18/02/2026, 21:21
Autor: Laura Mendes

O bilionário Les Wexner, ex-CEO da L Brands, forneceu um depoimento alarmante ao Congresso nesta terça-feira, no qual alegou que se sentia "ingênuo" e "enganado" em relação ao infame pedófilo Jeffrey Epstein. A testimonia se deu em meio a uma investigação mais ampla sobre as atividades criminosas de Epstein, que revelou o envolvimento de várias figuras proeminentes, e levantou questões sobre a responsabilidade moral dos poderosos, que frequentemente operam em esferas de privilégio e impunidade.
Wexner, que é conhecido por sua associação com marcas como Victoria's Secret, enfrentou um intenso escrutínio não apenas por sua relação financeira com Epstein, mas também por seu próprio silêncio diante das inúmeras alegações de abuso sexual que cercaram o ex-magnata. Sua defesa, de que foi "enganado", rapidamente gerou reações de incredulidade e crítica, tanto no ambiente político quanto entre o público em geral. Para muitos, essa alegação soa como uma tentativa de desviar a responsabilidade pelas consequências de suas ações e decisões, especialmente considerando sua posição privilegiada e o controle que exercia sobre seus ativos financeiros.
Durante o depoimento, Wexner negou qualquer irregularidade e afirmou que sua intenção ao se associar a Epstein era puramente comercial, uma justificativa que foi recebida com descrença. Os críticos destacaram que apesar de sua imunidade a rigorosas investigações financeiras, um bilionário não pode simplesmente alegar falta de conhecimento sobre o comportamento de seus associados, especialmente considerando que ele cuidadosamente escolheu partilhar a gestão de bilhões de dólares com Epstein.
Os comentários dos cidadãos e especialistas na ética empresarial variaram entre aqueles que sustentam que a alegação de Wexner reflete uma gravíssima falta de responsabilidade e uma desconexão com os princípios morais que deveriam guiar indivíduos em posições de poder, e os que acreditam que a revelação de sua ingenuidade pode abrir caminho para discussões ainda mais amplas sobre o papel que os bilionários têm na perpetuação de sistemas de poder que frequentemente facilitam abusos e ações criminosas.
Reações nas redes sociais também foram contundentes. Uma série de comentários críticos foi dedicada exatamente à percepção de que, por trás de tais alegações de "ingenuidade", existe uma tentativa de minimizar a gravidade de suas ações e relações. "Ah, claro! O cara que financiou Epstein foi 'enganado'? Essa é uma resposta previsível quando os ricos são pegos", comentou um usuário, exemplificando a frustração de muitos que observam as interações entre riqueza, poder e justiça. Outro usuário apontou que "não posso acreditar que alguém que controla bilhões de dólares entrega o cuidado de suas finanças a um estranho sem um exame profundo."
A defesa de Wexner é reveladora, pois questiona não apenas sua ética, mas também a percepção pública sobre os bilionários e suas responsabilidades. Em um mundo onde a concentração de poder e riqueza se torna ainda mais pronunciada, a necessidade de responsabilização daqueles que operam em posições privilegiadas se torna um tema cada vez mais relevante. Como um comentarista colocou, "Ele 'se deixou enganar', mas quantas pessoas comuns podem alegar o mesmo quanto a ações ilegais e não enfrentar as consequências? A justiça parece ser bastante parcial."
Em um contexto mais amplo, o caso de Epstein foi um marco que expôs uma rede abrangente de exploração e abuso, que se estendeu para além do próprio Epstein e tocou numerosos indivíduos influentes. Este evento agiu como uma ponta do iceberg que revelou como o poder pode corromper e permitir ações hediondas, ao mesmo tempo em que gera uma cultura de silêncio e compadrio. A história de Wexner destaca as falhas sistêmicas em nossa sociedade em termos de supervisão e controle sobre aqueles que possuem riqueza e influência desmesuradas.
À medida que o testemunho de Wexner avança, a sociedade observa atentamente, entre laços de incredulidade e apelo por uma responsabilização mais clara e direta. Quando homens de poder alegam inocência ou ignorância, a questão de quem realmente sofre as consequência de crimes se torna mais complexa. O que está claro é que sua declaração suscita um debate urgente sobre ética, responsabilidade e o estado da justiça para os privilegiados em nossa sociedade.
Fontes: The New York Times, BBC News, The Guardian
Detalhes
Les Wexner é um empresário e filantropo americano, conhecido por ser o fundador e ex-CEO da L Brands, empresa controladora de marcas como Victoria's Secret e Bath & Body Works. Ao longo de sua carreira, Wexner acumulou uma vasta fortuna e se tornou uma figura influente no setor de varejo. Sua associação com Jeffrey Epstein gerou controvérsias, especialmente após as alegações de abuso sexual que cercaram Epstein, levando a um intenso escrutínio sobre suas decisões empresariais e éticas.
Resumo
O bilionário Les Wexner, ex-CEO da L Brands, depôs ao Congresso, alegando que se sentia "ingênuo" e "enganado" em relação a Jeffrey Epstein, em meio a uma investigação sobre as atividades criminosas do pedófilo. Wexner, associado a marcas como Victoria's Secret, enfrenta críticas pela sua relação financeira com Epstein e por seu silêncio diante das alegações de abuso sexual que o cercavam. Sua defesa gerou reações de incredulidade, com críticos argumentando que um bilionário não pode alegar ignorância sobre o comportamento de seus associados. O depoimento também levantou questões sobre a responsabilidade moral dos poderosos e a desconexão com princípios éticos. As redes sociais refletiram essa frustração, com muitos questionando a legitimidade da alegação de Wexner. O caso de Epstein expôs uma rede de exploração que envolve figuras influentes, destacando falhas sistêmicas na supervisão de pessoas ricas e poderosas. À medida que o testemunho avança, a sociedade demanda maior responsabilização e debate sobre ética e justiça.
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