02/01/2026, 17:24
Autor: Laura Mendes

A busca por diversidade e inclusão nas empresas de São Paulo tem se intensificado, especialmente no que diz respeito à contratação de profissionais de diferentes etnias, gêneros e orientações sexuais. Embora muitas organizações tenham se comprometido com iniciativas que visam promover um ambiente de trabalho mais acolhedor, as dificuldades persistem, especialmente para grupos historicamente marginalizados, como pessoas trans e a comunidade LGBT.
Um dos comentários de trabalhadores que vivenciam essa realidade aponta que a diversidade adotada por algumas empresas pode parecer mais uma estratégia de “cumprimento de cotas” do que uma verdadeira oportunidade para esses profissionais. "Em geral, a maioria faz campanhas a favor da diversidade e tem vagas para esse público, mas vi que muitos permanecem estagiários ou em cargos inferiores por longos períodos, enquanto seus colegas na mesma condição, sem as mesmas dificuldades, são promovidos", afirmou um colaborador. Essa visão é corroborada por outros comentários que refletem a experiência de indivíduos que fazem parte do público LGBT e de pessoas com deficiência (PCDs), que relatam barreiras na progressão de carreira, mesmo em empresas que promovem essa diversidade.
Entretanto, a percepção de como a diversidade é tratada nas empresas varia significativamente. Um trabalhador em uma multinacional relatou que seus colegas LGBT são tratados de maneira normal e que a questão da sexualidade raramente é abordada em seu ambiente de trabalho. Essa é uma visão positiva, mas não representa a experiência de todos. A natureza acolhedora do ambiente de trabalho pode, em muitos casos, depender da cultura organizacional e da gestão.
Outro aspecto relevante é o sentimento de que as empresas estão vinculando suas estratégias de diversidade a movimentos sociais, mas com a sensação de que isso se tornou apenas uma moda. "Na década passada, talvez as coisas fossem melhores, mas agora as empresas tratam o tema como algo 'woke'", expressou um comentarista, apontando para a necessidade de ações mais concretas e menos performáticas quando o assunto é inclusão.
Além disso, a situação para as pessoas trans no mercado de trabalho é delicada, com muitos indivíduos tendo dificuldade em encontrar oportunidades. Uma mulher trans que atua na área de comunicação questionou se as empresas em São Paulo são mais receptivas a pessoas trans, ressaltando a insegurança e os desafios enfrentados no processo de busca por emprego. Outras vozes da comunidade reforçaram que, embora existam oportunidades, especialmente em setores como tecnologia, a realidade do dia a dia nos ambientes de trabalho pode ser complexa. "O mercado publicitário é complicado, e dependendo da empresa, você pode sofrer um pouco", comentou uma profissional da área.
Apesar das dificuldades notadas, há um movimento crescente para criar espaços mais acolhedores e inclusivos. Muitas empresas estão implementando experiências de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), que buscam envolver grupos diversos, incluindo trabalhadores trans. Esse tipo de esforço, segundo alguns relatos, torna o ambiente de trabalho mais amigável e propício ao crescimento profissional, minimizando preconceitos e discriminação.
Profissionais que já passaram por experiências similares sugerem que o perfil da empresa faz diferença substancial na forma como os colaboradores são tratados. As organizações mais voltadas para a inovação e a inclusão parecem ter energia e disposição para acolher a diversidade, desafiando os estereótipos de ambientes de trabalho convencionais, onde a homogeneidade ainda prevalece. "Tenho uma amiga de trabalho que é gerente de produto e nunca enfrentou preconceito evidente em sua carreira", comentou uma colega, enfatizando que essas experiências positivas podem ser uma exceção, mas também acreditam que elas são o futuro do mercado de trabalho.
Enquanto isso, as indústrias que discutem abertamente a substância de uma cultura inclusiva podem ver um impacto positivo em seu ambiente, resultando em maior produtividade, clima organizacional e redução de rotatividade. Portanto, mesmo que a diversidade ainda enfrente desafios, é evidente que um número crescente de empresas em São Paulo está se comprometendo com uma mudança real, e a resposta do mercado poderá moldar o futuro da contratação e promoção de grupos historicamente marginalizados. A luta por igualdade e oportunidades equitativas continua, mas, com persistência, pode-se vislumbrar um horizonte mais positivo para todos os trabalhadores da cidade.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, UOL
Resumo
A busca por diversidade e inclusão nas empresas de São Paulo tem se intensificado, focando na contratação de profissionais de diversas etnias, gêneros e orientações sexuais. Apesar de muitas organizações se comprometerem com iniciativas inclusivas, desafios permanecem, especialmente para grupos marginalizados como pessoas trans e a comunidade LGBT. Comentários de trabalhadores indicam que a diversidade é muitas vezes vista como uma estratégia de "cumprimento de cotas", com profissionais enfrentando barreiras na progressão de carreira. Embora algumas experiências sejam positivas, a percepção sobre a inclusão varia, dependendo da cultura organizacional. A situação para pessoas trans é delicada, com dificuldades em encontrar oportunidades, mas há um movimento crescente em direção a ambientes mais acolhedores. Empresas que implementam experiências de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) estão criando espaços mais amigáveis, desafiando estereótipos. Apesar dos desafios, um número crescente de empresas está se comprometendo com mudanças reais, vislumbrando um futuro mais positivo para trabalhadores historicamente marginalizados.
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