Irã registra mortes de jovens durante protestos em Teerã

Imagens de um necrotério em Teerã revelam a brutalidade dos protestos, com relatos de mortes de garotas de apenas 16 anos exigindo atenção internacional.

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16/01/2026, 14:50

Autor: Laura Mendes

Uma cena com um necrotério improvisado em Teerã, mostrando corpos cobertos esperando identificação, com pessoas visivelmente angustiadas procurando por entes queridos, enquanto algumas deveriam estar usando máscaras para bloquear o cheiro do sangue no ambiente caótico do local. O fundo mostra a estrutura do necrotério, com uma atmosfera pesada e sombria.

Em meio a um ambiente de crescente revolta popular, o Irã atravessa um momento sombrio marcado pela brutalidade da repressão aos protestos que eclodiram em diversas partes do país. As imagens que surgiram, revelando o necrotério improvisado em Teerã, chocam o mundo e destacam a severidade da atuação do regime iraniano contra manifestantes, incluindo a morte de jovens, com algumas vítimas tendo apenas 16 anos.

A cena do necrotério em Kahrizak, um centro forense convertido em local de espera para identificação de corpos, é desesperadora. As imagens, que foram contrabandeadas para fora do país, mostram dezenas de iranianos deitados em sacos para cadáveres no chão, à espera de serem encontrados por familiares. A falta de espaço já se tornou evidente, levando as autoridades a tomarem medidas drásticas para esconder o número da tragédia. Estima-se que entre 150 a 200 corpos estejam presentes, com relatos de autoridades exigindo valores exorbitantes de entre 500 e 700 milhões de tomans (aproximadamente 8 a 11 mil libras esterlinas) das famílias para a devolução dos corpos, uma situação angustiante que expõe a exploração e o sofrimento acrescidos à dor da perda.

Os eventos recentes em Teerã acontecem em um contexto de apagão digital, onde o monitoramento da internet, através da plataforma NetBlocks, confirmou que os iranianos estavam sem acesso à rede por mais de 180 horas, o que representa um dos maiores desligamentos digitais da história do país. Tais medidas evidenciam o temor do regime em permitir que informações sobre os verdadeiros eventos cheguem ao público internacional.

As imagens dos corpos encontrados revelam ferimentos que variam desde ferimentos de bala até mutilações severas, indicando a violência desmedida com que a repressão foi realizada. Uma das vítimas é uma jovem de 16 anos, cujo nome parece ser Parian, um lembrete cruel da inocência perdida em meio ao clamor por liberdade e justiça. Outras notas traduzidas revelam nomes como Peyman e Mohammad, além de etiquetas genéricas que identificam vítimas não reconhecidas.

Divulgações feitas pela mídia estatal iraniana tentaram minimizar a gravidade da situação, afirmando que a maioria dos mortos eram manifestantes enérgicos que buscavam confrontos com as forças de segurança, muitas vezes negando que as vítimas fossem ativistas pacíficos. Contudo, a narrativa oficial do governo se choca com os relatos de grupos de direitos humanos, como a Hengaw, que relatam que mais de 2.500 pessoas foram mortas no contexto dos protestos.

O grupo Human Rights Activists News Agency estima que, nas últimas duas semanas, cerca de 2.435 mortos eram manifestantes, enquanto 153 estavam associados ao governo. Em contrapartida, o governo iraniano alega que as cifras são exageradas, colocando o número de manifestantes mortos em cerca de 300, uma discrepância que reflete o caos e a falta de transparência das autoridades em reportar a realidade sob pressão social.

A coleta de evidências sobre a repressão brutal gerou uma esperança de que, quando o Irã restabelecer o acesso à internet, uma avalanche de conteúdos mostrando a realidade das manifestações e os horrores da repressão inundará as redes sociais. Até que isso ocorra, e diante do controle intenso sobre a mídia e a informação, os registros continuam a surgir esporadicamente, apresentando ao mundo a realidade difusa e distorcida sob o qual os iranianos lutam.

Histórias de protestos e opressão não são novas na história do Irã. O país já vivenciou inúmeros movimentos em busca de reformulação social e política, sendo a repressão violenta por parte da Governança uma reação comum. As imagens da brutalidade atual ecoam os eventos do passado, como o movimento "Mulheres, Vida, Liberdade", desencadeado em 2022 pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini, uma jovem cujos direitos foram violados em um sistema que busca silenciar vozes dissidentes.

O futuro dos protestos no Irã continua incerto. Apesar da repressão severa, a coragem dos iranianos em se manifestar por mudanças ainda brilha em meio à escuridão. Esses protestos são um chamado à ação internacional, exigindo um olhar atento e uma resposta solidária da comunidade global em defesa dos direitos humanos e da liberdade.

Fontes: The i Paper, CNN, Human Rights Activists News Agency, Hengaw

Resumo

O Irã enfrenta uma grave crise social marcada pela repressão brutal aos protestos, resultando em um aumento no número de mortos, incluindo jovens de apenas 16 anos. Imagens de um necrotério improvisado em Teerã chocam o mundo, mostrando corpos esperando identificação, com autoridades exigindo quantias exorbitantes das famílias para a devolução dos corpos. Em meio a um apagão digital de mais de 180 horas, o regime teme que informações sobre a violência cheguem ao público internacional. Grupos de direitos humanos relatam que mais de 2.500 pessoas foram mortas, enquanto o governo minimiza a situação, alegando que apenas 300 manifestantes foram mortos. A brutalidade atual ecoa eventos passados, como o movimento "Mulheres, Vida, Liberdade", e destaca a luta contínua dos iranianos por liberdade e justiça. Apesar da repressão, a coragem dos manifestantes persiste, clamando por uma resposta da comunidade global em defesa dos direitos humanos.

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