16/01/2026, 18:27
Autor: Laura Mendes

No atual cenário comercial brasileiro, clientes de restaurantes e serviços de entrega expressam descontentamento com práticas que consideram abusivas, especialmente relacionadas à venda casada, uma situação onde o consumidor é obrigado a adquirir um produto como condição para a compra de outro. A discussão emergente em torno desse tema reflete uma crescente insatisfação com as estratégias de marketing e precificação utilizados por muitas empresas, que podem ser vistas como sacanagem à luz dos interesses dos consumidores.
Um ponto frequentemente levantado refere-se aos combos oferecidos por grandes redes como o McDonald's, que permitem que os clientes adquiram um lanche juntamente com acompanhamentos a um preço reduzido. Contudo, essa modalidade de venda gera controvérsia, pois muitos se perguntam se é realmente um benefício ou uma forma de forçar o consumidor a aceitar produtos que não fazem parte de sua escolha inicial. "Um combo no McDonald's não é venda casada, porque existe a possibilidade de comprar os produtos separadamente, mas normalmente por valores mais caros", observa um consumidor, destacando que as promoções podem esconder artifícios que frustram o cliente.
A intensificação das críticas se deve também à forma como muitos aplicativos de entrega configuram as ofertas de maneira a impor um pedido mínimo, que frequentemente não condiz com a realidade das opções disponíveis. "Se todos os lanches a preços compreensíveis custam 25,90 reais e o pedido mínimo é de 30 reais, você se vê forçado a pedir um adicional que não deseja", reclama outro usuário, descrevendo a frustração que muitos consumidores sentem diante das opções limitadas que não respeitam suas preferências. Essa situação ressoa com uma experiência comum entre muitos, onde, ao tentar escolher um prato, o cliente se vê constantemente empurrado a incrementar seu pedido com itens que aumentam o custo. Um exemplo ilustrativo é o caso de uma “picanha com fritas” que é apresentada no cardápio sem alguns dos acompanhamentos que seriam esperados, dando a impressão de que o cliente está sendo ludibriado ao pagar um valor mais alto por um prato incompleto.
Adicionalmente, a recepção negativa em relação à venda casada está também ligada à transparência dos preços. Uma acusação comum é que muitos restaurantes e serviços de entrega utilizam software que desagrega o custo dos itens, fazendo com que o cliente não perceba o custo real de cada componente da refeição, enquanto ainda justifica os preços altos. "Alguns locais expõem os preços de cada ingrediente separadamente, misteriosamente transformando o custo total em algo que acaba funcionando a favor do comerciante," afirma um observador, que vê a estratégia como uma forma de engano.
Por outro lado, práticas de promoção que parecem vantajosas à primeira vista podem ocultar estratégias que prejudicam o consumidor. O utilizador que apontou que o “pedido mínimo” tornou-se uma engrenagem de obrigatoriedade, discute como muitas vezes seus desejos são ignorados. "Todo aquele alarde sobre não poder exigir pedido mínimo realmente nem foi pra frente, porque ainda existem muitos restaurantes que impõem essa prática", menciona, exemplificando uma frustração coletiva.
De acordo com especialistas na área de consumo, essas táticas de vendas e marketing não são novas. A complexidade surge na combinação de regulamentações e na ética comercial que vêem uma divergência crescente entre o que é aceitável e o que é simplesmente exploração. Para fomentar uma discussão mais ampla, existe espaço para um diálogo maior entre consumidores e representantes do setor. No entanto, o que muitos consumidores desejam é uma maior clareza e justiça nas transações comerciais. O impacto pode ser sentido não apenas nos estabelecimentos que insistem na venda casada, mas também nos próprios aplicativos de entrega, que têm potencial de criar um cenário que favorece a lesão do consumidor.
Enquanto isso, as comunidades de consumidores têm se mobilizado para discutir e compartilhar experiências, apontando a necessidade de uma maior regulamentação e fiscalização sobre estas práticas. Com uma base de clientes crescente que se torna mais ativa em defesa de seus direitos, a pressão sobre os estabelecimentos e serviços de entrega para que reformulem suas abordagens de vendas pode ser inevitável. Contudo, os desafios vão muito além da indústria de alimentos, refletindo uma necessidade em toda a sociedade para criar um espaço onde o consumo responsável e consciente seja não apenas possível, mas desejável.
Fontes: Folha de São Paulo, O Globo, Estadão
Resumo
No Brasil, consumidores de restaurantes e serviços de entrega estão expressando descontentamento com práticas consideradas abusivas, como a venda casada, onde a compra de um produto é condicionada à aquisição de outro. Essa insatisfação reflete uma crítica às estratégias de marketing e precificação de várias empresas, que podem ser vistas como enganosas. Um exemplo é a oferta de combos em redes como o McDonald's, que, embora ofereçam preços reduzidos, levantam dúvidas sobre a real liberdade de escolha do consumidor. Além disso, muitos aplicativos de entrega impõem pedidos mínimos que não correspondem às opções disponíveis, forçando os clientes a gastar mais do que desejam. A falta de transparência nos preços, com a desagregação dos custos dos itens, também é um ponto de crítica. Especialistas apontam que essas táticas não são novas, mas a crescente mobilização dos consumidores por regulamentação e justiça nas transações comerciais pode levar a mudanças significativas no setor. O desejo por um consumo mais responsável e consciente se torna cada vez mais evidente.
Notícias relacionadas





