Emergentes superam EUA e Japão na eletrificação do transporte

A nova dinâmica do mercado automotivo revela que países emergentes estão liderando a transformação para veículos elétricos apesar de desafios e particularidades regionais.

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27/02/2026, 06:58

Autor: Felipe Rocha

Uma visão de uma cidade moderna com veículos elétricos em destaque, misturando carros compactos e SUVs em meio a um ambiente urbano e sustentável, com painéis solares e infraestrutura de carregamento visíveis, simbolizando a transformação no transporte. O céu é azul claro, refletindo um dia ensolarado, enquanto pessoas interagem com as tecnologias elétricas ao fundo.

A eletrificação do transporte tem se destacado como uma das principais tendências econômicas e tecnológicas da atualidade, promovendo uma revolução no setor automotivo que não é mais limitada aos países tradicionalmente desenvolvidos. Com as novas dinâmicas do mercado, na qual países emergentes superam potências como os Estados Unidos e Japão, a transformação rumo à sustentabilidade está moldando novos cenários de competitividade global.

A conversa em torno da eletrificação do transporte passou de uma agenda focada nos países do Norte para uma questão que envolve cada vez mais nações do Sul Global. Essa mudança de paradigmas é impulsionada por uma análise aprofundada da estabilidade macroeconômica, onde fatores como balança comercial, segurança energética e competitividade a longo prazo estão em jogo. Os mercados emergentes, historicamente dependentes das agendas dos países desenvolvidos, agora têm um papel ativo na escala, estratégia de produto e direcionamento de investimentos do setor.

Entretanto, existem nuances que não podem ser ignoradas. Como mencionado em discussão sobre o tema, a percepção do público nos EUA e no Japão sobre a eletrificação pode ser bastante diferente da realidade dos países emergentes. Enquanto o mercado americano ainda valoriza veículos a combustão, como as tradicionais caminhonetes e sedãs, e o Japão se mostra mais cauteloso, com um foco significativo na pesquisa de tecnologias alternativas como motores a hidrogênio, os emergentes estão abraçando a adaptação e a mudança em um ritmo acelerado.

Um ponto crítico nessa transição é a influência da China, que tem dominado o mercado global de veículos elétricos. As montadoras chinesas estão saturando o setor com modelos acessíveis e competitivos, ampliando o acesso a esse tipo de transporte ao consumidor médio. Ao contrário do Nordestão, onde a resistência à eletrificação persiste, países como o Brasil abriram as portas para essa nova realidade.

Atualmente, apenas 2,9% dos veículos vendidos no Brasil são elétricos, o que é um indicativo de um mercado ainda em queda. Embora haja promessas e investimentos em infraestrutura de carregamento, a resistência e as particularidades culturais e de consumo ainda representam um grande obstáculo para a expansão do mercado de elétricos no país.

O Japão, por sua vez, apresenta características únicas que dificultam a transição para veículos totalmente elétricos. Em muitas cidades, a falta de infraestrutura adequada para o carregamento dos veículos elétricos é um fator limitante. Muitos habitantes moram em apartamentos onde a instalação de pontos de carga seria logisticamente complicada e financeiramente inviável. Além disso, a cultura japonesa valoriza a moderação e a eficiência, levando as montadoras a priorizar a tecnologia híbrida, que combina motores a combustão e elétricos, em um esforço tanto para manter as tradições quanto para inovar ao mesmo tempo.

A estratégia de alguns fabricantes japoneses, que têm buscado alternativas em motores a hidrogênio e híbridos, reflete uma abordagem conservadora, mas calculada, em um ambiente tecnológico que avança rapidamente. A busca por um status quo que funcione bem gerou uma hesitação na adoção total de tecnologias elétricas, contrastando com a ousadia encontrada em países emergentes.

O debate em torno da eletrificação do transporte revela assim a complexidade do cenário atual, onde o Sul Global começa a se consolidar como um ator importante. Com capacidade de influenciar decisões estratégicas que moldam as direções dos investimentos e produções, esses países estão traçando um percurso que pode, em breve, definir os contornos do mercado automotivo no futuro.

Conforme a demanda por veículos elétricos cresce no Sul Global e o mercado se expande, a narrativa tradicional de que apenas os países desenvolvidos têm o controle do setor precisa ser reavaliada. O futuro da mobilidade elétrica poderia render uma mudança positiva ao equilíbrio econômico global, incentivando não apenas inovações tecnológicas em países emergentes, mas também ampliando o acesso a uma infraestrutura mais sustentável e consciente ambientalmente.

Em resumo, a eletrificação do transporte representa não somente uma tendência, mas um desdobramento crucial para a estabilidade e competitividade das economias emergentes. Enquanto líderes globais do setor automotivo adaptam suas estratégias para atender a essa nova demanda, a balança do poder econômico pode estar em uma rota de transformação significativa.

Fontes: Folha de São Paulo, Reuters, Estadão

Resumo

A eletrificação do transporte está se consolidando como uma tendência global significativa, impactando não apenas países desenvolvidos, mas também nações em desenvolvimento. A transformação em direção à sustentabilidade está redefinindo a competitividade no setor automotivo, com mercados emergentes, como os da América Latina, assumindo um papel ativo. Apesar da resistência em alguns lugares, como no Brasil, onde apenas 2,9% dos veículos vendidos são elétricos, a adaptação está ocorrendo em um ritmo acelerado em outros países. A influência da China, com suas montadoras oferecendo veículos elétricos acessíveis, está ampliando o acesso ao transporte elétrico. Em contraste, o Japão enfrenta desafios, como a falta de infraestrutura de carregamento e uma preferência por tecnologias híbridas. A complexidade do debate sobre eletrificação revela que o Sul Global está se tornando um ator importante, capaz de moldar o futuro do mercado automotivo e a competitividade econômica global.

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