18/02/2026, 20:55
Autor: Laura Mendes

Em meio a revelações crescentes sobre os laços de figuras poderosas com Jeffrey Epstein, Les Wexner, magnata e ex-proprietário da Victoria's Secret, fez declarações impactantes diante de legisladores, alegando que foi "enganado" por Epstein e que não cometeu irregularidades. Essa declaração, feita em um momento em que as investigações sobre as atividades do financista condenado por exploração sexual continuam, trouxe à tona questionamentos sobre a responsabilidade e a ética de líderes empresariais no setor.
Wexner, que possui 88 anos, se viu no centro das atenções após as recentes revelações sobre seu relacionamento com Epstein, que inclui afirmações de que transferiu dezenas de milhões de dólares para o financista. Em sua defesa, ele apontou que Epstein lhe roubou cerca de 46 milhões de dólares, mas não apresentou nenhuma acusação formal contra o falecido. Essa falta de ação levou críticos a especular sobre a veracidade de suas alegações e a conveniência de sua narrativa.
Os comentários e reações públicas têm sido variados. Muitos expressam descrença em relação à afirmação de Wexner de inocência, lembrando que ele manteve relação próxima com Epstein por décadas. Notavelmente, Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, havia descrito Wexner como seu "amigo mais próximo", o que só aumenta a suspeita sobre suas alegações de manipulação. "Como ele pode dizer que foi enganado se, durante tanto tempo, ele e Epstein estiveram tão interligados?" questionou um comentarista, refletindo um sentimento que se tornou prevalente entre os críticos do magnata.
Adicionalmente, documentos que surgiram revelam que Epstein insinuou ter evidências que poderiam incriminar Wexner, gerando ainda mais incertezas sobre a narrativa apresentada. Se Wexner realmente se via como uma vítima em meio a uma rede de corrupção e abuso, a situação levanta questões sobre a dinâmica de poder entre ricos e influentes em incidentes de exploração. "Os ricos conseguem manipular o sistema de justiça a seu favor, prolongando processos até que as vítimas sejam esquecidas", expressou outro comentarista, sublinhando uma crescente indignação pública sobre a impunidade de figuras com poder econômico.
É importante observar também que a marca Victoria's Secret, sob a direção de Wexner, esteve envolvida em controvérsias relacionadas ao uso de modelos que muitos consideraram sexualizados e apropriados de forma questionável. Essa crítica à marca foi acentuada pelos laços de Wexner com Epstein, provocando uma reavaliação das práticas e imagens promovidas pela empresa ao longo dos anos. Críticos argumentam que essa relação mostra uma falta de consideração pelas implicações éticas nas escolhas de negócios.
Além das alegações de Wexner, os processos legais contra grandes figuras na esfera sexual e de abusos continuam a ser alvo de intenso escrutínio. Mesmo à medida que Wexner afirma que não tinha conhecimento das atividades ilegais de Epstein, os detalhes sobre como ele transferiu a maior parte de seu patrimônio para Epstein levantam bandeiras vermelhas sobre sua verdadeira compreensão dos acontecimentos. A crítica pública permanece firme, com muitos insistindo que, independentemente de sua narrativa, Wexner deve ser responsabilizado por seu papel em uma das mais explosivas e impactantes redes de abuso nos tempos modernos.
À medida que o escândalo envolvendo Wexner e Epstein se desenrola, fica claro que as questões em jogo são muito maiores do que os indivíduos envolvidos. O impacto no discurso público sobre poder, responsabilidade e as consequências de encobrir atos hediondos ressoará em muitos níveis, desafiando a sociedade a refletir sobre como lidar com figuras que operam fora da lei e perpetuam ciclos de impunidade e exploração. A história de Wexner e Epstein pode ser um lembrete sombrio sobre o que pode ocorrer quando o poder é colocado nas mãos erradas, e a geração de riqueza se torna uma cortina que esconde práticas de corrupção e abuso.
As repercussões desse caso ainda estão se desenrolando, e as declarações de Wexner servirão de catalisador para uma discussão cada vez mais necessária sobre ética nos negócios, justiça e responsabilidade social em um mundo onde os ricos muitas vezes parecem escapar ilesos das consequências de suas ações.
Fontes: The New York Times, BBC, The Guardian
Detalhes
Les Wexner é um magnata americano, conhecido por ser o ex-proprietário da Victoria's Secret, uma das maiores marcas de lingerie do mundo. Nascido em 1937, ele se destacou no setor de varejo, construindo um império que também incluía outras marcas. No entanto, seu nome ganhou notoriedade devido à sua relação com Jeffrey Epstein, levando a questionamentos sobre sua ética e práticas empresariais.
Resumo
Les Wexner, ex-proprietário da Victoria's Secret, fez declarações impactantes perante legisladores, alegando que foi "enganado" por Jeffrey Epstein. Em meio a investigações sobre Epstein, Wexner, de 88 anos, se defendeu afirmando que perdeu cerca de 46 milhões de dólares para o financista, mas não apresentou acusações formais contra ele. Críticos questionam a veracidade de suas alegações, especialmente considerando sua longa relação com Epstein. Documentos revelam que Epstein insinuou ter evidências que poderiam incriminar Wexner, levantando dúvidas sobre sua narrativa. A marca Victoria's Secret, sob sua direção, também enfrentou críticas por suas práticas, exacerbadas por seus laços com Epstein. O caso de Wexner destaca questões sobre poder, responsabilidade e a impunidade de figuras ricas, enquanto o debate sobre ética nos negócios e justiça social se intensifica.
Notícias relacionadas





