02/01/2026, 15:57
Autor: Laura Mendes

Em uma era marcada pelo avanço tecnológico e pela crescente interconexão, a afirmativa de Larry Ellison, cofundador da Oracle, sobre a gravação constante como forma de "controlar" o comportamento dos cidadãos, suscita um debate acalorado sobre as implicações éticas e sociais dessa abordagem. Ellison acredita que a vigilância contínua pode resultar em uma população mais comportada, mas críticos alertam que essa lógica abre as portas para um estado de vigilância que se assemelha a cenários distópicos, já imaginados por autores como George Orwell.
A ideia de monitoramento constante sugere uma relação inversamente proporcional entre a privacidade individual e a segurança pública. À medida que mais dispositivos de gravação se tornam comuns em nossa vida cotidiana — desde câmeras em locais públicos até celulares e assistentes virtuais que escutam ininterruptamente — emergem questões fundamentais. Para muitos, a questão central não é apenas a desconfiança em relação a um sistema que possa conduzir a um estado policial, mas também a questão de quem realmente se beneficia disso. Comentários incisivos sobre a proposta de Ellison indicam que tais dispositivos e sistemas podem ser usados mais para controlar "os cidadãos comuns" do que para responsabilizar figuras de poder, como políticos e oligarcas.
Os alertas sobre a vigilância massiva e os efeitos que ela pode ter na democracia e nos direitos civis refletem uma preocupação crescente em várias camadas da sociedade. A ideia de um "panóptico" moderno, onde a população é observada constantemente, levanta o temor de que as liberdades civis sejam severamente restringidas. Aqui, a literatura e o cinema desempenham um papel crucial, apresentando narrativas que frequentemente examinam as consequências de um estado de vigilância. Como destacou um comentarista, mesmo com a abundância de mídias que discutem esses temas, há uma notável falta de ação de indivíduos com poder que poderiam ser vozes de protesto em um contexto cada vez mais opressivo.
As implicações da vigilância constante não são meramente teóricas; elas podem impactar a sociedade de maneiras muito práticas. A possibilidade de que as elites de poder estejam isentas de tal vigilância perpetua um ciclo de desigualdade. Enquanto os cidadãos comuns compartilham diariamente suas vidas nas redes sociais, os poderosos muitas vezes se beneficiam da proteção que sua posição social lhes confere. Essa disparidade pode alimentar um sentimento de descontentamento e desconfiança em relação ao sistema e suas instituições.
Nas sociedades contemporâneas, a discussão sobre vigilância e privacidade frequentemente gira em torno da ética do que constitui "o bem maior". Desde a invenção da imprensa até a ascensão da televisão e da internet, a manipulação da opinião pública se tornou uma realidade no entanto que o uso de tecnologias de monitoramento tem avançado ao longo do tempo. O argumento de que a gravidade da situação pode estar se agravando parece corroborado pelo sentimento de muitos que percebem que seus direitos à privacidade estão sendo erodidos em nome da segurança e do comportamento, frequentemente ditados por uma elite que não é sujeita às mesmas regras.
As palavras de George Orwell, que refletiu sobre o controle da sociedade através da vigilância, ecoam de forma perturbadora neste contexto atual. Assim como ele previu, a combinação de tecnologia e controle social pode dar poder sem precedentes a qualquer governo ou elite que deseje manipular a sociedade. A observação ininterrupta não apenas impacta o comportamento individual, mas também pode criar um ambiente onde as vozes dissidentes se tornem cada vez mais difíceis de ouvir.
Esse cenário é agravado pela perda de confiança nas instituições de mídia e denúncia, que são vistas, por alguns, como cúmplices desse novo estado de vigilância. A falta de uma cobertura crítica e independente, junto à possibilidade crescente dos grandes grupos de mídia serem controlados por indivíduos com interesses próprios, complica ainda mais o panorama da liberdade de expressão. Muitas pessoas sentem que a oposição se torna cada vez mais silenciada diante da pressão dos interesses corporativos e do medo de represálias.
A ideia de que a gravação constante levará a um comportamento "melhorado" parece rejeitar a complexidade da natureza humana e das interações sociais. A responsabilidade mútua, o diálogo e a educação cívica podem ser soluções mais eficazes para promover uma sociedade respeitosa do que a vigilância. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre segurança e liberdade, sem sacrificar os direitos fundamentais dos indivíduos em nome de um ideal de controle aparente.
Lasciando para o futuro, a intrincada relação entre tecnologia e comportamento humano exigirá um exame contínuo e crítico. Na medida em que avançamos para um futuro cada vez mais digital, as perguntas sobre quem nos observa e por quê tornam-se mais relevantes do que nunca. O que está em jogo é mais do que a privacidade individual; trata-se da própria essência da sociedade democrática e a maneira como envolvemos e garantimos os direitos de todos os cidadãos.
Fontes: The Guardian, Wired, The New York Times
Detalhes
Larry Ellison é um empresário e cofundador da Oracle Corporation, uma das maiores empresas de software do mundo, conhecida por suas soluções em banco de dados e tecnologia em nuvem. Nascido em 17 de agosto de 1944, Ellison é um dos homens mais ricos do mundo, com uma carreira marcada pela inovação e pela visão estratégica no setor de tecnologia. Ele também é conhecido por seu estilo de vida extravagante e por sua paixão por iates e esportes.
Resumo
A afirmação de Larry Ellison, cofundador da Oracle, sobre a vigilância constante como meio de "controlar" o comportamento dos cidadãos gerou um intenso debate sobre suas implicações éticas e sociais. Ellison argumenta que a gravação contínua pode levar a uma população mais comportada, mas críticos alertam para o risco de um estado de vigilância que remete a cenários distópicos, como os descritos por George Orwell. A discussão gira em torno da relação entre privacidade e segurança pública, com preocupações sobre quem realmente se beneficia desse monitoramento. A vigilância massiva pode restringir liberdades civis e perpetuar desigualdades, enquanto os cidadãos comuns são observados, enquanto as elites permanecem protegidas. A falta de confiança nas instituições de mídia e a manipulação da opinião pública agravam a situação, tornando a oposição cada vez mais silenciada. A complexidade da natureza humana sugere que a educação cívica e o diálogo podem ser mais eficazes que a vigilância. O desafio é encontrar um equilíbrio entre segurança e liberdade, preservando os direitos fundamentais em uma sociedade democrática.
Notícias relacionadas





