09/01/2026, 19:02
Autor: Laura Mendes

Um novo estudo confirmou que pessoas que param de usar medicamentos para perda de peso, como a semaglutida, geralmente retornam ao seu peso anterior em menos de dois anos. A análise, que abrangeu 9.341 pacientes obesos ou com sobrepeso submetidos a 37 investigações sobre diversos medicamentos, revelou que a média de recuperação de peso é de quase um quilo por mês. Esse cenário é alarmante, visto que enfatiza a necessidade de uma abordagem que não se limite a intervenções farmacológicas, mas que integre mudanças no estilo de vida, hábitos alimentares saudáveis e suporte psicológico.
A crescente obesidade é considerada uma epidemia em várias partes do mundo, levando a um aumento nos casos de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Entretanto, muitos especialistas argumentam que a abordagem atual é ainda muito focada na função do medicamento em si, sem fornecer as ferramentas necessárias para que os indivíduos alterem seus comportamentos de forma sustentável. Como salientam diversos praticantes da área da saúde, o tratamento da obesidade deve ser encarado como uma condição crônica que exige intervenções contínuas.
Um dos comentários em resposta ao estudo sugere que a obesidade deve ser vista de forma holística, abordando questões que vão desde o sistema educacional até a complexidade dos alimentos subsidiados. Essa visão reforça a ideia de que uma transformação fundamental na sociedade é necessária. Para que a obesidade possa ser contida, devemos incentivar hábitos alimentares saudáveis, melhorar a oferta de educação física nas escolas e promover um ambiente que reduza a ingestão excessiva de açúcares e alimentos ultraprocessados. A proposta de um imposto sobre o açúcar, por exemplo, seria uma maneira de desencorajar o consumo de produtos prejudiciais à saúde e fomentar escolhas alimentares melhores.
Além das intervenções dietéticas, a pesquisa também indica que os pacientes que interrompem o uso da semaglutida não apenas enfrentam o retorno do peso, mas também sentem o retorno dos desejos e práticas alimentares prejudiciais. O uso contínuo desses medicamentos pode criar um efeito de amortecimento sobre os desejos, mas não necessariamente ensina os pacientes a melhorar sua relação com a comida ou a aprimorar seu autocontrole. Quando a medicação é suspendida, os indivíduos frequentemente se veem diante da mesma batalha contra os hábitos que buscavam controlar, sem as ferramentas necessárias para lidarem com essa realidade.
Os dados indicam que a maioria dos pacientes não desenvolve mecanismos de enfrentamento apropriados, o que sugere que a medicação deve ser vista como um adjuvante, e não como a solução final. Embora esses medicamentos possam oferecer um empurrão inicial para a perda de peso, a sustentabilidade a longo prazo depende de uma mudança de mentalidade. Para obter resultados duradouros, é fundamental que intervenções comportamentais e terapêuticas acompanhem o uso de medicamentos para garantir que os pacientes sejam capacitados a fazer e manter mudanças em seus hábitos de vida.
Medicamentos como o utilizado na análise estudada podem ser eficazes a curto prazo, mas a verdadeira eficácia só é atingida quando estes são combinados a uma mudança profunda nos modos de vida, envolvendo dieta, atividade física e apoio psicológico. Esses fatores são cruciais para que a perda de peso se torne um processo constante e não uma batalha recorrente contra o efeito sanfona, que aflige tantos que se lançam na luta contra a obesidade.
Ademais, a pesquisa traz à tona a discussão sobre as responsabilidades das indústrias alimentícias e das políticas públicas em relação à saúde da população. A implementação de um ambiente mais saudável exige não só uma mudança em hábitos individuais, mas também na forma como alimentos são produzidos, comercializados e consumidos na sociedade contemporânea. Sem ações efetivas que promovam a saúde em um nível estrutural, os resultados obtidos com medicamentos para emagrecimento permanecerão insustentáveis.
Concluindo, o estudo reforça a necessidade de se repensar estratégias no combate à obesidade, trazendo à tona a importância de um tratamento que inclua tanto a farmacoterapia quanto intervenções comportamentais e educacionais. O desafio de mudar hábitos e comportamentos é complexo, mas fundamental na construção de uma sociedade mais saudável e com menor incidência de doenças crônicas, como a obesidade, que continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo.
Fontes: Reuters, Jornal da Saúde, Organização Mundial da Saúde
Detalhes
A semaglutida é um medicamento utilizado no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. Pertencente à classe dos agonistas do GLP-1, atua na regulação do apetite e na redução da ingestão alimentar. Estudos demonstram sua eficácia na perda de peso a curto prazo, mas especialistas ressaltam que a continuidade do tratamento deve ser acompanhada de mudanças no estilo de vida para garantir resultados duradouros.
Resumo
Um novo estudo revela que a interrupção do uso de medicamentos para perda de peso, como a semaglutida, leva os pacientes a recuperarem o peso perdido em menos de dois anos, com uma média de quase um quilo por mês. A pesquisa, que analisou 9.341 pacientes, destaca a necessidade de uma abordagem mais abrangente para o tratamento da obesidade, que inclua mudanças no estilo de vida e suporte psicológico, em vez de depender apenas de intervenções farmacológicas. Especialistas alertam que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica, exigindo intervenções contínuas. A pesquisa sugere que a educação e a promoção de hábitos saudáveis são essenciais para combater a obesidade, além de discutir a responsabilidade das indústrias alimentícias e políticas públicas. A combinação de medicamentos com mudanças comportamentais é fundamental para garantir resultados sustentáveis na luta contra a obesidade.
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