16/01/2026, 20:14
Autor: Laura Mendes

Em um clima de crescente tensão em Minnesota em relação à atuação do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE), uma nova mobilização está ganhando força. No último dia 23 de janeiro, os cidadãos locais convocarão uma greve geral como forma de protestar contra o que consideram uma repressão inaceitável e pedir mudanças significativas na política de imigração dos Estados Unidos. O movimento busca reunir diferentes segmentos da sociedade, unindo vozes em uma manifestação coletiva que visa chamar a atenção das autoridades e exigir responsividade diante da situação crítica enfrentada por muitos.
Desde o aumento das operações do ICE e os relatos de abusos de poder, a insatisfação tem crescido entre a população, que se sente cada vez mais sufocada pelo medo e pela incerteza. Comentários de ativistas destacam a importância de uma ação coordenada que pare não apenas a cidade, mas todo o estado, definindo uma estratégia de "sem trabalho, sem escola, sem compras". De acordo com os organizadores, a ideia é mostrar na prática o impacto que a falta de apoio gerado pela greve pode ter sobre a economia local. "A única forma real de comunicar nossa insatisfação é dessa maneira. Quando protestamos com nosso dinheiro e nossa presença, fazemos as autoridades entenderem que estamos sérios", comentou um dos organizadores.
A proposta de greve geral, que não é simplesmente uma paralisação do trabalho, pretende ser um grito de alerta sobre a necessidade de atenção às políticas sociais e à dignidade dos moradores. Muitos apoiadores mencionam que a saúde universal, a licença-família remunerada e salários justos devem ser parte da discussão que envolve a luta contra a repressão. A ideia de uma mobilização tão ampla, que deixe a economia em alerta, no entanto, também gerou críticas. Alguns internautas ressaltaram a preocupação com a ausência de serviços públicos essenciais, como médicos e bombeiros, durante um dia de greve, levantando questões sobre a viabilidade de uma paralisação tão abrangente. "É fácil dizer para parar de trabalhar e não comprar, mas e se a sua vida depender disso? Precisamos de uma estratégia que não pare tudo", ponderou um comentarista.
Apesar das reticências, há um consenso crescente sobre a necessidade de resistência. As ações de protesto programadas incluem não apenas a greve, mas também manifestações pacíficas em locais estratégicos e a utilização de redes sociais para espalhar a mensagem. Várias organizações estão se unindo em uma coalizão poderosa, buscando criar um impacto real na resposta do governo. “Um dia de ação em todo o estado tem o potencial de ser um divisor de águas”, afirmaram em um comunicado conjunto. A ideia é enviar uma mensagem clara tanto ao governo federal quanto às entidades locais, de que a população não aceitará mais a inércia diante de sua segurança e dignidade.
Mas como uma greve geral pode efetivamente influenciar a situação? Muitas análises mostram que a pressão econômica pode levar a uma mudança de posicionamento dos representantes do governo, especialmente quando grandes empresas e serviços essenciais são afetados. Um histórico recente de mobilizações em setores como o entretenimento e tecnologia, por exemplo, tem mostrado que a retirada do suporte popular pode ter consequências financeiras devastadoras para o governo e grandes corporações. Essa estratégia já foi utilizada em outras mobilizações, onde a perda de receitas significou uma pressão significativa para a mudança de diretrizes.
Em itinerários de protesto, os organizadores têm promovido também o acesso ao transporte público gratuito para aqueles que estiverem dispostos a participar, utilizando uma tática inovadora para garantir que todos possam se unir à causa, independentemente de seus recursos financeiros. Várias ideias criativas estão sendo propostas para assegurar que esta greve não seja apenas um dia de paralisação, mas um movimento contínuo que venha a unir diferentes causas e lutar por uma agenda progressista.
Enquanto isso, a resposta dos governantes permanece incerta. O ambiente político em Minnesota, como em muitos outros estados, continua polarizado e a capacidade de mobilização do governo enfrenta desafios significativos. Especialistas em relações públicas e política alertam que a eficácia da greve dependerá do envolvimento da comunidade e da capacidade de unir diferentes grupos em torno da luta por direitos econômicos e sociais mais amplos. As próximas semanas serão cruciais para definir não apenas o sucesso desse movimento, mas também qual será a resposta do governo federal em face de um ativismo que não é mais apenas sobre imigrantes, mas sobre a luta da dignidade humana.
Fontes: Folha de São Paulo, The Guardian, Reuters
Resumo
Em Minnesota, uma greve geral está sendo convocada para o dia 23 de janeiro, em resposta à crescente insatisfação com as ações do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE). Os organizadores buscam unir diferentes segmentos da sociedade em um protesto que visa chamar a atenção para as políticas de imigração e a dignidade dos moradores. A mobilização, que inclui a ideia de "sem trabalho, sem escola, sem compras", pretende demonstrar o impacto econômico da falta de apoio à comunidade. No entanto, a proposta gerou críticas sobre a viabilidade de uma paralisação tão abrangente, especialmente em relação à ausência de serviços essenciais. Apesar das preocupações, há um consenso crescente sobre a necessidade de resistência, com ações planejadas que incluem manifestações pacíficas e o uso de redes sociais. Os organizadores também estão promovendo transporte público gratuito para garantir a participação de todos. A eficácia da greve dependerá do envolvimento da comunidade e da capacidade de unir diferentes grupos em torno da luta por direitos econômicos e sociais.
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