "maus, agressivos, fascistas e valentões" em contrapartida à imagem da China como uma presença comercial "estável" aponta para uma mudança significativa no balanço das relações internacionais.
Chantagens e manipulações políticas são frequentemente observadas nesse jogo intermediário, e a surpresa com a crescente aproximação da China com Canadá e outras nações pode ser um sintoma de uma doença maior que aflige as relações diplomáticas e comerciais dos EUA. Em um momento em que a China está reestabelecendo seu soft power e ganhando boa vontade ao redor do mundo, a Administração Trump continua a se deparar com o desafio de restaurar uma imagem positiva e relações de confiança com seus aliados.
Enquanto o cenário atual se desenrola, fica a dúvida: até onde os EUA irão para recuperar seu status como um líder confiável no comércio internacional? Para Schatz, a resposta está nas ações que os governantes tomarem nas próximas semanas e meses. Entretanto, o futuro pode ser incerto. A atual administração precisa considerar a importância de ser um aliado respeitável e cooperativo, ou arriscar perder ainda mais sua influência em um mundo cada vez mais interconectado e competitivo. Estar em um buraco "novinho em folha", como mencionado por outros críticos, somente reforça a necessidade urgente de um reexame na política externa americana, antes que seja tarde demais para reparar a relação com aliados essenciais como o Canadá e outros parceiros estratégicos.
A situação continua a evoluir e, à medida que novos acordos comerciais são forjados e as relações internacionais se adaptam, o foco deve ser na construção de estratégias sólidas que não apenas atendam às necessidades de curto prazo, mas que também solidifiquem parcerias a longo prazo, numa era de mudança global sem precedentes.
Fontes: The New York Times, Washington Post, Reuters
Detalhes
Brian Schatz é um político americano, membro do Partido Democrata, e senador pelo Havai desde 2012. Ele é conhecido por sua defesa de políticas progressistas, incluindo questões relacionadas ao meio ambiente, saúde e direitos civis. Schatz tem se destacado na discussão sobre a política externa dos EUA e suas implicações econômicas.
Mark Carney é um economista canadense e ex-governador do Banco da Inglaterra. Ele também foi governador do Banco do Canadá e é conhecido por seu papel na formulação de políticas econômicas e financeiras. Carney tem se envolvido em discussões sobre mudanças climáticas e a transformação da economia global.
Resumo
Em meio a crescentes tensões comerciais globais, o senador Brian Schatz, do Havai, criticou o recente acordo comercial entre China e Canadá, considerando-o uma "falha grave na política externa dos EUA". Ele argumentou que a estratégia de pressão econômica da administração Trump levou o Canadá a buscar novos aliados, o que pode prejudicar a competitividade americana. O acordo elimina tarifas sobre veículos elétricos chineses e aumenta as importações desses produtos, enquanto o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, descreveu a parceria como histórica e vantajosa para os cidadãos canadenses. A declaração de Carney de que "a China é mais confiável do que os Estados Unidos" ressalta a crescente desconfiança nas relações internacionais. Especialistas divergem sobre as implicações do acordo, com alguns vendo uma oportunidade perdida para os EUA. A política americana atual e as guerras tarifárias estão criando incertezas no comércio internacional, enquanto a imagem dos EUA como potência econômica parece estar em declínio. A administração Trump enfrenta o desafio de restaurar a confiança de seus aliados, especialmente em um cenário onde a China se fortalece como parceiro comercial.
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