19/02/2026, 17:58
Autor: Felipe Rocha

A Meta, a gigante da tecnologia por trás das redes sociais Facebook e Instagram, está no centro de uma controvérsia perturbadora após obter uma patente para uma inteligência artificial que pode reproduzir postagens em nome de usuários falecidos. A novidade, que levanta questões éticas profundas sobre o tratamento da memória e dos dados dos finados, parece refletir uma tendência crescente de explorar a intersecção entre tecnologia e vida após a morte, embora muitos críticos exijam um exame cuidadoso das implicações sociais e morais dessa inovação.
A patente, registrada recentemente, descreve um sistema que utilizaria dados coletados de interações online, como postagens, mensagens e outras interações digitais, para criar um perfil virtual que poderia interagir com amigos e seguidores como se o indivíduo estivesse vivo. Isso, conforme parte do conceito, poderia incluir desde a geração de postagens sobre temas relevantes até respostas a mensagens, tudo automatizado pela IA.
Os comentários nas redes sociais a respeito da patente são repletos de ceticismo e indignação. Muitos temem que isso represente uma forma de exploração do luto, onde as memórias de entes queridos possam ser transformadas em conteúdo gerador de receita através de anúncios. Há uma preocupação crescente de que, ao permitir que as redes sociais simulem a presença de pessoas falecidas, as empresas possam não apenas infrigir a privacidade, mas também manipular a dor das pessoas para lucrar.
Vários usuários expressaram descrença em relação à capacidade da Meta de manter a segurança dos dados de seus usuários vivos, sugerindo que a tentativa de simular a comunicação com os mortos é um passo ainda mais arriscado. "Eles não conseguem nem manter os dados das pessoas seguros enquanto estão vivos, mas claro, vamos confiar neles com fantasmas de IA,” comentou um usuário, refletindo opiniões similares sobre a falta de responsabilidade das empresas de tecnologia em relação à privacidade e segurança dos dados.
Ainda assim, a discussão sobre a patente acaba por tocar em um assunto mais amplo: a crescente capacidade da tecnologia de imitar comportamentos humanos. Muitos fizeram referência ao popular programa de televisão "Black Mirror", onde episódios como "Be Right Back" apresentaram conceitos similares, explorando as consequências emocionais de recriar personificações digitais de indivíduos falecidos. Nesse episódio específico, uma mulher usa uma tecnologia que recria seu falecido parceiro a partir de sua pegada digital – uma narrativa que já levantava questões sobre a ética da IA muito antes do surgimento da patente da Meta.
Entre os comentários, a maioria concorda que a ideia é, no mínimo, inquietante. "Imagina voltar para casa do funeral da sua tia, e ver postagens dela empurrando o que quer que a IA tenha sido instruída a empurrar. Absolutamente repugnante," refletiu outro comentarista, apostando que a tecnologia poderia resultar em um cenário ainda mais desconcertante, onde a dor pessoal seria explorada para gerar engajamento.
Além disso, alguns questionaram a legitimidade da patente em si, argumentando que ela poderia representar uma tentativa da Meta de restringir a concorrência futura, caso uma tecnologia semelhante fosse desenvolvida por outra empresa. O ato de patentear essas ideias, segundo alguns analistas, poderia ser uma forma de proteger a empresa contra adversidades legais enquanto explora um conceito que é tanto fascinante quanto perturbador.
A possibilidade de que esse tipo de tecnologia possa se tornar realidade levanta um espectro de implicações éticas e sociais que a sociedade ainda não está totalmente preparada para enfrentar. Se as redes sociais começarem a operar perfis de clientes falecidos, isso poderá modificar nossa compreensão da perda, da memória e até do luto, tornando o conceito de passar por um luto um processo ainda mais complexo e talvez confuso.
Finalmente, é inegável que essa discussão sobre a IA e sua aplicação nas redes sociais é um reflexo da nossa era digital, onde a linha entre o que é possível e o que é moralmente aceitável se torna cada vez mais indistinta. De maneira sombria, a patência da Meta pode não apenas redefinir a maneira como interagimos nas redes, mas também forçar a sociedade a confrontar o que significa verdadeiramente se lembrar dos que partiram e como devemos salvaguardar a dignidade de sua memória em um mundo cada vez mais digitalizado.
Fontes: TechCrunch, The Verge, Wired, Folha de São Paulo
Detalhes
A Meta Platforms, Inc., anteriormente conhecida como Facebook, Inc., é uma empresa de tecnologia americana que opera várias redes sociais e serviços online, incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp. Fundada por Mark Zuckerberg e outros em 2004, a Meta tem se concentrado em desenvolver tecnologias de realidade aumentada e virtual, além de explorar novas formas de interação social online. A empresa tem enfrentado críticas e controvérsias relacionadas à privacidade dos dados e ao impacto social de suas plataformas.
Resumo
A Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram, está envolvida em uma controvérsia após registrar uma patente para uma inteligência artificial que pode reproduzir postagens de usuários falecidos. Essa inovação levanta questões éticas sobre a memória e o tratamento de dados de pessoas que já partiram, gerando críticas sobre a exploração do luto e a privacidade. A patente propõe um sistema que utiliza dados digitais para criar perfis virtuais que interagem como se o indivíduo estivesse vivo, o que gerou ceticismo nas redes sociais. Muitos usuários expressaram preocupações sobre a segurança dos dados, questionando a capacidade da Meta de proteger informações sensíveis. A discussão também remete a temas abordados na série "Black Mirror", onde a tecnologia recria a presença de pessoas falecidas. A patente pode não apenas afetar a maneira como lidamos com a perda, mas também desafiar as normas morais sobre a memória e a dignidade dos que já se foram, em um mundo digital cada vez mais complexo.
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