10/01/2026, 15:14
Autor: Laura Mendes

O debate sobre o uso da força letal por agentes de segurança pública voltou à tona após um incidente trágico em Minnesota, onde um agente da Imigração e Controle de Aduanas (ICE) disparou contra Renee Good, resultando em sua morte. A resposta da ICE ao incidente, que inclui a divulgação de filmagens feitas pelo agente durante o evento, foi severamente criticada por Michael Feinberg, um ex-oficial do FBI com experiência significativa na aplicação da lei. Em uma entrevista, Feinberg argumentou que a justificativa apresentada pelo governo em defesa do uso da força letal era não apenas insuficiente, mas também perigosamente enganosa.
Feinberg enfatizou que o agente da ICE, ao filmar a interação com seu celular, demonstrou uma falta de discernimento sobre o que constitui uma ameaça real em situações de potencial conflito. “Se você está com medo de uma situação, o último instinto deve ser filmar. Você deseja que suas mãos fiquem livres para qualquer ação necessária, seja para usar uma arma ou interagir fisicamente com um indivíduo”, afirmou ele. A crítica de Feinberg se destaca em um momento em que as filmagens de situações policiais têm gerado discussões acaloradas sobre a responsabilidade das forças de segurança e o tratamento de civis.
O tiroteio de Good levantou questões sobre a adequação da resposta policial em situações de confronto com civis. Feinberg observou que, em muitos casos, os policiais enfrentam o que outros podem considerar provocações ou desafios, mas que não representam uma ameaça à vida. Ele descreveu a situação como uma resposta exagerada a comportamentos que, embora possam ser considerados desrespeitosos, não justificam a aplicação de força mortal. A ideia de que um agente da lei deve ter treinamento para lidar com a exposição pública sem recorrer ao uso excessivo de força é um ponto crucial em sua argumentação.
“Ser vaiado e filmado faz parte do trabalho dos oficiais. Eles devem exibir maturidade emocional e manter a calma diante de desafios, que são inerentes à função”, disse Feinberg. Ele criticou tanto o agente quanto comentários subsequentes feitos por altos funcionários do governo, incluindo o ex-presidente Donald Trump, que se manifestaram sobre o ocorrido antes de uma investigação adequada ser realizada. Feinberg se referiu a comentários desrespeitosos ou reativos provenientes de representantes do governo como exemplares de “falta de profissionalismo” e “desvio de foco”.
A questão da proporcionalidade do uso da força nas operações da ICE e de outras agências de segurança se torna ainda mais relevante diante de um panorama em que as interações entre autoridades e civis estão sendo constantemente filmadas e disseminadas nas redes sociais. O acesso fácil a esse tipo de conteúdo aumenta a responsabilidade sobre como os agentes lidam com situações de estresse e provocações, exigindo um padrão elevado de conduta.
Outros comentaristas sobre a situação têm se preocupado com a formação que novos agentes estão recebendo. Historicamente, o treinamento de novos agentes da imigração durava aproximadamente 37 semanas; porém, relatos recentes indicam que o tempo de formação foi reduzido a apenas seis semanas em algumas circunstâncias, o que levanta preocupações sobre a preparação desses indivíduos para lidar com situações complexas. Há um consenso crescente de que a redução do tempo de treinamento poderá contribuir para a aplicação imprópria da força em situações de confronto.
A tragédia que envolveu Renee Good não é isolada, refletindo um padrão mais amplo de conflitos entre forças de segurança e civis, que, na maioria das vezes, terminam de maneira trágica. Diante disso, tanto os agentes como as autoridades responsáveis devem refletir sobre a ética e a eficácia das práticas em operação. A escalada de violência não pode ser a resposta a provocações e, como tais, é vital que a aplicação da lei encontre um equilíbrio entre manter a ordem e respeitar os direitos civis dos cidadãos, mesmo em situações tensas.
A resposta da ICE e as implicações legais e sociais do tiroteio devem ser seguidas de perto conforme as investigações progridem. A opinião de Feinberg representa uma chamada clara para um exame crítico das práticas atuais, exigindo que as agências governamentais considerem seriamente as suas abordagens no que diz respeito ao uso de força letal. A necessidade de humanização no tratamento de civis e a construção de uma maior responsabilidade policial permanecem no centro da discussão sobre a eficácia da aplicação da lei nos dias atuais, revelando a urgência de uma reforma nas práticas da ICE e de outras instituições semelhantes.
Fontes: The New York Times, Washington Post, CNN
Detalhes
Michael Feinberg é um ex-oficial do FBI com vasta experiência em aplicação da lei. Ele se destacou por suas opiniões sobre a responsabilidade e a ética no uso da força por agentes de segurança pública, frequentemente criticando práticas inadequadas e defendendo um treinamento mais rigoroso para novos agentes. Feinberg é um defensor da humanização no tratamento de civis e da necessidade de reformas nas agências de segurança.
Resumo
O debate sobre o uso da força letal por agentes de segurança pública foi reacendido após a morte de Renee Good, causada por um agente da Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Minnesota. Michael Feinberg, ex-oficial do FBI, criticou a resposta da ICE e a justificativa do governo, considerando-a enganosa. Ele destacou a imprudência do agente em filmar a interação, sugerindo que isso demonstra uma falta de discernimento sobre ameaças reais. Feinberg argumentou que a resposta policial muitas vezes é exagerada e que comportamentos desrespeitosos não justificam o uso de força mortal. Ele também apontou a necessidade de treinamento adequado para agentes, já que a formação foi reduzida drasticamente em algumas circunstâncias. A situação de Good reflete um padrão mais amplo de conflitos entre forças de segurança e civis, levantando questões sobre a ética e a eficácia das práticas policiais. Feinberg pediu uma reflexão crítica sobre o uso da força letal e a humanização no tratamento de civis, enfatizando a urgência de reformas nas práticas da ICE e outras agências.
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