17/02/2026, 21:13
Autor: Felipe Rocha

A Meta, empresa controladora do Facebook, anunciou recentemente o registro de uma patente inovadora que poderá revolucionar a maneira como interagimos com redes sociais após a morte. A tecnologia proposta visa permitir que inteligência artificial (IA) continue a postar e interagir em perfis de usuários falecidos, levantando uma série de questões éticas, sociais e tecnológicas sobre a vida digital após a morte.
Essa novidade surge em um momento em que as redes sociais enfrentam crescente pressão para manter seus usuários engajados, mesmo quando eles não estão mais entre nós. Os comentários sobre essa patente e o conceito de "presença digital contínua" variaram de céticos a interessados, refletindo opiniões diversas sobre tal inovação. Alguns se mostram preocupados com a ideia de que um "bot" possa se tornar um eco do falecido, questionando se isso seria uma forma de respeito ou uma distopia análoga a um "zumbi digital".
As implicações dessa tecnologia são vastas. Num mundo onde avatares digitais já são uma realidade — tanto em jogos quanto em interações sociais — a possibilidade de transformar a memória de uma pessoa em uma presença ativa online pode parecer atraente para alguns. A ideia de "continuar a conversa" com entes queridos, mesmo após a morte, provoca tanto curiosidade quanto repulsa. Um dos comentários presenciais expressa o desdém por essa realidade: “Imagina você conversando com a IA da sua falecida avó e do nada ela te manda uma propaganda do tigrinho”, refletindo o temor de que esses "zumbis digitais" possam ser utilizados de maneira superficial para monetizar memórias e relações.
Além disso, o surgimento dessa tecnologia pode acentuar a preocupação com a qualidade do conteúdo nas redes sociais. Um usuário expressou preocupação ao afirmar que “ai, imagina daqui uns anos a Meta se gabando de ter as redes sociais mais usadas do mundo, mas 98% dos posts e comentários serão todos bots e IAs, e só alguns poucos serão humanos reais.” Isso levanta questões sobre a autenticidade das interações online e o futuro das comunidades virtuais. As redes sociais podem se transformar em um espaço repleto de vozes artificiais, onde a linha entre humano e robô se torna indistinta.
Por outro lado, a demanda por interações digitais após a morte já se demonstra presente. A tecnologia tem avançado rapidamente, e o conceito de recriar experiências ou vozes de pessoas falecidas não é algo novo. De acordo com alguns comentários, a ideia já foi explorada em produções de ficção científica como “Caprica” e “Dead Account”, onde a ressuscitação digital de indivíduos ganhou destaque. Entretanto, a realização dessa tecnologia no mundo real traz um peso emocional e ético que não pode ser ignorado.
Ainda, o que fazer quando a interação com uma IA de alguém que já partiu se torna uma experiência cotidiana? Uma perspectiva intrigante mencionou que, “desde o momento que permitiram que personagens criados por IA possam ter redes sociais e se comportar como humanos, a geração de mídia vai entrar para a história da tecnologia como uma das piores coisas já inventadas”. Essa crítica reflete um temor comum sobre a desumanização das relações, onde a memória e a identidade de alguém possam ser exploradas e mantidas por meio de algoritmos e dados.
A tecnologia levanta também um dilema complicado sobre consentimento e direitos digitais. Se um usuário não deixou instruções específicas sobre o que fazer com suas contas após a morte, quem decide como sua presença digital será administrada? Com a Meta explorando essa vertente, representa um risco ao direito à privacidade e à memória. Além disso, a probabilidade de conflitos familiares e legais gerados por opiniões divergentes em relação ao que a IA deveria ou não publicar é um aspecto que deve ser levado em consideração.
As reações a essa patente demonstram um claro abismo na forma como as pessoas percebem a vida e a morte, especialmente em uma era digital. Estamos nos dirigindo a um futuro em que a identidade na internet poderá ser mantida indefinidamente? Ou estamos apenas começando a desenvolver uma nova forma de interação social que redefine a maneira como lidamos com a perda e a memória?
Enquanto a Meta avança em suas inovações tecnológicas, segue uma necessidade crítica de discussão sobre as implicações éticas e sociais que essas inovações trazem. Como sociedade, é vital que consideremos as consequências de permitir que a tecnologia nos conecte com aqueles que já se foram e o impacto que isso pode ter no significado de relações, identidade e memória. O futuro promete não apenas uma nova forma de comunicação, mas também um caminho a ser trilhado com cautela, a fim de não perder a essência da humanidade em meio ao avanço da inteligência artificial.
Fontes: Folha de São Paulo, TechCrunch, Wired
Detalhes
A Meta Platforms, Inc. é uma empresa de tecnologia americana, anteriormente conhecida como Facebook, Inc., que opera redes sociais e produtos de comunicação. Fundada por Mark Zuckerberg em 2004, a Meta é responsável por plataformas populares como Facebook, Instagram e WhatsApp. A empresa tem se concentrado em desenvolver tecnologias de realidade aumentada e virtual, além de explorar novas formas de interação digital, como demonstrado em suas recentes inovações relacionadas à inteligência artificial e à presença digital após a morte.
Resumo
A Meta, controladora do Facebook, registrou uma patente que pode transformar a interação nas redes sociais após a morte, permitindo que uma inteligência artificial (IA) continue a postar e interagir em perfis de usuários falecidos. Essa inovação levanta questões éticas e sociais sobre a vida digital após a morte, com opiniões variadas entre céticos e interessados. Alguns temem que a presença de "bots" possa desumanizar as relações, enquanto outros veem a possibilidade de manter a memória de entes queridos viva. A discussão sobre a autenticidade das interações online e a qualidade do conteúdo nas redes sociais também é relevante, com preocupações sobre a predominância de vozes artificiais. Além disso, a questão do consentimento e dos direitos digitais se torna complexa, especialmente quando não há instruções claras sobre o que fazer com as contas após a morte. A patente da Meta destaca a necessidade de um debate profundo sobre as implicações éticas e sociais da tecnologia, à medida que se avança para um futuro onde a identidade digital pode ser mantida indefinidamente.
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