26/02/2026, 05:01
Autor: Felipe Rocha

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação de uma microfábrica de chips que pode marcar um passo significativo na redução da dependência brasileira de semicondutores internacionais. Localizada no campus de São Carlos, a linha de produção da CEITEC, empresa estatal brasileira focada em tecnologia de chipsets, começará a fabricar unidades de carbeto de silício, um material reconhecido por suas propriedades superiores em relação ao silício convencional, especialmente em aplicações de eletrônica de potência. Estrategicamente, essa nova iniciativa visa não apenas atender as demandas da indústria nacional, mas também alavancar a pesquisa e o desenvolvimento no setor de semicondutores em um país que, até então, tem sido altamente dependente de importações.
A importância dos semicondutores para a economia moderna não pode ser subestimada. Desde dispositivos eletrônicos comuns até componentes automotivos, chips de qualidade são fundamentais. No entanto, o Brasil tem sido um dos maiores importadores de chips, gastando bilhões de dólares anualmente para suprir a indústria automotiva, de produtos eletroeletrônicos e outros segmentos que dependem de tecnologia mais simples, embora vital. A CEITEC visa ao menos parcialmente preencher essa lacuna, ao criar uma linha de produção focada em chips de baixo custo que podem ser usados em uma variedade de aplicações.
Enquanto a CEITEC e a USP avançam para se estabelecer nesse novo nicho, a questão da escalabilidade e da capacidade de produzir em massa chips de qualidade é crucial. Comentários de especialistas e observadores da indústria destacam que, embora a iniciativa seja promissora, as capacidades atuais de produção da CEITEC são limitadas. A produção em larga escala de semi-condutores avançados ainda é um desafio, dado que o Brasil não possui a infraestrutura necessária para a fabricação de chips de ponta, como aqueles fabricados por gigantes do setor, como Intel, TSMC e Samsung, que dominam o mercado global.
Um participante do debate levantou a questão da necessidade de parcerias estratégicas, como a proposta de colaboração com a "rapidus" japonesa, para que o Brasil possa alcançar um nível competitivo mais elevado. A ideia de formar alianças com outras tecnologias e conhecimentos é vista por muitos como essencial para acelerar o progresso do país. Sem tal colaboração, existe o risco de que a nova microfábrica funcione bem, mas não atinja o potencial que muitos desejam.
Adicionalmente, a contínua falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tem sido identificada como um obstáculo. Um dos comentários expressou preocupações sobre a alocação de recursos do governo, sugerindo que enquanto há necessidade de proteção da indústria local por meio de tarifas, também é imperativo que haja um investimento substancial na pesquisa acadêmica e na inovação. O financiamento adequado é essencial para que a CEITEC e outras iniciativas semelhantes prosperem em um ambiente que seduz as empresas com custos mais baixos em regiões que já possuem um ecossistema robusto de semicondutores.
A nova microfábrica de chips da USP representa um passo importante, mas ainda há um longo caminho pela frente. O foco em chips de carbeto de silício confirma que o Brasil está mirando um espaço estratégico crescente na produção de dispositivos eletrônicos, mesmo que ainda estejam distantes do estado da arte cosmopolita. Os chips que estão na linha de fabricação da CEITEC são mais voltados para aplicações industriais e não devem ser confundidos com os processadores modernos que movem os smartphones e computadores pessoais.
No entanto, a realidade é que muitos dispositivos no dia a dia, como eletrodomésticos, ainda dependem de chips que, apesar de serem baseados em tecnologias de décadas passadas, são funcionais e essenciais. Especialistas ressaltam que o Brasil possui um mercado interno que poderá se beneficiar bastante do desenvolvimento de chips mais acessíveis e adaptáveis às demandas da indústria nacional, potencializando setores como o automotivo e eletrônico.
Se a nova iniciativa da USP prosperar, poderá se tornar um modelo a ser seguido, dando aos consumidores e empresas brasileiras uma opção viável dentro de um mercado cada vez mais dominado por importações. Assim, com apoio contínuo e estratégias de colaborações inteligentes, a CEITEC pode contribuir de maneira significativa para colocar o Brasil em um caminho mais autossuficiente em relação a semicondutores e tecnologia.
Ao olhar para o futuro, especialistas e cidadãos intrigados com as promessas dessa nova microfábrica de chips aguardam ansiosos os próximos passos, até porque, se bem-sucedido, o projeto pode provocar uma transformação não só na indústria brasileira, mas no próprio peso do Brasil no mercado global de tecnologia.
Fontes: Folha de São Paulo, G1, O Estado de S. Paulo
Detalhes
A CEITEC é uma empresa estatal brasileira dedicada à pesquisa, desenvolvimento e produção de semicondutores. Com foco em chipsets, a CEITEC busca atender à demanda nacional por tecnologia, promovendo a autonomia do Brasil na fabricação de componentes eletrônicos. A empresa é uma peça-chave na estratégia do país para reduzir a dependência de importações de semicondutores e alavancar a inovação no setor.
Resumo
A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação de uma microfábrica de chips no campus de São Carlos, que pode reduzir a dependência do Brasil de semicondutores internacionais. A CEITEC, empresa estatal focada em tecnologia de chipsets, começará a produzir unidades de carbeto de silício, material com propriedades superiores ao silício convencional. A iniciativa visa atender a demanda da indústria nacional e impulsionar a pesquisa no setor. O Brasil é um grande importador de chips, gastando bilhões anualmente, e a CEITEC busca preencher essa lacuna com chips de baixo custo. No entanto, a escalabilidade da produção e a falta de infraestrutura para fabricar chips avançados são desafios significativos. Especialistas sugerem parcerias estratégicas, como a colaboração com a empresa japonesa "rapidus", para aumentar a competitividade. A falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento também é uma preocupação. A nova microfábrica representa um avanço, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que o Brasil se torne autossuficiente em semicondutores.
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