12/01/2026, 17:02
Autor: Laura Mendes

O estresse e a ansiedade parecem aumentar entre os alunos da Geração Z, uma preocupação que ganhou destaque nas últimas semanas, especialmente em instituições de ensino superior. De acordo com educadores, muitos estudantes estão ingressando nas faculdades com dificuldades crescentes no que diz respeito à leitura e à compreensão de textos, o que pode ter implicações sérias para suas vidas acadêmicas e profissionais no futuro.
Num cenário onde a tecnologia desempenha um papel fundamental na vida cotidiana, a dependência excessiva de plataformas de mídia social e dicas rápidas online pode estar contribuindo para a diminuição das habilidades de leitura. Educadores citam que muitos alunos frequentemente optam por consumir informação em formatos que não exigem um esforço considerável de leitura, como vídeos curtos em plataformas como TikTok e Instagram, em vez de livros ou artigos acadêmicos.
Um professor que leciona em uma universidade nota que muitos de seus alunos têm demonstrado uma resistência a ler livros completos, dependendo de resumos online e conteúdos simplificados. A partir de suas observações, ele afirma que a interpretação de textos complexos está se tornando cada vez mais um desafio, o que pode contribuir para o desenvolvimento de sentimentos de inadequação e isolamento entre os jovens. Ele enfatiza a preocupação de que esses hábitos possam levar a um aumento nos níveis de estresse e ansiedade entre os estudantes, que sentem a pressão de performar bem sem as habilidades necessárias.
Esse fenômeno não é exclusivo de uma ou outra instituição; muitos professores em diferentes locais relatam padrões semelhantes entre seus alunos. Comentários de pais e adultos mais velhos que voltaram a estudar na universidade também corroboram essa percepção. Um usuário mencionou que, ao retornar à faculdade, percebeu uma disparidade significativa nas habilidades de leitura entre os alunos, evidenciada pela falta de opiniões formadas e pela incapacidade de participar ativamente em discussões em grupo.
Além disso, uma pesquisa recente revela que, apesar de os jovens estarem indo para a faculdade com boas notas em testes padronizados, muitos deles não estão preparados para o ritmo acelerado e as exigências do ensino superior. Essa discrepância levanta várias interrogações sobre o sistema educacional atual e o que ele está realmente ensinando aos alunos. A ideia de que o sucesso acadêmico é sinônimo de uma boa preparação para o futuro pode estar sendo comprometida pela falta de habilidades fundamentais, como a capacidade de leitura crítica e de expressão.
Outro ponto destacado por educadores e acadêmicos se refere à possibilidade de formação de um ciclo vicioso: à medida que mais alunos se formam sem essas habilidades, é bem provável que suas experiências sejam refletidas em futuras gerações. Como resultado, pode-se criar um cenário preocupante em que as universidades estejam menos preparadas para oferecer uma educação de qualidade, que não só forma graduados, mas que também prepara indivíduos para o mercado de trabalho.
Fato que não passa despercebido, já que empresas renomadas, como agências de recrutamento, estão iniciando revisões nas suas práticas de contratação. Algumas estão relatando uma tendência crescente de formulários de demissão devido à incapacidade de novos funcionários de atender a tarefas básicas. Um relato informa que uma empresa de investimento de Boston decidiu congelar contratações, citando preocupações sobre a qualificação da Geração Z e a necessidade de implementar programas de treinamento pós-graduação extensivos que garantam a preparação adequada dos recém-formados.
Conforme o debate se intensifica sobre a real situação da formação acadêmica dos jovens, a necessidade de um retorno a práticas educacionais mais rigorosas e envolventes também vem à tona. Diversas opiniões reconhecem que, independentemente das mudanças na tecnologia e na sociedade, a leitura continua sendo uma habilidade fundamental a ser respeitada e incentivada. Assim, a responsabilidade recai sobre as instituições de ensino para que incentivem a leitura crítica e engajada de seus alunos, algo que pode não apenas melhorar o desempenho acadêmico, mas também contribuir para o bem-estar emocional e social deles.
Neste cenário, a Geração Z poderá ter um papel significativo em redefinir a educação para as futuras gerações, caso consiga encontrar um equilíbrio entre as novas tecnologias e habilidades clássicas como a leitura e a escrita. Analisando os indicadores presentes, fica a expectativa de um movimento positivo que restaurará o valor da literatura e da expressão escrita, promovendo uma geração mais informada e capaz de enfrentar os desafios do futuro.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, The New York Times, The Atlantic
Detalhes
A Geração Z refere-se à coorte de indivíduos nascidos aproximadamente entre 1997 e 2012. Esta geração cresceu em um mundo digital, com acesso à internet e dispositivos móveis desde a infância. Caracteriza-se por seu engajamento em questões sociais e políticas, além de uma forte presença nas redes sociais. A Geração Z enfrenta desafios únicos, como a pressão da performance acadêmica e profissional, que podem ser exacerbados pela dependência de tecnologia e mídias sociais.
Resumo
O aumento do estresse e da ansiedade entre alunos da Geração Z tem gerado preocupações nas instituições de ensino superior. Educadores observam que muitos estudantes entram na faculdade com dificuldades em leitura e compreensão de textos, o que pode impactar suas vidas acadêmicas e profissionais. A dependência de mídias sociais e conteúdos simplificados, como vídeos curtos, está contribuindo para essa situação. Um professor relata que seus alunos estão relutantes em ler livros completos, dependendo de resumos online, o que dificulta a interpretação de textos complexos. Essa falta de habilidades pode levar a sentimentos de inadequação e isolamento. Além disso, uma pesquisa indica que, apesar de boas notas em testes padronizados, muitos jovens não estão preparados para as exigências do ensino superior. O fenômeno é observado em diversas instituições, levantando questões sobre a eficácia do sistema educacional. Empresas estão revisando suas práticas de contratação devido à falta de habilidades básicas entre recém-formados, enquanto a necessidade de um retorno a práticas educacionais mais rigorosas se torna evidente. A Geração Z pode ter um papel crucial em redefinir a educação, equilibrando novas tecnologias com habilidades clássicas.
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