Traição política dos EUA revela abandono de aliados no Oriente Médio

A política externa americana historicamente abandona aliados após prometer apoio em crises, uma prática que se intensificou com a era Trump.

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17/01/2026, 00:28

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma representação dramática da traição percorrendo um mapa do Oriente Médio, com imagens de líderes políticos de diversas épocas, como George H.W. Bush e Donald Trump. O fundo é uma mistura de explosões e protestos, simbolizando a confusão e o caos na política externa americana. Uma sombra se sobrepõe, simbolizando a incerteza e traição que pesam sobre os aliados dos EUA, como iranianos e curdos.

No contexto da complexa política do Oriente Médio, uma análise atual propõe que as traições da política externa dos Estados Unidos, especialmente sob a presidência de Donald Trump, revelam um padrão preocupante de abandono de aliados. Esse fenômeno não é novo, remontando a eventos marcantes na história recente da política americana. A retórica frequentemente levanta esperanças de liberdade e solidariedade, mas a realidade geopolítica tende a ser muito mais pragmática e, em muitos casos, cruel.

Um exemplo emblemático é a Operação Tempestade no Deserto em 1991, quando o então presidente George H.W. Bush incentivou o povo iraquiano a se levantar contra Saddam Hussein, prometendo apoio ao que poderia ser visto como uma revolução popular. Contudo, após o levante, o governo americano não só se afastou como tomou medidas ativas para impedir que os rebeldes recebesse o suporte necessário para derrubar o regime de Hussein. Esse abandono resultou na morte de decenas de milhares de iraquianos, demonstrando como o discurso otimista pode se contrastar brutalmente com a ação.

Ao refletir sobre esse episódio, a crítica à política externa dos EUA se concentra em como a retórica da liberdade e da autonomia se mostra frequentemente vazia, forçando aqueles que acreditaram nas promessas a enfrentar as consequências terríveis do desapontamento. A defesa de Bush, que alegou que os Estados Unidos não haviam insinuado um compromisso militar com os rebeldes, ressoa com as queixas atuais sobre a administração de Trump, cujas ações têm gerado frustração e desconfiança entre os aliados tradicionais dos Estados Unidos. É notório que a política externa tende a operar em duas frentes: uma retórica, que é provocadora e idealista, e outra estratégica, que geralmente se alinha com interesses imediatos.

A atual administração de Trump, em particular, exemplifica um inflexão nesta dinâmica. Ao contrário de seus antecessores, que, embora também traiçoeiros, operavam com um certo grau de calculismo e cautela, as abordagens de Trump frequentemente não parecem seguir uma lógica compreensível. Esse deslize entre retórica e estratégia deixa um espaço perigoso para as traições, que agora parecem ser más decisões tomadas por capricho.

Essa mudança tem um impacto profundo, especialmente sobre grupos como os iranianos e curdos, que, após décadas de interação com os EUA, agora se veem confrontados com uma realidade amarga: os interesses americanos são efêmeros e frequentemente mudam, deixando aliados em situações vulneráveis. A frase "América não tem aliados, só interesses" ressoa fortemente neste contexto, revelando um estado de desesperança entre aqueles que antes se apoiavam em promessas.

Essas lições não são apenas uma crítica ao passado, mas também um alerta agudo para o futuro. À medida que o governo Trump lida com a questão do Irã, as vítimas das traições passadas ainda estão em cena, lidando com um envolvimento que pode não ter uma direção estratégica clara, mas que adota um aspecto tático, imprevisível e às vezes caótico.

Um impacto social devastador se manifesta em toda a região, onde os cidadãos devem agora repensar alianças e expectativas, enquanto os EUA seguem com decisões que podem ser tão imprevisíveis quanto suas consequências. O que era uma dinâmica geopolítica complexa e, em muitos aspectos, interconectada, agora evolui para um sistema de relações marcado pela desconfiança.

Portanto, as lições do passado não devem ser esquecidas. Os aliados que buscam a assistência dos EUA precisam considerar que, embora as promessas sejam feitas em tempos de crise, a realidade pode se desdobrar de forma completamente diferente. Essa narrativa não se limita apenas a um período ou a um único líder; é um ciclo que tem se repetido ao longo da história americana, refletindo um caráter profundamente pragmático na arena internacional, que muitas vezes ignora as aspirações das pessoas sob regimes opressivos.

A necessidade de uma política externa mais transparente e estratégica tornou-se ainda mais evidente. Somente assim os aliados historicamente confiáveis poderão se sentir seguros ao lado dos Estados Unidos, sabendo que suas vidas e liberdades não são apenas apostas em um jogo político de interesse e abandono.

Fontes: The Atlantic, The New York Times, Foreign Affairs

Resumo

Uma análise recente da política externa dos Estados Unidos, especialmente sob a presidência de Donald Trump, destaca um padrão preocupante de abandono de aliados. Esse fenômeno, que remonta a eventos históricos, como a Operação Tempestade no Deserto em 1991, revela a discrepância entre a retórica otimista e a realidade pragmática. Após prometer apoio ao levante contra Saddam Hussein, o governo americano se afastou, resultando em consequências devastadoras para os iraquianos. A crítica atual à administração de Trump sugere que suas ações geram frustração e desconfiança entre aliados, refletindo uma mudança na dinâmica da política externa. A falta de uma lógica compreensível nas abordagens de Trump deixa aliados vulneráveis, especialmente grupos como iranianos e curdos. A frase "América não tem aliados, só interesses" ressoa fortemente, evidenciando a desconfiança que permeia as relações internacionais. As lições do passado servem como um alerta para o futuro, enfatizando a necessidade de uma política externa mais transparente e estratégica para restaurar a confiança dos aliados.

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