30/01/2026, 17:57
Autor: Felipe Rocha

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, levantou preocupações alarmantes sobre a situação financeira da organização internacional, descrevendo um "colapso financeiro iminente" que pode afetar suas operações e, consequentemente, a eficácia das iniciativas globais em que a ONU se envolve. Em meio a um ambiente geopolítico cada vez mais tumultuado, a ONU enfrenta desafios sem precedentes, que vão desde o financiamento até a credibilidade, fundamentais para o seu funcionamento.
Os Estados Unidos, tradicionalmente um dos maiores contribuintes da ONU, têm adotado uma abordagem mais isolacionista nos últimos anos, especialmente sob a administração anterior de Donald Trump. Este desvio com relação ao apoio contínuo às instituições internacionais tem gerado preocupações com relação ao futuro da ONU e seu papel no sistema internacional. As tensões entre as potências ocidentais e a China também estão no centro deste embate, onde as nações estão cada vez mais divididas sobre a direção a seguir.
Analisando a situação, diversos especialistas e observadores apontam que o desmantelamento das instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial, incluindo a ONU, pode representar um retrocesso civilizacional. A história recente mostra como instituições internacionais podem facilitar a paz e o desenvolvimento global, evitando conflitos e promovendo a colaboração entre nações. As funções da ONU vão muito além da Assembleia Geral, englobando pesquisa, saúde e programas econômicos que servem a diversas populações ao redor do mundo. A dissolução dessas instituições seria um desafio não só para a ordem mundial como também para os países que dependem de sua ajuda e suporte em momentos de crise.
A crise financeira iminente da ONU se torna ainda mais preocupante em um mundo onde problemas transnacionais, como as mudanças climáticas, a migração e a desigualdade econômica, exigem uma resposta coletiva. Guterres faz um apelo para que os países reconsiderem suas contribuições financeiras e assumam responsabilidade em sua governança global. Ele argumenta que, sem a ONU funcionando plenamente, as nações podem enfrentar consequências severas, incluindo uma escalada nos conflitos e na instabilidade global.
Os comentários sobre a questão revelam um amplo espectro de opinião, com alguns apontando que a rejeição ao sistema da ONU, principalmente por parte de líderes populistas, pode resultar em uma falta de responsabilidade internacional. Outros argumentam que a ONU poderia ser considerada obsoleta e que novas estruturas precisam ser criadas para enfrentar os desafios modernos. Por outro lado, há um reconhecimento crescente de que um mundo sem a ONU poderia levar a um colapso em áreas de ajuda humanitária, saúde pública e segurança global.
É inegável que a posição dos Estados Unidos na política internacional desempenha um papel crítico nas finanças da ONU. A decisão do governo Trump de cortar ou, em várias instâncias, reavaliar a assistência internacional teve um impacto dominó em outras nações. Países como a Austrália, que dependiam de colaborações com os EUA, começaram a rever sua própria contribuição para instituições internacionais e programas de ajuda. Essa reavaliação pode ser vista como uma resposta à redução do apoio democrático e progressista a nível global, destacando a fragilidade dos acordos que foram conquistados após décadas de negociações e tratados destinados a promover a paz e a segurança.
A crise financeira da ONU é apenas um aspecto de uma imagem mais ampla, repleta de complexidade e tensão entre nações. À medida que as potências globais lutam por influência e poder, a hipótese de um mundo sem a ONU se torna uma questão premente que deve ser enfrentada por líderes globais. As decisões tomadas nos próximos meses e anos serão cruciais não só para a sobrevivência da ONU, mas para a manutenção da paz e segurança mundial. A possibilidade de um colapso financeiro não é apenas uma questão orçamentária; se a ONU não puder funcionar adequadamente, o impacto poderia ser sentido globalmente, tornando cada vez mais difícil a cooperação em crises que não respeitam fronteiras.
As palavras de António Guterres ecoam um apelo à ação que não deve ser ignorado. O que está em jogo não é apenas a sobrevivência de uma famosa organização internacional, mas também a continuidade do diálogo e da cooperação necessária para enfrentar os desafios globais que todos enfrentamos. Com a história mostrando que os conflitos podem levar a consequências devastadoras, a esperança é que os países reconheçam a importância de fortalecer, ao invés de derrubar, as instituições que promovem a paz e a prosperidade para todos.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC, The Guardian
Detalhes
António Guterres é o atual secretário-geral das Nações Unidas, cargo que ocupa desde janeiro de 2017. Anteriormente, foi primeiro-ministro de Portugal e alto comissário da ONU para os Refugiados. Guterres tem se destacado por sua atuação em questões como mudanças climáticas, migração e direitos humanos, buscando fortalecer a cooperação internacional e a eficácia das instituições globais. Ele tem enfatizado a importância de um multilateralismo robusto para enfrentar desafios globais contemporâneos.
Resumo
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupações sobre um "colapso financeiro iminente" da organização, o que poderia prejudicar suas operações e iniciativas globais. Em um cenário geopolítico complicado, a ONU enfrenta desafios de financiamento e credibilidade, exacerbados pela postura mais isolacionista dos Estados Unidos sob a administração anterior de Donald Trump. Especialistas alertam que a desintegração das instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial, como a ONU, pode resultar em um retrocesso civilizacional, dificultando a paz e a colaboração entre nações. A crise financeira da ONU é alarmante, especialmente diante de problemas globais como mudanças climáticas e desigualdade econômica, que requerem uma resposta coletiva. Guterres fez um apelo para que os países reconsiderem suas contribuições financeiras, enfatizando que a ineficácia da ONU pode levar a conflitos e instabilidade. O futuro da organização e sua capacidade de promover a paz e a segurança mundial dependem das decisões que os líderes globais tomarem nos próximos anos.
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