Governo dos EUA adquire 10% da Intel em estratégia de segurança

Em um esforço para garantir a produção de semicondutores no país, o governo dos EUA adquiriu 10% da Intel como parte do CHIPS Act.

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30/08/2025, 12:24

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma representação de um ambiente tecnológico avançado, com chips de computador em destaque. Uma bandeira dos EUA e imagens de fábricas modernas de semicondutores podem ser vistas ao fundo, simbolizando a parceria entre o governo e a indústria tecnológica, criando uma atmosfera de inovação e segurança nacional.

No dia 25 de agosto de 2023, uma movimentação política significativa ocorreu quando o governo dos Estados Unidos anunciou que agora possui uma participação de 10% na Intel, uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo. Essa decisão está diretamente ligada ao CHIPS Act, uma legislação aprovada com o objetivo de aumentar a produção de chips no país, visando não apenas fortalecer a economia, mas também garantir a segurança nacional em face das crescentes tensões geopolíticas, especialmente no que se refere à China e à Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).

A participação acionária foi possibilitada após o governo injetar bilhões de dólares na Intel, formando um acordo em que a empresa ofereceu suas ações como garantia em troca de recursos para expandir suas operações. Essa manobra é vista como uma estratégia pragmática diante de uma indústria de semicondutores que está em constante evolução e face a uma competição global intensa. Críticos e defensores da medida estão debatendo suas implicações, tanto em termos econômicos quanto políticos.

Analistas ressaltam que a decisão de adquirir 10% da Intel é uma tentativa de dar ao governo uma maior influência na crescente indústria de semicondutores, que é vital não apenas para a economia, mas também para a segurança nacional. Com a possibilidade de uma invasão da China a Taiwan, que controlaria a maior parte da fabricação de chips no mundo, o governo americano age para assegurar que a produção de semicondutores permaneça em solo nacional e que as empresas americanas não sejam totalmente dependentes de fontes externas.

Os comentários apontam que essa situação não é única e já ocorreu em outros momentos, como durante a crise financeira de 2008, quando o governo dos EUA tomou uma posição acionária em empresas consideradas "grandes demais para falir". Entretanto, enquanto alguns consideram a aquisição como um "assistencialismo corporativo", outros veem como uma estratégia necessária diante das circunstâncias atuais. A ideia de que o governo deve ter alguma participação nas empresas essenciais à infraestrutura tecnológica tem raízes profundas na política econômica americana, onde investimentos públicos em setores estratégicos têm sido usados como um meio de proteção e crescimento.

Para alguns críticos, a aquisição de ações pelo governo americano é um sinal de que a administração atual, sob liderança do presidente Biden, está adotando práticas que podem ser interpretadas como socialistas. No entanto, defensores argumentam que a situação é uma medida pragmática em resposta a um mercado que rapidamente se torna cada vez mais vital para a segurança nacional. É um reflexo das mudanças na dinâmica global, onde os semicondutores agora são considerados um recurso estratégico, comparável a petróleo e gás.

Históricos de negociações do governo, tanto com a Intel quanto com outras grandes empresas, demonstram que muitas decisões são tomadas em função de complexos motivadores econômicos e políticos. Muitas nações têm abordagens semelhantes, onde participações acionárias são mantidas em empresas essenciais como uma forma de garantir que suas economias se mantenham competitivas e estáveis.

Contudo, esse arranjo também levanta questões sobre transparência e ética na forma como o governo manipula sua influência sobre o setor privado. Comenta-se que essa jogada pode ser vista como uma forma de "extorsão" econômica, onde empresas são forçadas a ceder parte de suas operações para garantir apoio financeiro do governo. Críticos alertam que tal abordagem pode ameaçar a liberdade do mercado e reduzir a competitividade, dado que as empresas podem começar a depender da segurança financeira do governo.

Para o futuro, essa aquisição poderá levar a uma maior intervenção do governo nas operações da Intel e outras empresas de semicondutores. A relação entre governo e empresas terá que ser cuidadosamente monitorada, à medida que diferentes administrações influenciam a orientação estratégica da indústria de fabricação de chips. Isso também levanta questões acerca da natureza do capitalismo americano e até que ponto o governo deve se envolver nas operações de empresas privadas.

À medida que a Intel se prepara para expandir suas fábricas e aumentar a produção, espera-se que essa parceria estratégica produza resultados que possam beneficiar tanto a economia americana quanto a segurança nacional. Contudo, a discussão em torno da adequação e a moralidade dessas decisões continuará a ser um tópico de intenso debate na política e na sociedade americana por muitos anos.

Fontes: The Washington Post, Reuters, Bloomberg

Detalhes

Intel

A Intel Corporation é uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo, conhecida por seus microprocessadores que alimentam a maioria dos computadores pessoais e servidores. Fundada em 1968, a empresa desempenhou um papel crucial na revolução digital, sendo pioneira em tecnologias de microeletrônica. Com sede em Santa Clara, Califórnia, a Intel investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento para manter sua liderança no setor, enfrentando concorrência crescente de outras empresas, como AMD e TSMC.

Resumo

No dia 25 de agosto de 2023, o governo dos Estados Unidos anunciou a aquisição de 10% da Intel, uma das principais fabricantes de semicondutores, em um movimento vinculado ao CHIPS Act. Essa legislação visa aumentar a produção de chips no país, fortalecendo a economia e a segurança nacional em meio a tensões geopolíticas com a China e a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). A participação foi possibilitada por um investimento bilionário do governo, que usou ações da Intel como garantia. A decisão é vista como uma maneira de assegurar que a produção de semicondutores permaneça nos EUA, evitando a dependência de fontes externas. Embora alguns considerem essa ação um assistencialismo corporativo, defensores argumentam que é uma resposta pragmática às necessidades de segurança nacional. A aquisição levanta questões sobre a ética e a transparência na relação entre governo e setor privado, além de implicações para o futuro da indústria de semicondutores e do capitalismo americano.

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