09/01/2026, 19:13
Autor: Laura Mendes

No dia 29 de março de 2023, o governo do Irã decidiu interromper completamente o acesso à internet em um momento crítico de intensos protestos, levantando sérias preocupações sobre liberdade de expressão e direitos civis. Essa ação drástica ocorre em um contexto de crescente descontentamento popular, impulsionado por questões políticas e econômicas. O bloqueio não apenas limita o acesso dos cidadãos às informações, como também afeta a comunicação entre eles. O que antes era uma rede de informações dinâmica e interconectada se transformou em um silêncio ensurdecedor, como um golpe direto à capacidade das pessoas de se organizarem e expressarem suas demandas.
A decisão de cortar a internet foi intensamente criticada por especialistas em tecnologia e direitos humanos, que afirmam que a informação é a base fundamental para a organização social e a resistência. Muitas vozes, como a de organizadores de redes alternativas, sugerem a implementação de redes "meshtastic" ou "LoRa Mesh" como soluções para contornar as restrições. Essas tecnologias permitem que as pessoas se comuniquem de forma independente, mesmo sem acesso à internet convencional, utilizando interações diretas e localizadas.
Entretanto, a implementação de tais redes enfrenta desafios significativos. Criar uma infraestrutura de comunicação sem depender de serviços tradicionais exige não apenas conhecimento tecnológico, mas também a disposição da população para desenvolver métodos alternativos de troca de informações. Há também um receio sobre as táticas que alguns governos podem empregar; a ideia de que autoridades poderiam seguir o exemplo do Irã desencadeia um debate sobre a segurança das comunicações pessoais em outros países.
O impacto direto dessa desativação sobre a comunicação tem ressoado mais além das fronteiras do Irã. Historicamente, em revoltas passadas, movimentos populares conseguiram derrubar regimes autocráticos, mesmo sem o auxílio da internet ou de ferramentas modernas de comunicação. Neste aspecto, a história parece se repetir, e o povo iraniano segue a ideia de que a força coletiva e a solidariedade são mais poderosas do que qualquer tentativa de controle governamental.
Entretanto, não se deve subestimar o poder da repressão tecnológica. As discussões sobre como o Starlink, o projeto de internet via satélite altamente promovido, poderia ser afetado foram levantadas, questionando a viabilidade dos sinais e a energia necessária para bloquear tais comunicações em larga escala. Isso levanta uma questão crucial: se um governo é capaz de desabilitar um sistema de comunicação internacional como o Starlink, o que isso significaria para outros países que possam seguir esse mesmo caminho em situações de crise?
Além da tecnologia, há um âmbito mais humano e social a ser considerado; a sensação de insegurança e vulnerabilidade é palpável quando a comunicação é interrompida. Em tempos de crise, as pessoas buscam se conectar com aqueles que compartilham suas experiências e lutas, e o fenômeno do bloqueio somente solidifica o desejo de lutar por mudança.
Diante desse cenário, a ação do governo iraniano revela a natureza hostil de governos autoritários que preferem silenciar dissentimentos a dialogar com a população. Com uma história repleta de revoltas e expressões contrárias ao poder estabelecido, os protestos atuais representam mais do que simplesmente um clamor por direitos; eles simbolizam uma resistência contínua contra a opressão e um grito por liberdade em um mundo que se torna cada vez mais controlado pelo medo e pela desinformação.
Em meio a tudo isso, a comunidade internacional observa. As tensões crescentes no Irã refletem um padrão maior de repressão ao redor do mundo, onde a liberdade de expressão e acesso à informação se tornam luxos, em vez de direitos fundamentais. Além do mais, a necessidade de se cultivar uma cultura de resistência informada é mais urgente do que nunca, enfatizando que a luta pelos direitos civis e a liberdade de comunicação deve ser uma prioridade global. No final, libertar-se do medo que os governos instalam pode ser o primeiro passo na luta por um futuro onde a voz do povo realmente importe.
Fontes: BBC, Al Jazeera, The Guardian, Agence France-Presse
Resumo
No dia 29 de março de 2023, o governo do Irã decidiu interromper completamente o acesso à internet durante intensos protestos, levantando preocupações sobre liberdade de expressão e direitos civis. O bloqueio limita o acesso à informação e a comunicação entre cidadãos, transformando uma rede dinâmica em um silêncio ensurdecedor. Especialistas criticam a medida, afirmando que a informação é essencial para a organização social. Algumas vozes sugerem o uso de redes alternativas para contornar as restrições, mas a implementação enfrenta desafios significativos. O impacto do bloqueio ressoa além do Irã, lembrando que movimentos populares podem derrubar regimes autocráticos mesmo sem acesso à internet. No entanto, a repressão tecnológica é uma preocupação, especialmente em relação ao projeto Starlink. A sensação de insegurança e vulnerabilidade aumenta quando a comunicação é interrompida, solidificando o desejo de mudança. A ação do governo iraniano evidencia a hostilidade de regimes autoritários e a resistência contínua por liberdade. A comunidade internacional observa, refletindo um padrão maior de repressão ao redor do mundo, onde a luta pela liberdade de expressão se torna urgente.
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