Ex-funcionário do FBI critica estratégia da ICE no tiroteio em Minneapolis

Michael Feinberg, ex-oficial do FBI, desqualificou a justificativa do agente da ICE que matou Renee Good, afirmando que não havia ameaça à vida e a ação foi desproporcional.

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10/01/2026, 15:24

Autor: Laura Mendes

Uma cena dramática da cidade de Minneapolis com uma ambulância em destaque, sirenes ligadas e agentes da ICE ao fundo. A atmosfera é tensa, capturando a gravidade do tiroteio, com expressões graves nos rostos dos agentes. Um carro estacionado, simbolizando o momento da ação, e a neve cobrindo o chão, contrastando com a urgência da situação.

Um tiroteio fatal em Minneapolis levantou questões sérias sobre o uso da força pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos, após a morte de Renee Good, uma mulher atingida por disparos de um agente da ICE (Imigração e Controle de Fronteiras). A situação se tornou mais complexa quando Michael Feinberg, um ex-funcionário do FBI, expressou suas crenças de que o uso de força letal por parte do agente que atirou, Jonathan Ross, não era justificado. A crítica veio após a divulgação de um vídeo que capturou os momentos que antecederam o tiroteio e as ações do agente, gerando um debate sobre a eficácia e a ética do uso da força pelas autoridades federais.

Em uma entrevista à MSNBC, Feinberg descreveu a filmagem como não justificativa para a resposta letal, destacando que “alguém te filmando com um celular e te dando patada” não representa uma ameaça à vida, categorizando tal situação como um “pequeno incômodo”. Ele enfatizou que a capacidade de manter a calma em situações de pressão é fundamental para agentes da lei e que o comportamento de Ross, que disparou três vezes contra Good, demonstrou um “auge do unprofessionalismo”. Feinberg argumentou que, ao invés de receber treinamento para lidar com situações desafiadoras, os agentes de forças de segurança devem demonstrar maturidade emocional, especialmente em situações críticas.

A situação se agrava considerando os comentários feitos após o tiroteio, onde Feinberg criticou as declarações de figuras políticas como a governadora Kristi Noem, que rapidamente se posicionaram em defesa da ICE sem conhecer os detalhes do incidente. Ele lembrou que a falta de espera para uma investigação completa e a aproximação arriscada de Noem sobre o caso contribuíram para a desinformação em torno dos eventos que levaram ao tiroteio.

Além disso, Feinberg disse que a retórica utilizada no vídeo e o comportamento do agente demonstram uma falta de compreensão das diretrizes da força letal. Ele explicou que os agentes de segurança não devem posicionar-se deliberadamente na frente de veículos em movimento, um princípio fundamental nas diretrizes de uso da força, que também ocorre quando não há uma violação clara da lei. Feinberg destacou que, segundo as normativas, o uso da força letal deve ser considerado apenas se outras medidas, como simplesmente sair do caminho, não forem viáveis, algo que claramente não foi o caso neste incidente.

Os comentários na mídia e nas redes sociais sobre o caso mostram uma entrelaçada crítica às ações do agente, que não foram apenas vistas como inapropriadas, mas como uma evidência de um problema mais extenso no treinamento e na conduta das forças de segurança. Há uma crescente demanda por responsabilidade e maior rigor em relação ao uso da força pelas autoridades policiais, com considerações sobre a proteção dos direitos humanos e a ética da aplicação da lei.

Michael Feinberg também abordou que a tendência de alguns agentes de se tornarem emocionalmente instáveis pode ser um reflexo da própria cultura dentro das forças policiais, mencionando que a administração atual parece não estar interessada em aprender ou melhorar, focando em reações exageradas e sem espaço para nuances. Ele articula a necessidade de responsabilização e questiona por que tais incidentes permanecem sem solução ou investigação adequada, percurso que perpetua um ciclo de violência e injustiça.

O incidente não só trouxe à tona as questões em relação à conduta da ICE, mas também provocou uma análise mais profunda sobre o sistema de justiça criminal nos Estados Unidos e como as agências podem – e devem – evoluir a partir de tragédias como esta. Michael Feinberg, ao exprimir sua visão, com o conhecimento adquirido ao longo de sua carreira no FBI, se tornou uma voz destacada em um tema que reverberará por muito tempo, questionando tanto as políticas de segurança quanto o respeito aos direitos civis nas interações entre o governo e os cidadãos. O futuro da segurança pública e a eficácia das forças de imigração estão agora sob um microscópio, exigindo uma resposta da administração federal e das autoridades locais, bem como uma revisão crítica do treinamento e dos protocolos estabelecidos.

Fontes: CNN, The New York Times, Associated Press

Detalhes

Michael Feinberg

Michael Feinberg é um ex-agente do FBI que se destacou por suas análises sobre segurança pública e uso da força pelas autoridades. Com uma carreira focada em investigações e aplicação da lei, Feinberg se tornou uma voz crítica em questões relacionadas à conduta policial e à necessidade de reformas no sistema de justiça criminal, defendendo a responsabilidade e a ética nas interações entre o governo e os cidadãos.

Resumo

Um tiroteio em Minneapolis, que resultou na morte de Renee Good por um agente da ICE, levantou sérias questões sobre o uso da força por autoridades de imigração nos EUA. Michael Feinberg, ex-funcionário do FBI, criticou a ação do agente Jonathan Ross, afirmando que a força letal não era justificada. Em entrevista à MSNBC, Feinberg descreveu o vídeo do incidente como não representativo de uma ameaça à vida, enfatizando a importância da calma em situações de pressão para os agentes da lei. Ele também criticou figuras políticas, como a governadora Kristi Noem, que se apressaram a defender a ICE sem conhecer os detalhes do caso. Feinberg argumentou que a falta de compreensão das diretrizes de uso da força e a cultura emocionalmente instável dentro das forças policiais são questões que precisam ser abordadas. O incidente não apenas destacou a conduta da ICE, mas também provocou uma reflexão mais ampla sobre o sistema de justiça criminal nos EUA e a necessidade de evolução nas práticas de segurança pública.

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