17/02/2026, 16:57
Autor: Felipe Rocha

Em uma movimentação que reafirma o crescente controle do governo sobre as comunicações digitais, a Rússia anunciou que bloqueará totalmente o Telegram a partir de 1º de abril. Essa medida surge em um contexto de repressão a aplicativos de propriedade estrangeira e busca ocultar informações sobre a guerra com a Ucrânia. O Telegram, um popular serviço de mensagens que é amplamente utilizado tanto por cidadãos comuns quanto por militares, se tornou uma ferramenta crucial para a disseminação de informações durante o conflito, permitindo que vídeos de ataques e falhas operacionais sejam compartilhados.
Os motivos por trás do bloqueio são multifacetados. O governo russo vê o Telegram como um canal que propicia o vazamento de informações. Desde o início da guerra, há relatos de que usuários têm utilizado a plataforma para coordenar ações, coletar dados sobre o campo de batalha e mesmo chamar simpatizantes para realizar atos de sabotagem. Isso inclui, segundo comentários, transferências de criptomoedas como forma de pagamento por informações buscando minimizar a detecção por parte das autoridades. O Kremlin, buscando um controle mais rígido sobre a narrativa da guerra e a comunicação entre seus cidadãos, antecipa que o bloqueio do Telegram pode limitar as vozes dissidentes que ainda se manifestam.
Além disso, a repressão ao Telegram parece ser uma tentativa deliberada de silenciar os "milbloggers", insiders do exército russo que, mesmo apoiando a guerra, levantam questões sobre a condução do conflito e criticam autoridades locais. A existência desses milbloggers foi considerada um indício de que ainda há resistência e um nível de liberdade midiática na Rússia, embora limitado. Ao banir o Telegram e outros serviços de comunicação, o governo busca eliminar essas vozes que são utilizadas para análise e monitoramento por grupos de inteligência ocidentais e ucranianos, que têm se beneficiado das informações ali divulgadas.
Essa não é a primeira vez que a Rússia tentará restringir o acesso a aplicativos que não estão totalmente sob seu controle. O bloqueio se alinha com a tendência crescente de autoritarismo em relação à tecnologia. Após o colapso da comunicação por satélite oferecida pelo Starlink, o governo teve que reativar o Telegram como um meio de manter sua própria infraestrutura de comunicações. No entanto, a decisão de agora bloqueá-lo reflete a intensa luta do Kremlin para moldar a informação que flui dentro e fora do país, especialmente em tempos de guerra, quando a necessidade de controle da narrativa se torna ainda mais crítica.
Além dos impactos nas comunicações, a medida pode provocar uma reação em cadeia. Ao eliminar uma das últimas eficientes linhas de comunicação entre russos no exterior e suas famílias, o governo visa punir aqueles que abandonaram o país em busca de liberdade. O aumento de pessoas que fugiram da Rússia tem sido notável, e o bloqueio do Telegram pode ser interpretado como uma forma de repressão contra essa "fuga de cérebros". Essa manipulação do cenário digital é o que muitos observadores chamam de "Rússia 2.0", onde a repressão à informação se assemelha à da Coreia do Norte.
Os legisladores da União Europeia, por sua vez, estão atentos à implementação de regulamentações que possam ser vistas como uma forma de censura, sob o pretexto de proteção ao bem comum. Essa dinâmica ressalta a tensão entre os esforços de governos autocráticos como o russo e a iniciativa de outros países em legislar sobre a liberdade de expressão na era digital.
Enquanto isso, as críticas à criptografia do aplicativo em questão também têm ganhado força. A insegurança em relação aos dados dos usuários e o potencial abuso por parte do governo para monitoramento e vigilância têm despertado receios de que as plataformas digitais deixem de ser um espaço seguro para a liberdade de expressão. Em um cenário no qual a informação é cada vez mais controlada e monitorada, a defesa das liberdades digitais se torna um campo de luta crucial.
Por fim, a Rússia está navegando em um ambiente cada vez mais hostil em relação à liberdade de comunicação e expressão. A decisão de bloquear o Telegram é mais um capítulo em uma longa história de repressão digital que levará a um aumento na censura e a um empobrecimento das vozes dissidentes nas plataformas digitais. Com essas medidas, espera-se que a resposta internacional e a mobilização contínua em apoio à liberdade na Rússia sigam crescendo, já que o mundo observa com preocupação o desenrolar desta complexa narrativa de controle e resistência.
Fontes: The Moscow Times, BBC News, Al Jazeera, The Guardian.
Resumo
A Rússia anunciou que bloqueará totalmente o Telegram a partir de 1º de abril, em uma ação que reflete o crescente controle do governo sobre as comunicações digitais. Essa decisão ocorre em meio a uma repressão a aplicativos estrangeiros e visa ocultar informações sobre a guerra na Ucrânia. O Telegram, utilizado amplamente por cidadãos e militares, se tornou crucial para a disseminação de informações sobre o conflito. O governo russo considera a plataforma um canal de vazamento de dados e tenta silenciar vozes dissidentes, incluindo "milbloggers" que criticam a condução da guerra. O bloqueio do Telegram também pode afetar a comunicação entre russos no exterior e suas famílias, sendo visto como uma forma de repressão contra a fuga de cérebros. Além disso, a medida se alinha a uma tendência de autoritarismo em relação à tecnologia, refletindo a luta do Kremlin para moldar a narrativa da guerra. A situação levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e a segurança das plataformas digitais, enquanto a comunidade internacional observa com atenção.
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